A relação entre a alimentação e a qualidade da pele é tão importante que estudos nessa área são constantemente realizados para identificar as melhores maneiras de tratar o tecido cutâneo através da dieta. Um estudo publicado em março na revista médica Skin Therapy Letter apontou os alimentos que retardam o envelhecimento da pele as estratégias nutricionais mais recomendadas para combater os mecanismos envolvidos nesse processo (oxidação, inflamação e glicação).

“Alimentos de alto índice glicêmico, como carboidratos, farinhas e açúcares, são rapidamente digeridos pelo organismo e transformados em glicose no sangue, provocando assim um pico de glicemia. Para reequilibrar esse alto nível de glicose no sangue, o organismo aumenta a produção de moléculas que podem se transformar em radicais livres, gerando assim o estresse oxidativo”, completa a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez.

A melhor maneira de combater esses três processos prejudiciais é através da adoção de uma dieta balanceada com nutrientes específicos para neutralizá-los. “Para combater o estresse oxidativo, por exemplo, o ideal é investir em antioxidantes, que incluem principalmente nutrientes como Vitamina C, Vitamina E, selênio, zinco, carotenoides e polifenóis”, diz a Dra. Marcella Garcez. Porém, ainda que nutrientes isolados sirvam como antioxidantes, o ideal é investir em alimentos que sejam ricos em uma grande variedade dessas substâncias. De acordo com o estudo, a categoria alimentícia que inclui temperos e ervas é a que contêm mais alimentos ricos em antioxidantes. “Além disso, frutas vermelhas e vegetais de todas as cores, no geral, também figuram entre alimentos que contêm antioxidantes em quantidade média-alta”, afirma a nutróloga.

Já no combate à inflamação, os pesquisadores desenvolveram um índice inflamatório alimentar que destaca os principais alimentos anti-inflamatórios, como açafrão (cúrcuma), chá verde, chá preto, gengibre, alho e cebola. Nutrientes como fibras, magnésio, vitamina D e Ômega-3 também foram destacados pelos pesquisadores devido a seus efeitos anti-inflamatórios. “Os autores do estudo também ressaltaram a importância do consumo de alimentos fermentados, bem como enriquecidos com probióticos e prebióticos, pois possuem papel importante na manutenção da saúde da flora intestinal, que, por sua vez, têm grande impacto no processo inflamatório, no funcionamento da barreira da pele e no envelhecimento cutâneo”, destaca a Dra. Marcella.

O estudo apontou também que alimentos como canela, alho, erva mate, tomate, gengibre, cominho, pimenta do reino e chá-verde possuem propriedades antiglicantes, sendo assim ideais para combater os processos bioquímicos de glicação. Além disso, é preciso evitar também alimentos ricos em gordura e proteínas, como certos tipos de carne e queijo, já que esses possuem grande quantidade de AGE’s pré-formados. No lugar, aposte em frutas, vegetais e pães integrais.

Certos métodos de cozimento de alimentos proteicos, como grelhar, assar e fritar, também aumentam a quantidade de AGE’s pré-formados. Em contrapartida, ferver as proteínas, bem como cozinhá-las por períodos mais curtos e em temperaturas baixas, são estratégias para redução desses AGE’s.

“Para aqueles que desejam um envelhecimento saudável da pele e do corpo, o ideal é apostar em uma dieta que incorpore essas três estratégias, com foco em alimentos ricos em antioxidantes, com propriedades anti-inflamatórias e que diminuam e inibam a glicação, afinal, todos esses processos estão extremamente interligados. Porém, recomenda-se que a adoção dessa alimentação seja realizada com acompanhamento médico, já que apenas um profissional especializado poderá fazer uma avaliação e prescrever uma dieta de acordo com suas características e necessidades”, finaliza a Dra. Marcella, Garcez.

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