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Do clássico de 2006 à nova era: o que a evolução dos looks em O Diabo Veste Prada revela sobre o novo luxo

24 de abril de 2026

#Cultura

By: Redação

Vinte anos separam O Diabo Veste Prada (2006) de sua aguardada continuação, que chega aos cinemas em abril de 2026. Se, no primeiro momento, o trailer sugere apenas uma atualização estética, agora, com imagens de bastidores, participações confirmadas e mais detalhes da narrativa, fica evidente: não se trata apenas de uma sequência, mas de um retrato preciso da transformação do próprio conceito de luxo.

O que permanece é a moda como linguagem de poder. O que muda é a forma como esse poder se expressa: menos performático, mais estratégico; menos sobre ostentação, mais sobre intenção.

No filme original, o figurino refletia o auge do glamour aspiracional dos anos 2000 (bolsas icônicas, saltos vertiginosos, logotipos evidentes e o peso das grandes maisons como símbolo máximo de status). Era o consumo como narrativa central, personificado por Miranda Priestly, enquanto Andy Sachs atravessava sua clássica transformação ao adotar o “uniforme do sucesso”.

Duas décadas depois, esse código foi reescrito.

Miranda Priestly (Meryl Streep): do excesso ao luxo silencioso

Em 2006, Miranda era a tradução do luxo maximalista: casacos de pele, joias imponentes, silhuetas estruturadas e uma estética que comunicava autoridade por meio do excesso. Cada elemento do look reforçava hierarquia, exclusividade e controle.

Em 2026, as imagens revelam uma virada sofisticada. A imponência permanece, mas agora construída com tecidos fluidos, cortes arquitetônicos e uma paleta refinada que transita entre cinza, vinho e off-white. O preto absoluto, antes dominante, cede espaço a uma elegância menos rígida, mais estratégica.

O brilho deixa de ser literal e passa a existir no acabamento, na modelagem, na escolha precisa de cada peça.

O que retorna: A silhueta de comando, os casacos longos, a postura impecável e o minimalismo na beleza: sinais de que Miranda não perdeu poder, apenas o refinou.

Andy Sachs (Anne Hathaway): da adaptação à identidade

A trajetória de Andy sempre foi sobre transformação. Em 2006, ela parte de um estilo despretensioso para incorporar o visual das editoras da Runway: trench coats, saltos, peças de grife e acessórios marcantes. Era uma construção de pertencimento.

Agora, Andy retorna não mais como alguém que tenta caber nesse universo, mas como alguém que o domina à sua maneira. Nas gravações em Nova York, surge com alfaiataria contemporânea, tecidos tecnológicos e peças assinadas por nomes como Gabriela Hearst. O styling aponta para uma estética mais funcional, madura e autoral. Menos “revista de moda”, mais “marca pessoal”.

Há também uma camada narrativa interessante: o guarda-roupa de Andy dialoga com práticas como o thrifting, sugerindo uma relação mais consciente com o consumo (algo impensável no primeiro filme).

O que retorna: A alfaiataria como símbolo de virada, o uso pontual do vermelho e o frescor no olhar, agora traduzido em escolhas mais seguras e intencionais.

O que a evolução dos looks realmente revela

A comparação entre os dois filmes escancara uma transformação maior do que tendência: revela uma mudança cultural. Se em 2006 o luxo era visível e muitas vezes excessivo, em 2026 ele se torna silencioso, estratégico e profundamente ligado à identidade.

Mais do que uma continuação, O Diabo Veste Prada 2 funciona como um espelho dos últimos 20 anos da moda, mostrando que estilo deixou de ser sobre seguir códigos e passou a ser sobre construí-los.

Por: Janaina Souza.

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diabo veste prada

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