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A indústria da moda brasileira é a maior cadeia têxtil completa do Ocidente e a segunda maior geradora de empregos. Esses são apenas dois dos argumentos que a jornalista especializada em moda, Caline Migliato, cita em seu livro, Moda em Pauta, para provar que moda e jornalismo combinam muito mais do que se imagina.

Pós-graduada em Madri, mestranda em Gestão de Negócios pela FIA e professora no Istituto Europeo di Design, Caline percebeu a necessidade de se criar um material para capacitar blogueiras. “A ideia surgiu em 2013, quando as blogueiras de moda ganharam relevância nos meios de comunicação. Eu percebi que havia muitas meninas com potencial falando sobre moda de maneira equivocada”, conta. Por isso, resolveu fazer um compilado de informações sobre a indústria da moda alinhadas a técnicas de redação. Nasce, assim, o Moda em Pauta: um beabá para quem quer dar o primeiro passo na direção do universo fashion. Acompanhe a entrevista.

1) Você produziu a obra para que ela fosse um dicionário da área?

Não um dicionário, mas um guia. O livro contém informações básicas que qualquer pessoa que escreve sobre o assunto ou que trabalha com moda precisa saber. Quando produzi o livro, meu foco estava nas blogueiras, mas depois que me tornei professora e consultora de marketing de conteúdo de moda percebi que empresários estavam se aventurando no ramo sem entender bulhufas desse mercado. Encontrei novamente mais uma oportunidade de levar esse conhecimento básico para os pequenos e médios empresários. A gratuidade do livro foi uma forma que encontrei de viabilizá-lo para o maior número de pessoas. Vivemos num país em que apenas metade da população lê livros e em média são quatro por ano. É muito pouco! Os livros no Brasil são caros, o que deixa esse cenário ainda pior. Um livro digital e gratuito vai na contramão dessa tendência e cumpre o objetivo que é justamente capacitar blogueiras, influencers e empresários de moda.

2) Como a moda pode ser considerada uma pauta jornalística?

A moda deve ser considerada uma editoria relevante dentro dos meios de comunicação. Trabalhei em um jornal em que precisava todos os dias convencer meu editor sobre a importância das pautas de moda. Na opinião dele, o assunto era supérfluo e sem relevância para o leitor. A indústria da moda brasileira é a maior cadeia têxtil completa do Ocidente e é a segunda maior geradora de empregos. Como pode ser supérflua ou irrelevante? Todos os dias acordamos e nos vestimos, certo? Alguém pensou nessas roupas, trabalhou para desenvolver essas peças, então a indústria da moda não só pode como deve ser considerada numa reunião de pauta.

 3) Como definiria fashion victims e qual o seu propósito com o capítulo sobre o assunto?

Fashion victims, como o próprio nome diz, são pessoas vítimas do consumo. Ao invés de usarem a moda a seu favor, se tornam vítimas dela. Coloquei esse termo no capítulo Termos da Moda. Meu objetivo foi provocar uma reflexão sobre o comportamento humano. Vivemos em uma época em que a necessidade de aprovação e o exibicionismo exacerbado fazem com que pessoas que gostam de moda se tornem vítimas dela, justamente porque abandonam seu estilo e topam qualquer coisa para ganhar likes.

4) Na sua obra podemos ver as principais tendências das décadas passadas. A partir de 2000, ficou cada vez mais difícil definir a sociedade por tendências. A que você atribui essa ausência de unidade?

A história da moda é construída por histórias sociais e econômicas. Muito do que se viu em décadas passadas retornaram em décadas futuras. Com a tecnologia, principalmente as redes sociais, o comportamento humano mudou e as pessoas passaram a compartilhar seus gostos, estilos, compras. Deixou-se de predominar um estilo único e passou-se a compartilhar vários.

 6) Você dá dicas de como observar um desfile. Quais as dicas deixa para quem quer trabalhar nesse meio?

No item Análise de Desfile, dentro do capítulo A Redatora de Moda, meu objetivo foi traçar um guia do que você precisa observar em um desfile. São muitos elementos e é natural que o redator se perca. Todos os desfiles, independentemente da marca ou da semana de moda, apresentam características relevantes em todos os itens que eu cito: lugar, tema, inspiração, música, modelos, beleza, cenário, cores, tecidos, styling, peças, modelagem e acessórios. Cabe ao redator interpretar esses signos e traduzir isso para o seu leitor. É um mix de impressões pessoais com aquilo que a marca comunicou.

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