A Dolce & Gabbana voltou às suas origens para apresentar um dos desfiles mais poéticos da temporada. Em Taormina, na Sicília, cidade onde a maison realizou sua primeira apresentação de Alta Moda em 2012, Domenico Dolce e Stefano Gabbana transformaram o jardim botânico Radicepura em um cenário inspirado na mitologia grega, criando uma narrativa que aproximou moda, natureza e história italiana. Mais do que uma coleção, a apresentação foi concebida como um espetáculo sensorial, no qual flores, paisagem e artesanato dividiram o protagonismo com a alta moda, batizada pela marca.
O desfile recebeu o nome de uma história sobre “deusas e mortais”. A narrativa começou antes mesmo da entrada dos primeiros looks, com uma narração que apresentava as deusas como representantes do sonho e os mortais como símbolos da vida cotidiana. A partir desse encontro simbólico, nasceu a coleção, reafirmando uma característica marcante da Dolce & Gabbana: transformar cada apresentação em uma homenagem à cultura italiana.
Flores que saem do jardim e ganham a passarela
As flores dominaram praticamente todos os momentos da coleção. Em vez de aparecerem apenas estampadas, elas foram reinterpretadas por meio de bordados tridimensionais, aplicações escultóricas e construções que pareciam florescendo diretamente sobre os vestidos.
Rosas, pétalas, pistilos e folhagens surgiram em diferentes escalas, desde delicadas aplicações sobre rendas até estruturas exuberantes que envolviam os corpos das modelos. Em um dos looks mais comentados da noite, dezenas de pistilos bordados com cristais escapavam de um corpete em forma de flor, criando uma das imagens mais marcantes da apresentação.
O próprio cenário reforçava essa proposta. Antes do início da caminhada, as modelos permaneciam espalhadas entre os canteiros do jardim, sentadas em tronos dourados ou praticamente camufladas entre a vegetação, fazendo parecer que faziam parte da paisagem.
Romantismo maximalista
A coleção reafirma um dos movimentos mais fortes vistos nas passarelas de 2027: o retorno do romantismo.
Na interpretação da Dolce & Gabbana, porém, esse romantismo ganha uma leitura maximalista. Vestidos de baile volumosos, rendas chantilly, véus, espartilhos, saias estruturadas e silhuetas inspiradas na alta-costura clássica dividiram espaço com vestidos de renda preta que remetiam às tradicionais viúvas sicilianas, uma das assinaturas históricas da maison.
Também apareceram vestidos pintados à mão, em referência direta à primeira coleção de Alta Moda apresentada pela marca em Taormina há mais de uma década, reforçando a conexão entre passado e presente.
O luxo do feito à mão
Como em todas as apresentações da linha Alta Moda, o trabalho artesanal foi o verdadeiro protagonista.
Bordados executados manualmente, folhas de ouro, aplicações de cristais, flores confeccionadas pétala por pétala, rendas e tecidos nobres demonstraram o nível de excelência dos ateliês da maison. Cada criação evidenciava horas de trabalho manual, reforçando a ideia de que a alta-costura permanece como o espaço máximo da tradição artesanal italiana.
Em uma indústria cada vez mais voltada para inovação tecnológica, Dolce e Gabbana reafirmaram que o verdadeiro luxo continua associado ao tempo, à técnica e ao savoir-faire.
Sicília como fonte inesgotável de inspiração
Poucas marcas possuem uma relação tão íntima com um território quanto a Dolce & Gabbana com a Sicília.
A escolha de retornar a Taormina tem valor simbólico. Foi ali que nasceu o projeto Alta Moda, em 2012, e é também na ilha que os estilistas encontram grande parte de suas referências criativas: da arquitetura barroca às tradições religiosas, da vegetação mediterrânea às lendas da mitologia clássica.
A coleção reafirma essa identidade ao transformar o patrimônio cultural siciliano em alta-costura, aproximando a moda da arte, da paisagem e da memória.
Quando a alta-costura se torna experiência
Mais do que um desfile, a apresentação integrou uma programação exclusiva para clientes e convidados da maison, reunindo moda, gastronomia, joalheria e cultura em diferentes cenários históricos da Sicília. Entre os presentes estavam nomes como Jennifer Lopez, Monica Bellucci e Christian Bale, reforçando o caráter quase cinematográfico do evento.
Ao transformar um jardim botânico em um cenário mitológico e vestir suas modelos como deusas contemporâneas, Dolce & Gabbana mostrou que a alta-costura continua sendo uma experiência capaz de unir narrativa, patrimônio cultural e excelência artesanal. Em uma temporada marcada pelo retorno do romantismo, a maison italiana reafirma que flores, fantasia e emoção seguem entre os maiores símbolos do luxo contemporâneo.