sáb, 04 dez 2021 17:32:58 -0300
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    Dia Mundial da Água: quais os impactos da moda sobre esse recurso?

    Uma pesquisa feita pelo portal Modefica mostra o consumo de água na produção de tecidos

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    Hoje, dia 22 de março, é comemorado o Dia Mundial da Água e com ele, uma série de reflexões vem a tona sobre a importância da preservação e não desperdício dessa fonte finita e essencial para vida! Na indústria da moda brasileira, esse recurso tem seu impacto principalmente no desenvolvimento das fibras utilizadas na fabricação de roupas, como poliéster, viscose e algodão. No relatório desenvolvido pela plataforma Modefica, os estudos se direcionam principalmente na elaboração dessas três principais fibras, e nessa matéria vamos destacar os impactos do algodão.

    trisha downing pyud8ZaVq4I unsplash

    A nível global, as técnicas usadas para irrigação fazem com que o consumo de água na produção dessa matéria prima, principalmente em grande escala, seja uma enorme vilã da sustentabilidade. E apesar dos dados alarmantes quando se trata do consumo de água na produção de uma camiseta ou calça jeans, se o algodão for de solo nacional existe grandes chances de a realidade ser diferente, pois o algodão no país é em sua maioria produzido em sequeiro, ou seja, apenas com a água da chuva.

    (…) as características específicas da produção brasileira parecem ser muito influentes para o consumo de água na cultura do algodão. O predomínio da produção de algodão em sequeiro (sem irrigação) é refletido nos valores médios nacionais para essa categoria: 2.333 L/kg de algodão (berço ao túmulo) e 1.704 L/kg de algodão (berço ao portão). Esses valores são de 4 a 5 vezes menores que os valores médios relatados em estudos internacionais, considerando o escopo berço ao portão e berço ao túmulo, respectivamente. Esse é um quadro tipicamente brasileiro, dado que mais de 70% do algodão mundial é irrigado e a média mundial de consumo de água de irrigação é de 10000 L de água por kg de fibra (VASCONCELOS et al., 2012) (…)Essa peculiaridade da produção nacional diminuiu drasticamente o consumo de água nessa etapa do ciclo de vida dos vestuários.”

    Entretanto a preocupação com a água ainda é grande e, está ligada também a contaminação. “ No Brasil, o algodão é a quarta cultura que mais consome agrotóxicos, sendo responsável por aproximadamente 10% do volume total de pesticidas utilizado no país (BOMBARDI, 2017), com uma aplicação média de 28 litros de pesticidas por hectare de algodão (ABRASCO, 2015). O impacto do uso de pesticidas é motivo de grande preocupação, devido ao alto potencial de afetar a saúde humana e o meio ambiente, podendo ocasionar a contaminação das águas superficiais e subterrâneas, mortalidade de abelhas, intoxicação, aborto espontâneo e câncer em seres humanos (ABRASCO, 2015).” 

    Apesar disso, o estudo mostra uma crescente procura do setor para questão ambiental: “(…) país tem investido em rastreabilidade e certificação para garantir uma produção com menor impacto ambiental. O Brasil é o maior produtor mundial de algodão certificado Better Cotton Initiative (BCI), respondendo por cerca de 30% do volume total de algodão BCI (BCI, 2020; TEXTILE EXCHANGE, 2019)”.

    A alternativa encontrada pelas pesquisadoras é o algodão agroecológico por conta das prioridades para circularidade elaboradas por elas, que se destaca por abordar uma avaliação que inclui não só os fatores ambientais, mas também os valores sociais envolvidos nesta economia, como por exemplo:

    1. Design de produto circular;
    2. Design de processos e fluxos circulares; 
    3. Sistemas vivos: regenerar a natureza;
    4. Recursos e toxicidade limitada;
    5. Condições locais: internalizar externalidades;
    6. Sociedade: justiça e ecologia social. 

    Por isso, se tratando da produção da fibra de algodão, a alternativa agroecológica se demonstra ser mais eficaz e coerente para a diminuição do impactos ambientais pois reduz em até 91% o consumo de água e 62% no consumo de energia. “A produção de algodão em sistema de monocultura, em geral, é bastante danosa ao ambiente, pois reduz a biodiversidade dos agroecossistemas, tornando-os vulneráveis aos ataques de pragas e doenças, assim como à perda de fertilidade dos solos. Isso implica a necessidade de usar uma quantidade cada vez maior e mais perigosa de pesticidas e fertilizantes químicos, os quais, além de poderem impactar a saúde humana, podem também poluir as águas e o solo, causando perda de biodiversidade e dos seus serviços ecossistêmicos (SAMBUICHI et al., 2017).”

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