A morte de Valentino Garavani em 19 de janeiro de 2026 marcou o fim de uma era na moda global, e coincidiu com um momento de reflexão mais amplo sobre o futuro do luxo e dos modelos tradicionais de poder e glamour que dominaram o século XX e o início do XXI. Conhecido como um dos últimos grandes couturiers dessa geração histórica, Valentino foi louvado por sua elegância atemporal, pelo icônico Valentino red e por vestir algumas das figuras mais influentes do mundo durante décadas.
O legado de um “imperador” e o fim de um ciclo
Valentino foi amplamente reconhecido como um dos últimos grandes estilistas cuja autoridade criativa segurava, por si só, o peso de uma maison de luxo, um “imperador” da moda que simbolizava glamour, tradição e estética atemporal. Sua morte trouxe à tona o papel que grandes nomes como ele, Armani e Lagerfeld desempenharam por décadas, atuando como ícones culturais e referências incontestáveis dentro e fora das passarelas.
Esse modelo, centrado em personalidades singulares que dirigem estéticas, identidades de marca e narrativas simbólicas, começou a ser questionado há alguns anos, à medida que o mercado de luxo se transformou sob a pressão de consumidores mais jovens, diversidade estética e uma economia cultural que valoriza pluralidade, significado e propósito, em vez de autoridade verticalizada.
O novo luxo: identidade, comunidade e valor cultural
Em 2026, o setor de moda parece entrar em uma fase em que o “luxo sem imperadores” passa a ganhar espaço. Isso não significa o fim das grandes maisons, mas sim uma mudança na forma como elas funcionam: o poder criativo deixa de estar atrelado apenas ao nome de um fundador e passa a emergir de equipes colaborativas, narrativas culturais mais amplas e uma relação mais profunda com o consumidor.
Especialistas em marcas de luxo já destacaram que, no futuro, o setor precisará equilibrar sua função como entretenimento cultural de alta influência com sua capacidade de gerar valor simbólico duradouro, não mais dependente de uma figura lendária, mas do que a marca representa social e culturalmente ao longo do tempo.
A nova moda global: mais além da hierarquia
A moda pós-Valentino mostra que o valor estético não precisa mais ser presidido por “imperadores”. Novas vozes criativas, colaborações entre designers de diferentes origens e o surgimento de narrativas híbridas têm transformado o sistema fashion em um espaço mais fluido. Essa mudança é reforçada por valores contemporâneos como diversidade, sustentabilidade, identidade e expressão individual, que ganharam importância crescente nas decisões de consumo e criatividade.
O luxo passa a ter menos a ver com exclusividade verticalizada e mais com experiências significativas, autenticidade cultural e conexão emocional. Em vez de esperar por um único nome que ditará estética e valor, o público atual busca marcas e coleções que lhe falem de história, propósito, comunidade e estética compartilhada, um luxo coletivo em vez de personalista.
Um novo capítulo para a moda
A morte de Valentino Garavani simboliza não apenas o adeus a um ícone, mas o fim simbólico de uma época em que os grandes “imperadores” da moda ditavam tendências e valores estéticos com autoridade incontestável. O século XXI, especialmente em 2026, vem desenhando uma moda mais plural, colaborativa e conectada às culturas contemporâneas — um luxo que se constrói não em torno de um único criador, mas de muitas vozes, histórias e visões que se entrelaçam e se reinventam.
Essa transição, do modelo personalista para um modelo mais coletivo, não diminui o impacto de nomes como Valentino, mas coloca seu legado como um ponto de partida para uma moda do futuro, que celebra diversidade estética, identidade e conexão cultural em vez de autoridade única.