Algumas imagens conseguem atravessar décadas porque não registram apenas uma tendência: registram uma época. É justamente essa ideia que a C&A recupera ao celebrar seus 50 anos no Brasil com uma nova campanha de Primavera-Verão protagonizada por quatro nomes que ajudaram a escrever capítulos importantes da moda nacional: Carol Trentini, Isabeli Fontana, Carol Ribeiro e Anabela Santos. A escolha reúne diferentes gerações de modelos e transforma a campanha em uma espécie de encontro entre passado e presente da indústria fashion brasileira.
A ação, criada pela Thinkers LAB em parceria com a LePub, parte também da relação construída entre essas profissionais e a própria varejista. Carol Ribeiro e Isabeli Fontana estiveram entre os principais rostos da C&A nos anos 2000 e início dos anos 2010, período em que campanhas de grandes redes de varejo tinham forte poder de influência sobre o imaginário fashion brasileiro. Já Anabela Santos e Carol Trentini participaram da campanha de Natal da marca em 2023, criando uma conexão mais recente com a empresa.
Quando as modelos se tornam parte da história
A escolha do elenco revela algo maior do que uma estratégia de comunicação. Ao reunir modelos com trajetórias consolidadas no Brasil e no exterior, a C&A reconhece o papel que essas mulheres tiveram na construção da imagem da moda brasileira nas últimas décadas.
Nos anos 2000, nomes como Isabeli Fontana, Carol Ribeiro e outras brasileiras ganharam espaço nas principais semanas de moda, campanhas internacionais e capas de revistas. A chamada “geração das supermodelos brasileiras” ajudou a colocar o país em uma posição de destaque no mercado internacional e consolidou uma estética brasileira que poderia transitar entre o comercial e o editorial.
Carol Trentini, por sua vez, tornou-se um dos grandes nomes brasileiros da moda internacional, construindo uma carreira marcada por passarelas, campanhas e editoriais para algumas das principais publicações e maisons do mundo.
Mais do que rostos conhecidos, essas modelos funcionaram como embaixadoras culturais. Cada aparição internacional ajudava a ampliar a percepção sobre a capacidade criativa e profissional do Brasil dentro da indústria.
A moda como memória
Existe uma razão para marcas recorrerem cada vez mais aos seus próprios arquivos. Em um mercado saturado por novidades, a memória se transforma em um ativo poderoso.
A C&A, que completa cinco décadas de atuação no Brasil, possui uma relação especialmente interessante com essa história. Ao longo dos anos, a varejista aproximou o grande público de nomes importantes da moda por meio de coleções e campanhas. A plataforma C&A Collection, por exemplo, já contou com estilistas como Reinaldo Lourenço, Isabela Capeto, Stella McCartney, Roberto Cavalli e Alexandre Herchcovitch, entre outros.
Revisitar modelos que fizeram parte desse percurso cria, portanto, uma narrativa de continuidade: a moda muda, mas algumas imagens permanecem.
O legado que ultrapassa as passarelas
A trajetória dessas modelos também ajuda a compreender como a indústria fashion brasileira se transformou.
Durante décadas, ser modelo era frequentemente associado apenas à aparência. Com a profissionalização do mercado e a expansão da influência das redes sociais, entretanto, as modelos passaram a assumir papéis mais amplos. Hoje, elas também são empresárias, produtoras de conteúdo, referências de comportamento e figuras capazes de construir comunidades ao redor de seus próprios nomes.
Essa transformação ajuda a explicar por que resgatar modelos de diferentes gerações tem tanta força atualmente. Elas não representam apenas uma determinada estética, mas diferentes momentos da relação entre moda, mídia e sociedade.
Isabeli, Carol, Anabela e Trentini: quatro momentos de uma mesma indústria
A presença de Isabeli Fontana na campanha recupera uma das imagens mais marcantes da moda brasileira dos anos 2000. Com uma carreira internacional construída desde muito jovem, a modelo se tornou presença constante em editoriais, campanhas e passarelas de grandes marcas.
Carol Ribeiro também representa uma geração que ultrapassou o papel tradicional de modelo. Além das passarelas e campanhas, sua atuação na televisão e na apresentação ampliou sua presença na cultura brasileira, fazendo com que seu rosto se tornasse reconhecível para além do universo fashion.
Já Carol Trentini simboliza a consolidação internacional das modelos brasileiras. Sua trajetória nas principais capitais da moda ajudou a reforçar a presença do país em um mercado cada vez mais globalizado.
Anabela Santos, por sua vez, acrescenta à campanha outra camada dessa história, representando uma trajetória que também atravessa diferentes momentos da moda brasileira.
O encontro entre as quatro cria uma espécie de linha do tempo viva e mostra que o conceito de ícone não está necessariamente relacionado a uma única geração.
O retorno dos rostos que marcaram gerações
A estratégia da C&A também acompanha um movimento maior da moda contemporânea: o retorno de modelos e referências de décadas anteriores.
A indústria tem revisitado arquivos, recuperado campanhas e colocado antigos ícones novamente sob os holofotes. O fenômeno está relacionado à força da nostalgia, mas também à busca por histórias autênticas em um cenário em que a novidade constante pode se tornar previsível.
Quando uma marca recupera uma modelo que já fez parte de sua história, cria-se uma relação emocional com consumidores que também envelheceram junto com aquela imagem. Para as novas gerações, ao mesmo tempo, o passado pode ser apresentado como referência estética e cultural.
Cinquenta anos olhando para frente
A campanha de aniversário da C&A mostra que celebrar o passado não significa necessariamente ficar preso a ele. Pelo contrário: revisitar os nomes que ajudaram a construir a trajetória da marca permite compreender como a moda brasileira chegou até aqui e quais referências continuam relevantes.
Ao reunir Carol Trentini, Isabeli Fontana, Carol Ribeiro e Anabela Santos, a varejista transforma sua campanha em uma celebração da própria memória fashion e, principalmente, do legado de mulheres que ajudaram a levar a moda brasileira para diferentes partes do mundo.
Porque, no fim, tendências passam, campanhas são substituídas e coleções chegam às lojas. Mas os rostos que marcaram uma geração permanecem como parte da memória coletiva da moda e é justamente essa memória que continua criando desejo.