@raissazogbi

Por Raíssa Zogbi                                                   

Algo meio Matrix ou Star Wars trouxe um ar
futurista para as coleções de inverno das
semanas de moda. No embalo do que há por
vir, a moda busca referências em tudo que
remete à tecnologia: a responsável pelas
mudanças. Paletas metálicas e materiais
brilhantes chegam na velocidade da luz para romper qualquer tentativa de se prender ao tradicional. Quer prova mais lunática do que o plástico roubando o pódio do icônico tweed, na passarela de verão 2018 da Chanel? Nada sobrenatural se considerarmos que tudo vale para atender o novo deus do século: o cliente.

Nesse momento, entramos na segunda parte do título: o futuro da moda. É louco, contraditório e até confuso tentar compreender de que forma o universo fashion caminha para uma mentalidade ecológica em plena era do consumismo. Afinal, pense comigo: a proposta do “see now, buy now” impõe uma troca tão veloz de coleções que é possível notar a dissolução das estações do ano, com coleções apropriadas tanto para frio, quanto calor (nada de perder vendas, né mores?).

Pois bem… um pouco de tudo, tudo de nada. “Quando olhamos para o passado da moda, podemos identificar ciclos de estilos, que de alguma forma representavam o espírito de determinado tempo. Mas desde o início dos anos 2000, a moda tem se inspirado muito em décadas anteriores”, bem disse André Carvalhal em seu livro “Moda com Propósito”. Conclusão? Nossa sobrecarga de informações sobre o tempo nos impede de acompanha-lo. É quase que impossível pensar em elementos que fizeram parte da moda da década de 2000, enquanto é natural lembrar de poás e minissaias como tendências absolutas dos anos 60. Isso tem a ver com a necessidade de suprir uma demanda de marketing insana. Em termos planetários, nossa conta está negativa com o consumo exacerbado.

Mencionar a tendência futurista das marcas, na verdade, foi só um pretexto para levantar uma reflexão sobre o real amanhã da moda. Até quando revisitar e reinventar o passado vai fazer sentido? Acho melhor irmos em frente e pensarmos em matérias-primas conscientes, em um consumo menos banal e em uma moda com mais significado, como propõe Stella McCartney, defensora power do ecologicamente correto. E já tem marcas que embarcaram nessa! Mas, nós, consumidores, somos a peça-chave para tentar correr atrás do prejuízo, reduzir nossa dívida ecológica e propor um planeta fashion. 3, 2 1… por aqui, lançamento autorizado. Vamos nessa?

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