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Ricardo Almeida celebra 30 anos de passarela reafirmando o poder da alfaiataria brasileira

19 de agosto de 2026

#Desfiles

By: Redação

Há três décadas, Ricardo Almeida transformava a alfaiataria masculina em um dos grandes pilares de sua trajetória na moda brasileira. Para celebrar os 30 anos de sua estreia nas passarelas, o estilista reuniu convidados para um desfile que revisitou sua relação com a construção de roupas, a precisão dos cortes e a elegância que se tornou assinatura de sua marca. O momento também funciona como um retrato de uma carreira dedicada a atualizar a alfaiataria sem abrir mão de seus fundamentos.

A história de Ricardo Almeida nas passarelas começou em 1996, no Morumbi Fashion, evento que posteriormente daria origem ao São Paulo Fashion Week. Desde então, o designer construiu uma trajetória marcada principalmente pela moda masculina e pelo desenvolvimento de uma alfaiataria brasileira sofisticada, tornando-se um dos nomes mais reconhecidos do segmento no país.

Três décadas de alfaiataria

O desfile comemorativo representa mais do que uma celebração de carreira: é também uma oportunidade para observar como a alfaiataria brasileira mudou ao longo das últimas décadas. Se, no início, o terno estava fortemente associado a códigos formais e ocasiões específicas, a moda contemporânea passou a incorporar diferentes possibilidades de proporção, styling e uso.

Ricardo Almeida acompanhou esse movimento mantendo a alfaiataria como centro de sua linguagem, mas permitindo que ela dialogue com outras referências. Em uma apresentação realizada pela marca em 2025, por exemplo, o styling explorou gravatas, pochetes e faixas de smoking utilizadas de maneira sobreposta, criando camadas e volumes. A coleção também reuniu diferentes linhas da casa e trabalhou tecidos como lã, algodão e linho em camisetas, paletós, calças e overcoats.

Essa capacidade de atualizar um dos códigos mais tradicionais da moda masculina ajuda a explicar a longevidade do trabalho do estilista. Em vez de tratar o terno como uma peça estática, Almeida o transforma de acordo com o comportamento e com as necessidades de cada geração.

A passarela como laboratório

Ao longo dos anos, os desfiles também se tornaram um espaço para experimentação. A própria trajetória da marca reúne apresentações que ficaram marcadas por recursos cênicos e propostas visuais distintas, incluindo modelos encapuzados, uso de gelo seco e a participação de nomes importantes da moda brasileira, como Gisele Bündchen. Um dos momentos lembrados pela marca foi ainda um desfile realizado no MASP, cuja passarela vermelha reproduzia o símbolo da grife.

Essa relação com a passarela mostra que, para além da roupa comercial, o desfile pode funcionar como uma ferramenta de construção de imagem. É nesse espaço que o estilista consegue apresentar sua visão de moda de maneira mais completa, criando uma narrativa em torno da coleção.

Tradição que encontra novas gerações

A celebração dos 30 anos também acontece em um momento em que a marca passa a olhar para a continuidade de seu legado. Em 2024, Ricardo Almeida apresentou a RA2, desenvolvida em parceria com seus filhos, Ricardinho e Arthur, além de Gabriel Pascolato. A proposta funciona como um laboratório de experimentação dentro do universo da marca e aproxima a tradição construída pelo estilista de uma nova geração criativa.

A ideia de continuidade aparece ainda na própria identidade desenvolvida pela marca. Em 2025, Ricardo Almeida apresentou o conceito “Pilares”, que reúne oito fundamentos associados à casa: qualidade, valorização das pessoas, identidade atemporal, legado, vanguardismo, exclusividade, essência acima do status e a ideia da roupa como forma de arte.

É uma maneira de transformar décadas de experiência em uma espécie de manifesto para o futuro. Afinal, em um mercado cada vez mais acelerado, preservar uma identidade pode ser tão importante quanto acompanhar as tendências.

O futuro da alfaiataria brasileira

A trajetória de Ricardo Almeida acompanha uma transformação maior da moda nacional. Ao longo das últimas décadas, a alfaiataria brasileira deixou de ser vista apenas como uma reprodução de modelos internacionais e passou a construir suas próprias referências, considerando clima, comportamento e características do consumidor brasileiro.

O trabalho do estilista se insere justamente nesse processo. Sua estética parte de códigos clássicos, mas encontra espaço para novas proporções, materiais e formas de uso. O resultado é uma alfaiataria que pode transitar entre o rigor tradicional e uma visão mais contemporânea do vestir.

Celebrar 30 anos de passarela, portanto, significa olhar para trás sem transformar o passado em ponto final. A história de Ricardo Almeida mostra que a alfaiataria pode permanecer relevante justamente quando consegue se reinventar e que elegância não precisa significar imobilidade.

Depois de três décadas sob os holofotes, a passarela continua funcionando para o estilista como o lugar onde tradição e inovação se encontram. E, ao transformar a comemoração em desfile, Ricardo Almeida reafirma que seu maior legado talvez esteja menos em uma peça específica do que na construção de uma linguagem própria para a alfaiataria brasileira.

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