Anúncio

SPFW N61: Academy, exposições e novidades marcam os 30 anos da semana de moda

13 de outubro de 2026

#Desfiles

By: Redação

A São Paulo Fashion Week (SPFW) chega à sua 61ª edição entre os dias 13 e 18 de outubro com uma proposta que vai além das passarelas. Ao encerrar as celebrações de seus 30 anos, o evento amplia o espaço dedicado à reflexão, à formação de novos profissionais e à memória da moda brasileira. Entre as novidades está a segunda edição do SPFW Academy, encontro que reúne especialistas para discutir a relação entre moda, cultura e sociedade, além de exposições que recuperam imagens, criações e momentos marcantes da trajetória da semana de moda.

Com o tema “Imaginários”, a SPFW N61 propõe uma reflexão sobre os símbolos que formam a identidade cultural e sobre a capacidade da moda de criar novas narrativas para o futuro. A edição também acontece em um momento de transformação do calendário nacional, após o retorno do Rio Fashion Week, em abril, que passou a dividir com São Paulo a atenção do setor em diferentes períodos do ano.

Foto: Alexandre Herchcovitch N60. Marcelo Shoubia/@agfotosite.

SPFW Academy: a moda além da passarela

Entre os dias 16 e 18 de outubro, o SPFW Academy ocupa o Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, com três dias de conversas e experiências voltadas a estudantes, profissionais e interessados no universo fashion. A segunda edição tem como tema “Estética e imaginários: a moda como construtora do simbólico”, com curadoria de Nathalia Anjos, autora do livro O Cérebro e a Moda, e mediação de Dudu Bertholini.

A programação foi organizada em seis encontros, com dois painéis por dia. Na sexta-feira, 16, João Braga, Caroline Lardoza e Antonio Castro, da FOZ, abrem a agenda com uma conversa sobre os símbolos que construíram a moda. Na sequência, Claudia Kopke, Lilian Farrish, Marcel Izidoro e Guto Requena discutem a relação entre imagem, arte e sociedade.

No sábado, 17, Thayná Soares, Paula Kim e Caio Araújo abordam os vínculos entre marcas, moda e cultura. O segundo encontro reúne Hanna Inaiáh, Ieda Pavani e Hanna Carolina Kramolisck para discutir estamparia e referências culturais na criação.

Foto: Reprodução Instagram @centroculturalvalemaranhao.

Já no domingo, 18, a crítica de moda ganha espaço com Erika Palomino, Luigi Torre e Dani Gábriel. A programação termina com Sabina Deweik e Monayna Pinheiro em uma conversa sobre futuros possíveis para o setor.

Além dos debates, o Academy oferece café da manhã com os convidados, oportunidades de networking e visitas guiadas aos bastidores da SPFW, incluindo a possibilidade de acompanhar um ensaio de desfile. Os ingressos são vendidos pela Eventim, com modalidades para um dia ou para os três dias. A opção Academy+ inclui também acesso ao hub principal e ao primeiro desfile do dia realizado no Pavilhão das Culturas Brasileiras.

Exposições revisitam três décadas de moda brasileira

A programação cultural também se estende para além do espaço dos desfiles. Duas exposições inauguradas na semana da SPFW propõem diferentes leituras da memória do evento, reunindo roupas, fotografias e histórias de profissionais que ajudaram a construir a moda brasileira.

No Instituto ViaFoto, a mostra “Moda Entre Olhares”, de Davi Ramos, apresenta looks de 22 marcas que participaram da SPFW entre 2002 e 2024. As peças de arquivo ganham novas interpretações com chapéus criados pelo stylist e chapeleiro, além de fotografias de Gustavo Ipolito. A curadoria de Paulo Borges, fundador da semana de moda, busca destacar a diversidade da criação nacional, com nomes que vão de Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer a Meninos Rei, Ateliê Mão de Mãe, Normando e Lino Villaventura.

A segunda mostra, “Reflexos”, da fotógrafa Fernanda Calfat, está em cartaz no espaço Mula Preta, nos Jardins. A exposição reúne 63 fotografias selecionadas de seus 25 anos de carreira, com destaque para os bastidores e os momentos marcantes das passarelas. As imagens são acompanhadas por textos de estilistas e modelos que participaram das cenas retratadas, acrescentando relatos pessoais à memória visual da moda.

As duas iniciativas seguem uma direção semelhante: em vez de tratar a moda apenas como novidade e lançamento, apresentam o vestuário e a fotografia como registros de uma época. Ao recuperar peças e imagens de diferentes gerações, as exposições mostram como a SPFW também construiu um arquivo cultural do país.

Uma edição de transição

A N61 também marca uma reorganização do calendário e da estrutura do evento. A programação reúne 24 desfiles, distribuídos entre o Pavilhão das Culturas Brasileiras e outros endereços de São Paulo, em uma grade mais enxuta do que a edição anterior. A mudança acompanha uma revisão dos critérios de participação, com maior atenção à estrutura de negócio das marcas, à capacidade de produção e à consistência de suas propostas criativas.

Entre os nomes que estreiam no calendário estão Ammi, marca especializada em crochê, e Hisha, criadora mineira que participou do Rio Fashion Week em abril. A edição também recebe projetos especiais, como o desfile de Cria Costura e a apresentação do Mercado Livre, reforçando a presença de diferentes formatos dentro da programação.

Outro movimento importante é a consolidação de um calendário anual dividido entre duas capitais: o Rio Fashion Week no primeiro semestre e a SPFW no segundo. A proposta busca ampliar as oportunidades para a moda brasileira, respeitando as características e os repertórios criativos de cada cidade.

O futuro como exercício de imaginação

Ao reunir desfiles, debates e exposições, a SPFW N61 amplia a discussão sobre o papel da moda na sociedade. O evento deixa de ser apenas uma vitrine para as próximas temporadas e passa a olhar também para os processos que sustentam a criação: a formação de profissionais, a construção de repertório, a preservação da memória e a viabilidade dos negócios.

A frase do pensador indígena Ailton Krenak: “o futuro não existe, nós apenas o imaginamos”, orienta a reflexão desta edição e sintetiza a proposta de pensar a moda como uma ferramenta para criar outros significados e possibilidades.

Em seu aniversário de 30 anos, a SPFW procura equilibrar tradição e transformação. Se as passarelas continuam sendo o centro das atenções, o Academy e as exposições mostram que a força da moda brasileira também está no conhecimento compartilhado, nas histórias que permanecem e na capacidade de imaginar o que ainda está por vir.

Anúncio

SIGA-NOS EM NOSSAS MÍDIAS SOCIAIS

TAGS:

academy

Compartilhar:

Bem vindo a revista Z Magazine!