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A pandemia do novo coronavírus nos forçou a repensar hábitos de todos os setores da economia, especialmente da moda. Em resposta ao artigo publicado no dia 2 de abril no site WWD, “Inundação de coleções renderá uma moda mais lenta?”, o estilista Giorgio Armani escreve carta aberta ao mundo da moda, demonstrando sua visão sobre o cenário pandêmico em que nos encontramos.

Armani começa contando o real motivo do nascimento do sistema fast fashion: a esperança de vender mais. Dessa forma, se opõe ao movimento, identificando-o como imoral: “Não faz sentido que minhas jaquetas ou roupas que ficam na loja por três semanas, tornem-se imediatamente obsoletas e sejam substituídas por novas mercadorias, que não são muito diferentes das que as precederam. Eu não trabalho assim, acho imoral fazê-lo”, defende.

Ele ainda complementa: “Sempre acreditei em uma ideia de elegância atemporal, na criação de roupas que sugerem uma maneira única de comprá-las: que durará com o tempo. Pela mesma razão, acho absurdo que, durante o inverno, na boutique, tenha roupas de linho e durante o verão, casacos de alpaca, pelo simples motivo que o desejo de comprar seja estimulado de forma imediata.”

O estilista afirma ver oportunidade na crise e pede à indústria, que fez da moda rápida a mentalidade dominante, um realinhamento e desaceleração com o objetivo de acabar com o desperdício. “Há três semanas trabalho com minhas equipes para que, após o bloqueio, as coleções de verão permaneçam nas boutiques pelo menos até o início de setembro, como é natural. E assim faremos, a partir de agora”, conta Armani.

Ele ainda aponta sobre o desperdício que engloba os shows da indústria: “Muitos dos desfiles, em todo o mundo, são feitos envolvendo transportes poluentes; com desperdício de dinheiro para os shows, que são apenas pinceladas de esmalte afixadas sobre o nada.

O momento que estamos passando é turbulento, mas nos oferece a oportunidade verdadeiramente única de corrigir o que está errado, remover o supérfluo, encontrar uma dimensão mais humana… Essa talvez seja a lição mais importante desta crise.”, finaliza o designer.

Giorgio Armani escreve carta aberta ao mundo da moda.
Fonte: WWD

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