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Moda indígena amazônica chega à New York Fashion Week com desfile criado por inteligência artificial

10 de setembro de 2026

#Beauty

By: Redação

Durante a New York Fashion Week, designers indígenas da Amazônia participam de uma competição de moda criada com IA em um encontro de tecnologia, ancestralidade e novos caminhos para a representação na indústria

O que acontece quando uma das tecnologias mais disruptivas da indústria criativa encontra conhecimentos que atravessam gerações? Essa é a provocação que chega à New York Fashion Week nesta sexta-feira, 11 de setembro, primeiro dia da semana de moda nova-iorquina. O Best of Fashion Awards apresenta uma competição que reúne designers indígenas da Amazônia, profissionais da indústria internacional e inteligência artificial em uma experiência que coloca a ancestralidade brasileira no centro de uma discussão cada vez mais urgente na moda.

A iniciativa é uma parceria entre o Best of Fashion Awards, a FashionABC, a FashionForward e a MI.Moda Indigena, cooperativa formada por designers indígenas brasileiros da Amazônia e uiliza a inteligência artificial para a construção do desfile, do casting e da direção criativa.

O ponto alto do projeto está na forma como a IA transforma processos de criação, imagem, publicidade e apresentação de coleções por meio de uma questão ainda pouco explorada pela indústria: como utilizar uma tecnologia criada no presente sem apagar histórias, símbolos e conhecimentos construídos muito antes dela existir?

Ancestralidade no centro da inovação

A aproximação entre a MI.Moda Indigena e o circuito internacional de moda tem sido construída antes mesmo do desfile em Nova York. O produtor internacional de eventos Rafael dos Santos já esteve em comunidades indígenas no Amazonas e no Acre para conhecer de perto diferentes etnias e suas tradições. Já a diretora de moda Gislaine Balzano atuou em duas ocasiões como diretora executiva de moda durante a London Fashion Week com a marca MI.Moda Indigena.

Agora, a experiência chega a Nova York em um formato que coloca essas referências em contato direto com ferramentas de inteligência artificial. “Quais tradições a tecnologia deve levar adiante?” é uma das perguntas que atravessam o projeto.

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Para Rafael dos Santos, a intenção é criar um espaço de encontro entre designers indígenas amazônicos e profissionais ligados a grandes nomes da indústria da moda mundial. “Uma Fashion Week é um espetáculo, mas raramente mostra ancestralidade com inteligência artificial”, afirma.

Gislaine Balzano reflete sobre a combinação, que também representa uma possibilidade de aproximação entre universos que, à primeira vista, parecem opostos. “Técnicas ancestrais e tecnologia generativa podem caminhar juntas”, diz a diretora de moda.

Da Amazônia para o circuito internacional

Cruzar as passarelas digitais para a MI.Moda Indigena representa a tentativa de ampliar o espaço ocupado por designers indígenas dentro da indústria da moda. A cooperativa trabalha com diferentes comunidades amazônicas e tem as mulheres indígenas como protagonistas na criação, no artesanato e na liderança cultural. Além da produção de moda, promove cursos gratuitos de design, modelagem, costura, alfaiataria e empreendedorismo dentro das próprias comunidades.

O trabalho parte de uma lógica que transforma saberes tradicionais em possibilidades profissionais, sem separar cultura e criação. Materiais biodegradáveis e reciclados também fazem parte da proposta, ao lado de técnicas artesanais e referências têxteis amazônicas.

A participação em uma programação internacional como a New York Fashion Week amplia essa conversa para além do território brasileiro e coloca em evidência designers que historicamente tiveram pouco acesso às principais plataformas globais da moda.

O futuro da moda também passa por quem veio antes

A presença da inteligência artificial nesse processo adiciona outra camada à discussão. Se a tecnologia generativa já começa a interferir na maneira como marcas criam imagens, campanhas, modelos e experiências, a questão não é apenas até onde a IA pode chegar. É também o que escolhemos preservar enquanto avançamos.

Para Dinis Guarda, CEO da FashionABC, responsável pela tecnologia utilizada no projeto, a iniciativa representa uma experiência inédita para a empresa: desenvolver um desfile brasileiro com designers indígenas amazônicos.

O resultado será apresentado e transmitido ao vivo de Nova York em 11 de setembro, e reúne moda, tecnologia e representação em uma mesma passarela.

Entre os profissionais convidados para avaliar os trabalhos está a Z Magazine, que participa do júri por meio de sua editora, Cristiane Gracioli. A presença da publicação brasileira reforça a conexão entre a cena internacional e o mercado de moda nacional em uma competição que coloca designers indígenas amazônicos diante de nomes ligados à indústria global.

A provocação contemporânea do projeto está na inteligência artificial em si, mas no encontro entre tempos diferentes: o futuro da moda sendo construído a partir de conhecimentos que já existiam muito antes de qualquer algoritmo.

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TAGS:

beleza

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