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SPFW N61: Alexandre Herchcovitch revisita o romantismo gótico, enquanto Forca Studio aposta na atitude punk

14 de outubro de 2026

#Desfiles

By: Redação

A São Paulo Fashion Week N61 começou no dia 13 de outubro com duas apresentações que traduzem a diversidade criativa da moda brasileira. Enquanto Alexandre Herchcovitch revisitou referências históricas e elementos de seu próprio repertório para explorar novas possibilidades de construção das roupas, a Forca Studio levou à passarela uma coleção de inspiração punk, acompanhada de música ao vivo e manobras automobilísticas. Entre a delicadeza dos tecidos e a força do couro, o primeiro dia da semana de moda mostrou como diferentes linguagens podem coexistir e provocar novas leituras sobre o vestir, enquanto mostra a diversidade da moda brasileira.

Herchcovitch; Alexandre: entre o gótico e o romântico

Na coleção de verão/outono 2027, Alexandre Herchcovitch retomou referências que acompanham sua trajetória, mas propôs uma abordagem mais leve para as construções que definem seu trabalho. Como abertura da SPFW N61, a coleção combinou sensualidade, romantismo e uma atmosfera gótica, com referências à era vitoriana e às experimentações que o estilista já desenvolveu ao longo da carreira.

O desfile começou com um maiô preto de couro e borracha, de mangas longas e recortes cavados, que recupera a estética fetichista e provocativa presente em diferentes momentos da história da marca. Na sequência, vestidos pretos ajustados ao corpo, blazers com ombros reduzidos e peças que incorporam elementos de lingerie reforçaram a relação entre sensualidade e alfaiataria. O repertório também incluiu vestidos de renda bordada, golas altas e volumes sutis na região dos quadris, em referências às silhuetas do século XIX.

A principal investigação da coleção, porém, está na maneira como as roupas são construídas. Interessado em revelar aquilo que normalmente permanece escondido, Herchcovitch trabalhou com materiais tradicionalmente utilizados como forro, a exemplo do tule e do voal de algodão. Em vez de depender de estruturas internas rígidas, como barbatanas, crinolinas e espartilhos, alguns volumes são sustentados pelo próprio corte, pelas costuras e pelas pences. O resultado foram peças mais leves, com movimento e uma relação menos rígida com o corpo.

Ao revisitar o próprio arquivo criativo e referências históricas, o estilista reforça uma característica de sua fase atual: coleções que não precisam se limitar a um tema único ou às divisões tradicionais entre verão e inverno. A proposta reúne diferentes interesses e códigos de estilo, com a intenção de transformar formas já conhecidas por meio de novas soluções de modelagem e materiais.

Forca Studio: couro, velocidade e espírito rebelde

Se Alexandre Herchcovitch explorou a delicadeza das construções, a Forca Studio apostou na intensidade como ponto de partida. A marca de Silvio De Marchi e Vivian Rivaben apresentou sua coleção na Praça Charles Miller, em São Paulo, com uma experiência que foi além da passarela convencional. A programação começou com um show de aproximadamente meia hora do cantor Victor Cronos e seguiu com manobras de drift realizadas por quatro carros em uma pista molhada pela garoa, criando uma atmosfera de velocidade, fumaça e adrenalina.

A apresentação antecipou o espírito da coleção, que tem a estética punk como referência central. Após a exibição de um vídeo protagonizado pela atriz Alice Carvalho, os primeiros looks surgiram com jaquetas cropped de couro, ombros marcados, luvas de motociclista e calças largas de cintura baixa. A atitude dos modelos, somada à trilha e à cenografia, reforçou a imagem de uma moda urbana que valoriza a irreverência e a liberdade de expressão.

O couro, material característico da Forca Studio desde sua fundação, ganhou destaque em jaquetas, calças de diferentes modelagens, bermudas, saias mídi e casacos de ombros exagerados. A matéria-prima recebeu tratamentos que criam texturas inspiradas no couro de crocodilo e acabamentos craquelados, ampliando as possibilidades visuais de um dos principais códigos da marca. O tecido sintético reflexivo também apareceu em conjuntos coloridos, adicionando brilho e contraste à coleção.

Apesar da força da estética punk, a apresentação também mostrou o interesse da etiqueta em ampliar seu repertório. Sobretudos amplos, jeans estonados, camisetas e tricôs dividiram espaço com as peças mais impactantes, aproximando a coleção do guarda-roupa cotidiano.

Dois olhares para a moda brasileira

Os desfiles de Herchcovitch; Alexandre e Forca Studio abriram a SPFW N61 com propostas distintas, mas igualmente interessadas em explorar a identidade por meio da roupa. De um lado, a investigação de volumes, tecidos leves e referências históricas; de outro, a força do couro, a estética punk e uma apresentação que transformou o desfile em espetáculo.

A abertura também evidencia como a moda brasileira transita entre a pesquisa de construção e a experiência visual, entre a memória e a cultura urbana. Em comum, as duas marcas demonstram que a passarela continua sendo um espaço para experimentar materiais, questionar convenções e transformar referências em narrativas autorais.

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