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Moda escultural: quando a roupa se transforma em obra de arte

30 de outubro de 2026

#Cultura de Moda

By: Redação

Na moda, nem toda roupa precisa apenas vestir o corpo. Algumas são pensadas para provocar, surpreender e transformar a silhueta em uma verdadeira experiência visual. É essa proposta que ganha destaque com a nova fase de divulgação de Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita. Ao interpretar a jovem Effie Trinket, Elle Fanning começou a incorporar a extravagância da personagem também fora das telas, com produções que exploram o lado mais artístico e inventivo da alta-costura.

Na première britânica do longa, realizada em Londres no dia 28 de outubro, a atriz surgiu com um vestido rosa de Robert Wun, da coleção de alta-costura outono-inverno 2026. A criação combinava corpete estruturado, volumes esculturais na região do busto e uma saia ampla de tule com inspiração no balé. O detalhe que transformou a produção em um dos momentos mais comentados da noite foi o acessório de cabeça: um pequeno chapéu com uma bailarina em miniatura, remetendo à estética de uma caixa de música.

Pouco antes, Fanning também havia escolhido um conjunto de Andreas Kronthaler para Vivienne Westwood, da coleção primavera-verão 2026. Com estampa floral, aplicações, laços e detalhes ornamentais, a composição apresentava uma leitura excêntrica da alfaiataria feminina, aproximando o romantismo de uma estética teatral. As duas escolhas foram construídas pela stylist Samantha McMillen e mostram como a divulgação de um filme pode se transformar em uma narrativa de moda.

O que define a moda escultural?

Foto: Reprodução Instagram @ellefanning.

Mais do que uma tendência específica, a moda escultural é uma abordagem criativa que transforma a construção da roupa em elemento central. Em vez de acompanhar naturalmente as linhas do corpo, as peças criam novas proporções por meio de volumes, estruturas rígidas, recortes, drapeados e formas tridimensionais.

O resultado pode aparecer em ombros exagerados, mangas arquitetônicas, corpetes moldados, saias volumosas, babados que parecem desafiar a gravidade e acessórios que assumem proporções inesperadas. Materiais como tule, organza, tafetá, tecidos estruturados e superfícies trabalhadas ajudam a construir esse efeito, criando uma relação entre moda, escultura e arquitetura.

Nesse universo, a roupa deixa de ser apenas uma composição de tecido e passa a funcionar como uma espécie de objeto artístico em movimento. O corpo é a base para a criação, mas não necessariamente o limite da silhueta. A intenção é experimentar novas formas de ocupar o espaço e explorar o potencial expressivo do vestuário.

Os estilistas que transformam o corpo em arquitetura

Elle Fanning de Robert Wun. Foto: Reprodução Instagram @ellefanning.

Entre os nomes que exploram essa linguagem está Robert Wun, conhecido por suas criações dramáticas e construções elaboradas. O estilista de Hong Kong trabalha com volumes, formas orgânicas e elementos que parecem ultrapassar a anatomia humana. Suas coleções de alta-costura frequentemente aproximam moda e artes visuais, com peças que exigem um olhar atento tanto para a técnica quanto para o conceito.

Elle Fanning de Vivienne Westwood. Foto: Reprodução Instagram @ellefanning.

Vivienne Westwood também ocupa um lugar importante nessa conversa. Ao longo de sua trajetória, a estilista britânica transformou referências históricas em criações provocativas, explorando corseteria, volumes, assimetrias e proporções pouco convencionais. Sua estética combina tradição e rebeldia, com uma abordagem que questiona os padrões estabelecidos de beleza e elegância.

O espetáculo como parte da experiência de moda

A escolha de Elle Fanning também evidencia a força do chamado method dressing, estratégia em que os artistas incorporam elementos de seus personagens às produções usadas durante a divulgação de filmes e séries. No caso de Jogos Vorazes, essa relação é especialmente interessante porque Effie Trinket é uma das figuras mais associadas à extravagância visual da franquia.

Nos filmes anteriores, a personagem ficou conhecida por roupas exuberantes, maquiagens marcantes e acessórios excêntricos, que ajudavam a representar o universo artificial e excessivo da Capital. Ao interpretar uma versão mais jovem de Effie, Fanning encontra na moda uma maneira de apresentar sua leitura da personagem antes mesmo da estreia do longa.

Foto: Lionsgate Entertainment.

A estética também se conecta ao próprio universo de Jogos Vorazes, no qual as roupas funcionam como instrumentos de construção social e política. Enquanto os habitantes da Capital exibem produções extravagantes e quase fantasiosas, os distritos apresentam uma realidade visual mais austera. O contraste ajuda a contar a história e demonstra como o figurino pode ser fundamental para a construção de um universo cinematográfico.

A moda que não tem medo de exagerar

Em um momento no qual diferentes movimentos estéticos disputam espaço entre o minimalismo, o luxo discreto e a valorização do essencial, a moda escultural aponta para outra direção: a vontade de experimentar, exagerar e transformar a roupa em protagonista. Não se trata necessariamente de peças pensadas para o cotidiano, mas de propostas que ampliam as possibilidades da criação e questionam o que pode ser considerado uma roupa.

Com referências ao balé, à arquitetura, à arte e ao surrealismo, os looks de Elle Fanning ajudam a colocar essa estética novamente em evidência. Quando a moda abandona a obrigação de ser apenas funcional, abre espaço para o inesperado e transforma o corpo em uma verdadeira tela de expressão.

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cinema

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