Por muito tempo, as esposas e namoradas de jogadores de futebol eram vistas apenas como figuras que acompanhavam os atletas nas arquibancadas. Hoje, elas ocupam um espaço de protagonismo na indústria da moda, influenciam tendências, estrelam campanhas de luxo e transformam cada aparição em um desfile particular. Esse fenômeno ganhou um nome: WAG (Wives and Girlfriends) e, embora tenha se popularizado recentemente com a ascensão das redes sociais, sua maior referência continua sendo Victoria Beckham.
Considerada por muitos a “WAG original”, Victoria ajudou a transformar a imagem das companheiras de atletas ao levar o glamour da cultura pop para os estádios no início dos anos 2000. Enquanto acompanhava David Beckham durante competições internacionais, seus looks passaram a ser tão comentados quanto as partidas, consolidando um estilo que ainda influencia gerações.
Victoria Beckham criou um novo dress code para os estádios
Nos tempos de Copa do Mundo e Eurocopa, Victoria transformava cada ida às arquibancadas em um momento fashion. Regatas ajustadas, baby tees da seleção inglesa, minissaias, shorts de cintura baixa, cintos largos, óculos oversized e bolsas de luxo faziam parte de um visual que traduzia perfeitamente a estética Y2K.
Ela também foi uma das primeiras celebridades a mostrar que peças esportivas podiam conviver com itens de alta moda. Era comum combinar camisetas da Inglaterra com bolsas da Hermès, Dior ou Miu Miu, antecipando uma mistura entre esporte e luxo que hoje domina as passarelas.
Da estética Y2K ao quiet luxury
O estilo das WAGs evoluiu junto com a moda. Se nos anos 2000 elas apostavam no glamour maximalista característico da época, hoje sua imagem está associada ao minimalismo sofisticado de sua marca homônima.
Alfaiataria impecável, vestidos de linhas retas, tons neutros e bolsas estruturadas substituíram os excessos do início da carreira. Essa transformação acompanha uma das maiores tendências da última década: o quiet luxury, que privilegia cortes refinados, qualidade e discrição em vez de logotipos chamativos.
Mesmo assim, muitos elementos da antiga estética WAG continuam influenciando a moda atual, especialmente com o retorno das referências Y2K.
O novo fenômeno WAG
A Copa do Mundo de 2026 voltou a colocar as WAGs sob os holofotes. Nomes como Georgina Rodríguez, Gabriely Miranda e outras companheiras de atletas passaram a ocupar espaço nas capas de revistas e nas redes sociais, mostrando que o interesse do público vai muito além dos gramados.
Hoje, o estilo WAG é mais democrático. Há espaço para produções minimalistas, esportivas e maximalistas, mas existe um ponto em comum: todas utilizam a moda como ferramenta de construção de imagem e identidade.
As arquibancadas se transformaram em vitrines globais, onde cada bolsa, óculos ou sapato rapidamente se torna assunto entre fashionistas.
Esporte e luxo caminham juntos
O crescimento da estética WAG acompanha uma transformação maior da indústria. Nos últimos anos, marcas como Louis Vuitton, Gucci, Dior e Prada passaram a investir fortemente no universo esportivo, patrocinando atletas, equipes e eventos internacionais.
Ao mesmo tempo, jogadores de futebol se consolidaram como ícones de estilo, enquanto suas parceiras ampliaram sua influência como criadoras de tendências.
Essa aproximação fez com que a moda esportiva deixasse de ser apenas funcional para ocupar definitivamente o território do luxo.
Mais do que tendência, um fenômeno cultural
O estilo WAG já não representa apenas o visual das companheiras dos jogadores. Ele simboliza uma nova forma de consumir moda, em que esporte, entretenimento e lifestyle se encontram.
E, embora novas gerações estejam redefinindo essa estética, Victoria Beckham permanece como sua maior referência. Foi ela quem mostrou, há mais de duas décadas, que um estádio também podia ser uma passarela, e que um look nas arquibancadas poderia marcar época tanto quanto um gol decisivo