A Courrèges inicia um novo capítulo em sua história com a chegada de Drew Henry como diretor artístico. O anúncio vem poucos dias após a saída de Nicolas Di Felice, responsável por reposicionar a marca no centro do debate fashion contemporâneo e sinaliza não uma ruptura, mas uma evolução estratégica.
Henry assume oficialmente em maio, com sua estreia já marcada para setembro, durante a Paris Fashion Week, um dos palcos mais relevantes da indústria.
Continuidade com novos códigos
A escolha de Drew Henry revela um movimento cuidadoso por parte da maison. Longe de uma mudança radical, sua nomeação indica uma continuidade com ajuste de rota, mantendo o vocabulário já consolidado da marca, mas abrindo espaço para novas interpretações de forma, função e proporção.
Essa decisão faz sentido dentro do contexto recente da Courrèges. Sob o comando de Nicolas Di Felice, a marca resgatou sua essência futurista, inspirada na era espacial dos anos 1960, e a traduziu em uma estética contemporânea, marcada por silhuetas precisas, materiais tecnológicos e uma sensualidade controlada.
Agora, Henry herda uma base sólida. O desafio não é reconstruir, mas reinterpretar um legado já revitalizado.
A influência de Phoebe Philo e o minimalismo inteligente
Antes de assumir o novo cargo, Drew Henry construiu sua trajetória nos bastidores ao lado de Phoebe Philo, um dos nomes mais influentes do minimalismo contemporâneo.
Essa formação sugere um caminho interessante para a Courrèges: uma possível ênfase em design funcional, corte preciso e inteligência silenciosa, características que marcaram a estética de Philo e que dialogam diretamente com o DNA da maison.
Se Di Felice trouxe energia de pista e sensualidade moderna, Henry pode aprofundar uma abordagem mais refinada, onde o impacto vem da construção e não do excesso.
Entre herança e inovação
Fundada por André Courrèges, a marca sempre esteve associada à inovação, seja pelo uso de materiais como o vinil, seja pelas silhuetas geométricas que definiram uma era.
Ao longo dos anos, o maior desafio da Courrèges tem sido justamente equilibrar essa herança com a necessidade de se manter relevante. A gestão anterior conseguiu reconectar a marca com uma nova geração, sem perder sua identidade.
Com Henry, a expectativa é que esse equilíbrio evolua para um novo estágio: menos sobre revival e mais sobre construção de futuro.
O peso de uma estreia
Na moda contemporânea, poucas coisas são tão decisivas quanto um primeiro desfile. E, no caso de Drew Henry, sua estreia na Paris Fashion Week será mais do que uma coleção, será uma declaração de intenções.
Em um cenário marcado pela constante troca de diretores criativos, a Courrèges aposta em uma narrativa mais estratégica: consolidar sua linguagem enquanto refina sua direção.
O que essa mudança diz sobre a moda em 2026
A chegada de Drew Henry também reflete um movimento maior da indústria. Em vez de grandes rupturas, muitas marcas optam por evoluções sutis, porém consistentes, valorizando continuidade, identidade e construção de longo prazo.
Isso aponta para uma nova fase da moda, em que o impacto não vem apenas do espetáculo, mas da coerência.
Uma nova visão para uma marca do futuro
A Courrèges sempre foi sinônimo de olhar para frente. Agora, com Drew Henry, esse olhar ganha uma nova lente: mais silenciosa, talvez, mas potencialmente ainda mais precisa.
Se o passado da marca foi sobre imaginar o futuro, 2026 pode ser o momento de refiná-lo.