Nos últimos anos, e principalmente durante a Copa do Mundo de 2026, o Brazilcore viveu seu auge. A camisa da Seleção Brasileira voltou a ocupar as passarelas, celebridades internacionais incorporaram o verde e o amarelo aos seus looks e grandes marcas transformaram a identidade visual do Brasil em uma tendência global. Mas, com o apito final do torneio, surge uma pergunta inevitável: o Brazilcore continuará relevante ou ficará marcado apenas como mais uma estética passageira impulsionada pelo calendário?
A resposta é mais complexa do que parece, afinal, as tendências de moda são influenciadas por diversos aspectos da cultura e sociedade. Embora o campeonato tenha sido o grande catalisador dessa tendência, os códigos visuais brasileiros já vinham conquistando espaço muito antes da competição e, agora, caminham para uma nova fase, menos literal e mais sofisticada.
Muito além da camisa da Seleção
Quando o termo Brazilcore começou a circular nas redes sociais, a tendência era facilmente identificada: camisetas amarelas da Seleção, verde vibrante, azul intenso, chinelos, peças esportivas e referências ao futebol dominavam os looks.
Mas o movimento rapidamente evoluiu e deve continuar a evoluir. Em vez de apenas vestir as cores da bandeira, estilistas passaram a explorar uma identidade brasileira mais ampla. Artesanato, rendas, crochê, bordados, fibras naturais, estampas tropicais e referências à biodiversidade passaram a representar uma nova leitura do país, menos ligada ao esporte e mais conectada à cultura e história brasileira.
Recentemente uma das marcas que adiantou este movimento foi a Dendezeiro, que trouxe para Turim sua coleção de roupas apresentada na Rio Fashion Week inspirada pelos símbolos da moda brasileira e matérias-primas inovadoras da indústria nacional.
O Brasil voltou ao radar da moda internacional
Nos últimos anos, o país se tornou uma das principais fontes de inspiração para a indústria global.
Marcas internacionais passaram a buscar referências na fauna, na flora e na produção artesanal brasileira, enquanto estilistas nacionais conquistaram maior espaço em semanas de moda internacionais. O interesse também cresceu em torno da moda praia, do design autoral e das técnicas manuais produzidas em diferentes regiões do Brasil.
Mais recentemente, coleções como a da Arezzo, inspirada no Brazilcore durante a Copa, e desfiles de marcas brasileiras como P. Andrade em passarelas internacionais mostraram que a criatividade brasileira desperta interesse para além dos grandes eventos esportivos.
Do esporte para o lifestyle
Nessa nova temporada, o Brazilcore tende a perder sua ligação direta com o esporte para se consolidar como uma estética de lifestyle. A camisa da Seleção provavelmente continuará aparecendo em produções de moda, mas dividirá espaço com outros elementos capazes de comunicar brasilidade sem recorrer necessariamente ao futebol.
A valorização do linho, das modelagens leves, das texturas naturais, das cores solares e do trabalho artesanal pode representar o próximo capítulo desse movimento. Sendo assim, as semanas de moda nacionais se tornam ainda mais relevantes e, com a volta da Rio Fashion Week no calendário, mais tendências devem aparecer na moda país a fora.
O luxo também descobriu o Brasil
Outro fator que fortalece o futuro da tendência é o interesse crescente das grandes maisons pela cultura brasileira.
Nos últimos anos, referências ao país apareceram em coleções da Louis Vuitton, Dior, Jacquemus, JW Anderson e até Dolce & Gabbana, seja através da fauna tropical, da vegetação exuberante ou da energia das praias brasileiras.
Ao mesmo tempo, colaborações entre marcas nacionais e internacionais ampliaram a visibilidade da moda produzida no Brasil, mostrando que a identidade brasileira deixou de ocupar apenas um espaço exótico para se tornar um repertório criativo valorizado pelo mercado de luxo.
Uma nova brasilidade
A principal transformação está na forma como o Brasil é representado. Se antes a imagem do país era construída apenas em torno do carnaval, do futebol e das praias, hoje ela incorpora sustentabilidade, artesanato, diversidade cultural, inovação têxtil e produção autoral.
Essa nova narrativa acompanha um movimento global que valoriza identidade local e patrimônio cultural como diferenciais criativos, fazendo com que o Brazilcore amadureça e se torne menos dependente de símbolos óbvios.