Publicidade

Por Raíssa Zogbi

raissa
@raissazogbi

Escrevo esse artigo logo após apresentar e ser aprovadano meu trabalho de conclusão de curso da pós-graduação. Enquanto isso, me lembro de que quando fui escolher a área de estudo que seguiria após a faculdade, Economia Criativa nunca esteve em meus planos. Na verdade, ela caiu completamente de paraquedas na minha vida, já que estava matriculada em um curso de moda que não fechou turma e, portanto, não aconteceu. Para não ficar um semestre parada, pensei: “vou tentar”. Uma jornalista especializada em moda e agora matriculada em uma pós-graduação de economia. Eu mal sabia o que seria abordado no curso.

Hoje, posso dizer que era o segmento mais pertinente para seguir naquele momento. E como a moda funciona como um organismo vivo e pode ser analisada sob diversos ângulos, era óbvio que ela seria pauta também do meu trabalho final.
E foi. Dentro de todas as frentes possíveis e exploráveis na Economia Criativa, encontramos a sustentabilidade para trabalhar e fizemos uma análise sobre o novo cenário de tecidos feitos a partir de resíduos orgânicos, que chegam para comprovar o poder do modelo circular de produção e seu combate ao tradicional ciclo linear (extrair, transformar e descartar).

A economia circular trabalha com o conceito “do berço ao berço”, em que os resíduos são sempre fonte para um novo ciclo ou subproduto. E é exatamente essa alternativa que pode minimizar os incalculáveis impactos causados pela indústria da moda no mundo, sem que ela perca seu caráter rentável para o mercado.

Vou citar, nesse momento, uma das empresas que me surpreendeu pela capacidade de produção de um tecido de qualidade, sustentável e em larga escala. É a Nanollose, com sede na Austrália, que criou uma fibra para tecidos feita com biomassa de coco. Veja: a tecnologia é feita a partir de micróbios, que convertem resíduos de biomassa do coco em celulose por meio de fermentação natural e, depois, essa celulose microbiana é processada e transformada em fibras. Portanto, não demanda cultivo extenso de plantas como algodão ou árvores.

Os números são positivos! Em uma área equivalente a um campo de futebol (70 metros por 100 metros), a plantação de árvores tradicional leva de 12 a 18 anos para crescer e gera 3,5 toneladas de celulose por ano. A nova tecnologia, no mesmo espaço, leva de 10 a 15 dias para gerar 115 toneladas de celulose por ano, sem desgaste de solo! Isso sem contar que a casca do coco reciclada é 100% biodegradável e origina um tecido confortável, com proteção contra os raios UV, secagem rápida e capaz de eliminar odores.

O CEO da empresa, Alfie Germano, em entrevista, conta que para produzir algodão suficiente para uma única camiseta são necessários 2.700 litros de água, o suficiente para uma pessoa beber por dois anos e meio. É sempre tempo de repensar. E é bonito de ver empresas que pensam em um mundo que não só movido pelo lucro!

 

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here