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Por Ana Vaz
Podemos considerar a moda como forma de ativismo? Parece incongruente, não é? Afinal, o que a moda quer é vender, vender e vender novos produtos que logo ficam obsoletos – um sistema baseado na obsolescência programada, não quer que você pense ou questione, apenas quer que você compre e descarte e compre e descarte e compre. Um sistema que está ruindo. Um sistema que já não emplaca com a mesma facilidade o volume de vendas que gostaria. É só olhar para os lados e observar gigantes como Forever 21, Top Shop e Macy´s, entre tantos outros, ruindo. Ou o maior player de moda do planeta, a Zara, se reinventando para se tornar mais sustentável – e com isso engolir pequenos e grandes concorrentes gerando um impacto menor no meio ambiente.

Há em segmento de novos consumidores de moda que contribui para essa ruptura do sistema. São chamados de aspiracionais (de acordo com o estudo da Globe Scan Radar), são mais de 42% dos consumidores brasileiros, por exemplo. Se reconhecem exigentes, querem consumir menos e com maior critério. Entre seus requisitos para comprar uma marca, entram as causas defendidas por elas. É aí que mora parte do ativismo feito por marcas de moda. Algumas criadas por jovens que já entraram no mercado com uma proposta diferente de marca e consumo, como a Chromat da estilista Becca McCharen-Tran, uma marca de roupa esportiva que defende a diversidade de corpos, gêneros e raças; outras, tradicionais como a Dior, tem em Maria Grazia Chiuri a primeira mulher diretora criativa da marca – Chiuri é uma ativista do feminismo e tem trazido sua luta para  todas as coleções que cria.

Na última semana de moda de Nova York, a Chromat  trouxe como temática do desfile a defesa dos direitos LGBTQ+ nos esportes e questionou os testes de gênero que tem deixado de fora de importantes eventos esportivo, atletas cujo resultados não condizem com o que se descreve “normal”. Na edição passada, o foco foi no combate à gordofobia e os corpos gordos foram a maioria no casting da marca. A marca nasceu fazendo tamanhos grandes, uma vez que acredita que todos os corpos têm direito à prática de esportes e para isso precisam se vestir. Simples, mas muito contundente. A Chromat tem recebido grande cobertura da mídia de moda tradicional e cada vez mais engaja seus consumidores.

moda como forma de ativismo
Natalie Portman

Na Dior, o ativismo é mais leve, digamos assim. Passa por colaborações, mas ainda se vê acanhado quando comparamos com marcas que nasceram a menos tempo e já imersas na cultura digital e no ativismo. Chiuri traz a colaboração de artistas feministas, como Judy Chicago que criou o cenário para o último desfile de Alta-Costura em janeiro passado.  Outro exemplo foi a parceria com a atriz Natalie Portman, que pediu que a marca bordasse o nome das diretoras de cinema que foram deixadas de lado nas indicações para o Oscar deste ano. Tudo muito sutil, apenas um perfume. Resta saber se esse caminho mais blasé será suficiente para engajar uma nova geração que não vê o mesmo valor na moda de luxo como viam outras gerações.

Se você gosta desse movimento, seguem aqui algumas outras marcas de moda cujo ativismo vale a pena ser acompanhado mais de perto: Pyer Moss; Fenty, Fenty Beauty e Savage X Fenty, marcas encabeçadas de Rihanna; e a tradicional Gucci. Vale ainda ressaltar que a Reebok tem apoiado duas das marcas que citamos aqui e faz colabs com a Chromat e com a Pyer Moss. Essa pequena seleção possui em comum um posicionamento voltado para o empoderamento negro e para a diversidade corporal e de gênero. De casting a campanhas, produtos e embaixadores, elas têm conseguido se manter coerentes com suas promessas. O consumidor e o ser humano agradecem.

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Savage Fenty Fall 2018

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