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As limitações impostas pela pandemia, resultaram em grandes reflexões sobre o calendário atual da moda. Em carta aberta publicada no WWD, o estilista Giorgio Armani questionou a dinâmica do fast fashion, identificando-o como imoral. “Acho absurdo que, durante o inverno, na boutique, tenha roupas de linho e, durante o verão, casacos de alpaca, pelo simples motivo de que o desejo de compra seja estimulado de forma imediata”, afirmou.

Ele ainda apontou a poluição gerada pelos shows da indústria e foi o primeiro a anunciar a mudança no ritmo das coleções, com lançamentos mais distantes. Logo, o diretor criativo da Gucci, Alessandro Michele, também se posicionou, declarando que a grife fará apenas dois desfiles por ano ao invés de cinco. O mesmo anúncio veio de Michael Kors, que disponibilizará suas coleções nas lojas em datas mais próximas das estações correspondentes. “Eu tenho pensado há tempos que o calendário da moda precisa mudar. É empolgante para mim ver esse diálogo aberto dentro do setor sobre maneiras para desacelerar”, disse o estilista. Já Saint Laurent decidiu se libertar ainda mais do line-up e trabalhar por conta própria. Portanto, a maison focará apenas em apresentações customizadas, que acontecerão segundo timing do estilista Anthony Vaccarello e seus fornecedores.

Contudo, marcas fiéis ao calendário atual da moda, como as gigantes Chanel e Dior, encaram o digital como limitação temporária e acreditam que o físico é essencial. Em uma declaração à imprensa sobre a apresentação do vídeo surrealista para apresentar – pela primeira vez no digital – a Alta-Costura da Dior, a diretora criativa Maria Grazia Chiuri afirmou que a moda não pode ser vista apenas através de telas. “Não é algo que você só pode ver. Você tem que tocá-la, tem que ver o artesanato, especialmente na alta-costura”, explicou ela.

Já Virginie Viard, diretora criativa da Chanel, mudou totalmente o mood de suas últimas coleções e adotou uma estética maximalista e punk, referenciando os anos 80. De acordo com ela, essa transição foi proposital, porque uma estética silenciosa não seria bem traduzida em uma apresentação digital.

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