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Prada aposta na reciclagem de cashmere e lã para ampliar a moda circular

3 de novembro de 2026

#Cultura de Moda

By: Redação

A Prada amplia sua estratégia de moda circular e coloca duas matérias-primas nobres no centro de uma nova iniciativa: o cashmere e a lã. Com os projetos Re-Cashmere e Re-Wool, a grife italiana transforma resíduos gerados durante seus processos de fabricação em novos fios e peças de vestuário. A proposta é dar uma segunda vida a materiais de alta qualidade que, em outro contexto, poderiam ser descartados, além de estender às fibras naturais uma estratégia já explorada pela marca com o Re-Nylon.

Integrantes da coleção outono/inverno 2026, as duas linhas trabalham com sobras pré-consumo, ou seja, materiais recuperados antes mesmo de chegarem ao consumidor. Entre eles estão resíduos de fiação, retalhos, tecidos com defeitos e excedentes das etapas de corte e produção das unidades do Grupo Prada. O processo começa com a seleção e separação das fibras por cor, que depois são transformadas em novos fios e reinseridas na cadeia produtiva.

A iniciativa se divide em duas frentes. A Re-Cashmere utiliza 100% de cashmere reciclado, proveniente de resíduos da fiação e de aparas recolhidas, inclusive, na unidade da Prada em Torgiano, na Itália. Depois de separados por tonalidade, os fragmentos passam por processos de recuperação e fiação, sem a necessidade de um novo tingimento. O resultado são peças de malharia, como suéteres e cardigãs, para os públicos feminino e masculino.

Já a Re-Wool combina diferentes fibras recuperadas e certificadas. Sua composição reúne 50% de lã virgem com certificação Responsible Wool Standard (RWS), 40% de lã reciclada e 10% de cashmere reciclado. A linha utiliza materiais excedentes das diferentes frentes de produção do grupo e dá origem a peças como calças, jaquetas, saias e vestidos.

Toda a fabricação acontece na Itália, em oficinas especializadas nas regiões da Toscana e da Úmbria. Como a disponibilidade de matéria-prima depende dos resíduos gerados ao longo da produção, as coleções chegam ao mercado em quantidades limitadas. A proposta também abre espaço para uma relação diferente com a oferta: em vez de produzir a partir de uma demanda fixa por determinado tecido, a marca considera os materiais disponíveis como ponto de partida para novas criações.

Outro destaque está na rastreabilidade. Cada peça recebe uma etiqueta com tecnologia NFC, que permite acessar informações digitais sobre a origem das fibras, os fornecedores e as etapas de processamento por meio da plataforma Aura Blockchain Consortium. Dessa maneira, a Prada busca aproximar o consumidor da trajetória dos materiais e ampliar a transparência sobre a cadeia produtiva.

A novidade dá continuidade ao Re-Nylon, projeto lançado em 2019 que utiliza nylon regenerado a partir de resíduos plásticos, redes de pesca e outros materiais descartados. Com Re-Cashmere e Re-Wool, a grife amplia essa lógica para fibras naturais historicamente valorizadas pela indústria de luxo, mostrando que a discussão sobre sustentabilidade também passa pelo aproveitamento de recursos já existentes.

Ao transformar sobras industriais em novos produtos, a Prada explora um caminho em que qualidade, artesanato e circularidade podem caminhar juntos. Em um setor frequentemente associado ao consumo de novidades e à renovação constante das coleções, a proposta coloca em evidência uma questão importante: o futuro do luxo também pode estar na capacidade de aproveitar melhor aquilo que já foi produzido.

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fashion

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