Setembro é um dos meses mais importantes do calendário fashion. Com as temporadas de primavera-verão 2027 de Nova York, Londres, Milão e Paris, as principais capitais da moda recebem designers de diferentes partes do mundo e o Brasil também começa a ocupar esse circuito com cada vez mais força.
Entre as presenças brasileiras já confirmadas, PatBO se destaca em Nova York, enquanto P_Andrade mantém sua relação com Paris. A participação dessas marcas representa um movimento importante para a moda nacional: levar para fora do país não apenas produtos, mas diferentes interpretações sobre o que significa criar moda a partir de uma perspectiva brasileira.
PatBO em Nova York
Na New York Fashion Week, que acontece de 10 a 15 de setembro, a brasileira PatBO, de Patricia Bonaldi, aparece no calendário da temporada. A marca tem apresentação prevista para 16 de setembro, integrando a programação internacional que acompanha a semana nova-iorquina.
A presença da PatBO reforça uma trajetória internacional construída a partir do trabalho artesanal, especialmente dos bordados e aplicações que se tornaram assinatura da marca. O projeto também mostra como técnicas tradicionalmente associadas ao fazer manual brasileiro podem ocupar um espaço sofisticado no mercado global.
Vale destacar que a PatBO já possui uma relação consolidada com a NYFW: a marca apresentou sua coleção de primavera-verão 2026 em Nova York em setembro de 2025.
P_Andrade leva o Brasil a Paris
Em Paris, a presença brasileira ganha um significado ainda mais simbólico com a P_Andrade. A marca, comandada por Pedro Andrade e Paula Kim, fez história ao se tornar a primeira grife brasileira a integrar oficialmente o calendário da Paris Fashion Week.
A chegada da P_Andrade ao calendário parisiense representa uma mudança importante na percepção internacional sobre a produção brasileira. Em vez de recorrer apenas aos códigos mais conhecidos do país, a marca trabalha com referências culturais brasileiras a partir de uma linguagem contemporânea.
Na temporada anterior, a grife apresentou a coleção “Sagrado”, explorando tradições e subculturas festivas brasileiras em uma apresentação de 28 looks.
Um Brasil mais diverso nas passarelas
A presença de marcas brasileiras nas grandes semanas de moda acontece em um momento de renovação da própria imagem da moda nacional. O Brasil já não chega ao exterior apenas pelas estampas tropicais, pelo beachwear ou pelas cores vibrantes.
A nova geração de designers trabalha com alfaiataria, construção de silhueta, artesanato, sustentabilidade, identidade cultural e experimentação, criando uma visão mais ampla sobre o país.
Esse movimento também aparece no reconhecimento internacional de nomes como Misci, de Airon Martin. A marca foi escolhida pela Vogue para representar o Brasil em sua seleção global de designers emergentes de 2026. A publicação destaca justamente a maneira como a Misci reinventa a alfaiataria a partir de uma perspectiva brasileira, utilizando materiais como jacquard e couro de pirarucu.
Londres e Milão também entram no radar
A London Fashion Week acontece de 17 a 21 de setembro, enquanto a temporada internacional segue posteriormente para Milão e Paris. O calendário londrino deste ano reforça a presença de designers independentes e diferentes modelos de apresentação, incluindo desfiles, instalações e experiências imersivas.
Até o momento, porém, não há confirmação oficial de uma marca brasileira no calendário principal de Londres ou de Milão que permita afirmar sua participação com a mesma segurança de PatBO e P_Andrade. Por isso, é importante diferenciar marcas brasileiras presentes em eventos paralelos, showrooms ou apresentações independentes daquelas oficialmente inscritas no calendário das semanas.
O Brasil começa a ocupar seu lugar
A presença brasileira nas temporadas internacionais de setembro ainda é pequena quando comparada ao número de grifes europeias e norte-americanas, mas seu significado vai muito além da quantidade.
PatBO mostra a força do artesanato e do trabalho manual brasileiro no mercado internacional. P_Andrade leva referências culturais nacionais para o coração da moda francesa. Misci representa uma geração que começa a ser reconhecida globalmente por construir uma linguagem própria.
É um movimento que revela uma transformação importante: a moda brasileira não precisa mais escolher entre preservar sua identidade e participar do circuito internacional.
Ela pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo e setembro de 2026 será mais uma oportunidade para acompanhar essa nova fase.