seg, 12 abr 2021 09:42:44 -0300
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    O luxo em tempos de excessos de telas: a saída de Bottega Veneta das redes sociais

    Nossa colunista, Andreia Meneguete, fala do impacto no mundo da moda após a saída da marca de luxo Bottega Veneta das redes sociais

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    *Por Andreia Meneguete

    Bastou a grife italiana Bottega Veneta decidir sair – sem anúncio prévio – de todas as redes sociais para que uma avalanche de críticas invadisse as próprias redes sociais questionando “a necessidade do luxo ser democrático”. A crítica majoritária vinha de um séquito de seguidores que se mostrou perplexo com uma suposta prepotência da marca em se ausentar de espaços que hoje são os “principais” canais de comunicação com consumidores. Até aqui, a premissa poderia ser totalmente verdadeira se não fosse o fato de que o universo do luxo se estrutura (e se sustenta!) por meio da tradição da marca, exclusividade no design e no processo de fazer produtos e personalização de serviços. Pode somar a isso algumas doses de sonho, magia e aquela sensação de inacessibilidade.

    Modelo Barbara Valente Credito Filippo Fior Gorunway Spring 2020
    Modelo Barbara Valente Credito Filippo Fior Gorunway Spring 2020

    Exigir que o luxo seja acessível é ignorar a sua própria essência e modus operandi. Uma marca não se faz mais democrática por estar em uma rede social. Ou se faz acessível por deixar seus produtos ali à mostra em telas de tamanhos de celulares, prontos para serem curtidos. Quem consome luxo – de verdade – deseja o que esse universo promete entregar: um mundo particular, privado e direcionado para poucos que estão dispostos a pagar alto por ele. E, em tempo de excesso de telas e ostentação de uma vida pronta para o consumo instagramável, não é de se estranhar que uma marca de luxo decida ir na contramão do que é popular. Nada contra a massa, vale ressaltar aqui, mas o luxo não é para ela. E não cabe a esta indústria, pelo menos como sugerem teoria e prática, se fazer para todos.

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    Imagem: BOTTEGA VENETA RESORT 21

    Os questionamentos e críticas diante da decisão estratégica da Bottega Veneta foram além. Houve ainda aqueles que levantaram a necessidade das marcas estarem presentes no mundo das redes sociais por uma questão de não alienação social e, até mesmo, como um jeito de poder dar acesso àqueles que não podem consumi-la. Devo dizer, infelizmente, que não é por meio do acesso ao luxo pelas mídias digitais que se diminui as disparidades e injustiças sociais. O que muda isso é educação, economia, política e saúde.

    O fato é simples de ser compreendido: o excesso de tempo sobre telas e o Instagram já são algo demodé para quem pode viver um mundo de magia offline. O que hoje em dia é um verdadeiro luxo. Já pode se preparar, pois em breve tudo que todos mais vão querer ter é essa ausência dos excessos de tela e voltar em doses homeopáticas ao que se era antigamente: contato humano; conversas com olho no olho, sem distrações de mensagens em celular; e aquele maravilhoso tempo de não fazer nada quando não se tem nada pra fazer. Afinal, chega de tantos excessos de nós mesmos!

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