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Da ciência à arte: os destaques do primeiro dia da Semana de Alta-Costura FW27 em Paris

7 de julho de 2026

#Desfiles

By: Redação

A Semana de Alta-Costura de Paris começou ontem (6) reafirmando por que esse é o momento mais experimental da moda. No primeiro dia da temporada Outono/Inverno 2027, as maisons apresentaram coleções que ultrapassaram o conceito de vestuário para explorar tecnologia, escultura, física e artes plásticas. Entre vestidos iluminados, tecidos que interagem com o corpo humano e uma nova leitura da elegância cotidiana, o calendário mostrou que a alta-costura continua sendo o principal laboratório criativo da indústria.

Confira os principais destaques da abertura da temporada.

Schiaparelli transforma tecnologia em alta-costura

Responsável por abrir a semana, a Schiaparelli mais uma vez apostou no surrealismo como assinatura criativa. Sob o comando de Daniel Roseberry, a maison apresentou uma coleção marcada pelo uso de látex, silicone e estruturas escultóricas que desafiam a percepção tradicional da roupa.

Entre os momentos mais comentados estavam vestidos iluminados internamente, peças com aparência líquida e acessórios futuristas que reforçaram o diálogo entre moda e tecnologia. A coleção reafirma a capacidade da Schiaparelli de transformar a passarela em uma experiência artística, aproximando a alta-costura da inovação científica.

Iris van Herpen leva a física para a passarela

Se existe uma estilista capaz de unir moda e ciência, esse nome é Iris van Herpen. Nesta temporada, a designer holandesa apresentou uma das coleções mais inovadoras do dia ao desenvolver vestidos que reagem ao campo magnético do corpo humano.

Outra peça chamou atenção por ter sido resfriada com tecnologia utilizada em aceleradores de partículas antes de sua apresentação. Conhecida por trabalhar ao lado de cientistas, engenheiros e pesquisadores, Van Herpen voltou a provar que a alta-costura pode funcionar como um espaço de investigação tecnológica, onde a roupa ganha movimento, vida e interação com quem a veste.

Dior aposta em uma elegância escultórica

A Dior apresentou uma coleção inspirada na artista americana Lynda Benglis, reconhecida por suas esculturas fluidas e experimentais. A influência apareceu em plissados, sobreposições volumosas e construções arquitetônicas que equilibravam dramaticidade e delicadeza.

Apesar da sofisticação característica da alta-costura, muitas das propostas surgiram com uma abordagem mais prática, sugerindo que elementos do desfile podem dialogar com o guarda-roupa contemporâneo. O resultado foi uma coleção que aproximou arte e funcionalidade sem perder o refinamento da maison.

Rahul Mishra celebra a força feminina com alta-costura inspirada na espiritualidade indiana

Um dos desfiles mais aguardados do primeiro dia foi o de Rahul Mishra, que apresentou a coleção “Devi”, palavra que significa “deusa” no hinduísmo e faz referência à figura da Mãe Divina. Conhecido por transformar o bordado artesanal em uma verdadeira forma de arte, o estilista indiano levou à passarela uma interpretação contemporânea da espiritualidade de seu país, sem abrir mão da exuberância que se tornou sua assinatura.

As peças combinaram silhuetas fluidas com um trabalho minucioso de bordados tridimensionais, inspirados nos relevos esculpidos em templos indianos. Vestidos ganharam aplicações que remetiam a flores, elementos da natureza e ornamentos sagrados, enquanto joias integradas às roupas criavam uma aparência quase escultórica. O ouro e a prata apareceram em detalhes de inspiração gótica, acompanhados por pequenas estatuetas que desfilaram junto aos looks e reforçaram a narrativa mitológica da coleção.

Standing Ground estreia em Paris com minimalismo sofisticado

Fechando o primeiro dia de desfiles, o irlandês Michael Stewart, fundador da marca Standing Ground, fez sua estreia oficial no calendário da alta-costura parisiense. Conhecido por vestir nomes como Tilda Swinton e Sarah Paulson, o estilista levou para Paris uma coleção que encontrou beleza na simplicidade.

Os tecidos fluidos e as sobreposições deram movimento às peças, enquanto volumes estrategicamente posicionados criavam novas silhuetas para o corpo feminino. O resultado foi uma coleção que mostrou que a alta-costura não depende apenas de bordados exuberantes ou ornamentações complexas: o domínio da modelagem também pode ser uma demonstração de excelência artesanal.

A alta-costura olha para além da moda

O primeiro dia da temporada revelou uma característica comum entre diferentes maisons: a busca por inspiração fora do universo fashion. Em vez de recorrer apenas à história da moda, os estilistas dialogaram com áreas como física, escultura, engenharia e tecnologia para construir novas narrativas.

Essa aproximação acompanha uma tendência crescente da indústria, em que desfiles deixam de apresentar apenas roupas e passam a propor reflexões sobre inovação, sustentabilidade, arte e comportamento.

O futuro da alta-costura

A abertura da Semana de Alta-Costura FW27 reforça que o luxo contemporâneo está menos interessado em seguir fórmulas e mais disposto a experimentar. Em um momento em que a inteligência artificial, os novos materiais e a pesquisa científica transformam diferentes setores criativos, a moda responde incorporando essas linguagens às passarelas.

Mais do que apresentar vestidos exclusivos, Schiaparelli, Iris van Herpen e Dior mostraram que a alta-costura continua sendo o território onde a criatividade encontra menos limites, e onde o futuro da moda costuma surgir primeiro.

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alta-costura

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