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Milão SS27: Prada abre a temporada com uma nova obsessão fashion

23 de setembro de 2026

#Desfiles

By: Redação

A Semana de Moda de Milão SS27 começou nesta terça-feira, 22 de setembro, colocando a moda italiana diante de um cenário de transformações. Entre grandes maisons, novos capítulos criativos e despedidas importantes, o primeiro dia da temporada trouxe nomes como Prada, Dhruv Kapoor e Diesel para a passarela. Enquanto a cidade se prepara para os aguardados desfiles de Fendi, Gucci e da nova Moschino ao longo da semana, foi a Prada quem deu o tom inicial da temporada com uma coleção inteiramente dedicada a uma única peça: a saia.

Prada transforma a saia em objeto de desejo

Miuccia Prada e Raf Simons abriram oficialmente a programação de desfiles com uma proposta tão simples quanto provocadora: nenhum vestido ou calça entrou na passarela. Os 63 looks da coleção foram construídos a partir da saia, apresentada em diferentes comprimentos, volumes, materiais e acabamentos. A própria Prada define a peça como um elemento de liberdade e um espaço para a projeção de ideias, transformando uma escolha aparentemente específica em um exercício de possibilidades.

A coleção explorou desde modelos retos e de comprimento médio até versões plissadas, de couro, transparentes, bordadas e com construções sobrepostas. Em alguns looks, uma segunda camada translúcida revelava a saia usada por baixo, criando um efeito quase escultórico. Na parte de cima, a variedade continuou: malhas, camisas, peças que remetiam à lingerie e tops mais enxutos equilibraram as diferentes proporções da parte inferior.

A escolha também resgata uma ideia recorrente no pensamento de Miuccia Prada: a saia como uma espécie de tela em branco. Em vez de funcionar apenas como complemento, a peça ganha protagonismo e concentra diferentes interpretações de feminilidade, praticidade, sensualidade e identidade. O resultado é uma coleção que transforma um item tradicional do guarda-roupa em um verdadeiro objeto de desejo para a próxima temporada.

A despedida de Glenn Martens na Diesel

Se a Prada abriu a temporada olhando para uma única peça, a Diesel encerrou seu primeiro dia com uma despedida em grande escala. O desfile marcou a última coleção de Glenn Martens à frente da marca, depois de seis anos no comando criativo. Para a ocasião, o designer transformou a apresentação em uma grande performance, mantendo a estética provocadora que se tornou uma das marcas de sua passagem pela Diesel.

O denim, naturalmente, permaneceu como protagonista. Jeans, peças de cintura extremamente baixa, minissaias, jaquetas e construções que brincavam com a aparência de outros materiais apareceram ao lado de elementos de alfaiataria e lingerie. O recurso do trompe-l’oeil também ganhou espaço, criando ilusões de casacos, jaquetas e sobreposições.

Fora da passarela, cerca de 200 performers do coletivo francês (LA)HORDE participaram da apresentação, misturando-se aos convidados em uma performance marcada por sensualidade, movimento e comportamento. Mais do que apresentar roupas, Martens encerrou seu ciclo na Diesel retomando a ideia de festa e liberdade que ajudou a redefinir a imagem da marca nos últimos anos.

Dhruv Kapoor aposta na força da presença

Entre os nomes que completaram o primeiro dia, o designer indiano Dhruv Kapoor apresentou a coleção “Presence”, construída a partir de ideias como transformação, continuidade, memória e passagem do tempo. A proposta colocou em diálogo suavidade e estrutura, ornamentação e utilidade, além de elementos antigos e contemporâneos.

O desfile reforçou também a diversidade como parte da linguagem do estilista, com estampas autorais, trabalhos metálicos e um casting diverso integrados à construção das peças. Em vez de buscar uma única tendência dominante, Kapoor trabalha com contrastes e com a ideia de que diferentes referências podem coexistir dentro de uma mesma identidade.

Uma semana de mudanças em Milão

O primeiro dia funciona como uma espécie de prévia para uma edição especialmente marcada por transições. Gucci terá o segundo desfile de Demna à frente da maison, enquanto Fendi apresenta a segunda coleção de Maria Grazia Chiuri. Na Moschino, Loris Messina e Simone Rizzo, fundadores da Sunnei, assumem a direção criativa e inauguram uma nova fase da marca.

Enquanto isso, a ausência de algumas grandes casas e as mudanças no comando criativo de importantes marcas evidenciam um momento de reconfiguração no mercado italiano. Ainda assim, Milão mantém sua força como um dos principais palcos para observar os rumos da moda internacional seja por meio da tradição de suas grandes maisons, seja pelas novas vozes que começam a ocupar espaço no calendário.

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