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Da passarela ao patrimônio cultural: os lugares mais marcantes dos desfiles de moda

14 de janeiro de 2026

#Cultura de Moda

By: Redação

A moda nunca se limita às roupas. Cada vez mais, ela se constrói a partir dos espaços que escolhe ocupar, transformando cenários em narrativas visuais, emocionais e culturais. Em 2026, essa relação entre moda e lugar ganha ainda mais força, e um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento vem de Jacquemus, que transforma a escolha do cenário em parte essencial de sua identidade criativa e assina um dos furos jornalísticos mais comentados da temporada ao anunciar seu próximo desfile no Museu Picasso, em Paris.

Jacquemus e o Museu Picasso: quando a moda encontra a arte

Foto: Miquel Coll Molas. Museu Picasso, Barcelona.

O retorno de Jacquemus ao Museu Picasso não é apenas uma decisão estética, mas simbólica. O espaço, instalado em um hôtel particulier do século XVII no bairro do Marais, carrega uma carga histórica e artística que dialoga diretamente com a sensibilidade do estilista Simon Porte Jacquemus. A maison já havia desfilado ali em 2017, abrindo a Paris Fashion Week em um gesto que marcou sua ascensão no calendário internacional. Em 2026, revisitar o museu reforça a ideia de continuidade, maturidade criativa e respeito ao patrimônio cultural, transformando o desfile em um encontro entre moda contemporânea e legado artístico.

Ao escolher um museu dedicado a Pablo Picasso, Jacquemus também aproxima sua moda da arte como linguagem. O espaço deixa de ser apenas um pano de fundo e passa a atuar como extensão da coleção, ampliando a leitura estética e emocional das peças apresentadas.

A paisagem como assinatura criativa de Jacquemus

Ao longo de sua trajetória, Jacquemus construiu uma relação muito particular com os lugares onde apresenta suas coleções. Campos de lavanda na Provença, plantações de trigo nos arredores de Paris e os jardins do Palácio de Versalhes não foram escolhas aleatórias, mas cenários que dialogam com memórias afetivas, identidade francesa e uma estética que valoriza a simplicidade, a luz natural e o contato com a terra. Essas apresentações transformaram a passarela em espetáculo sensorial e ajudaram a consolidar a marca como uma das mais autorais da moda contemporânea.

Essa forma de pensar o desfile rompe com o modelo tradicional e transforma o espaço físico em elemento narrativo, capaz de reforçar conceitos, emoções e histórias por trás de cada coleção.

Outras maisons e seus cenários inesquecíveis

A força dos lugares na moda também se reflete em outras grandes maisons, que adotaram cenários emblemáticos como parte de sua identidade. A Chanel, por exemplo, recorre frequentemente a Deauville, cidade litorânea que marcou o início da trajetória de Gabrielle Chanel, para reforçar sua herança histórica e seu imaginário ligado à elegância descomplicada. Já a Dior encontrou no jardim do Musée Rodin um palco recorrente, onde a alta-costura dialoga com esculturas clássicas, natureza e arte francesa.

Fora da Europa, marcas como Gucci ampliaram essa lógica ao ocupar palácios históricos, como o Gyeongbokgung, em Seul, conectando moda global a patrimônios culturais locais e ampliando o alcance simbólico de seus desfiles.

Gyeongbokgung. Foto: Reprodução site Royal Palaces and Tombs Centers.

O papel do lugar na construção da narrativa de moda

A escolha de um cenário impactante vai além da estética e se tornou uma poderosa ferramenta de comunicação. O espaço ajuda a contextualizar a coleção, cria uma atmosfera emocional e transforma o desfile em uma experiência memorável, muitas vezes tão marcante quanto as próprias roupas. Em uma era de imagens instantâneas e circulação digital intensa, esses cenários icônicos ajudam a eternizar momentos e consolidar a identidade das marcas no imaginário coletivo.

Mais do que espetáculo, essa estratégia revela uma moda que dialoga com a cultura, a história e a arquitetura, reforçando seu papel como linguagem artística e social.

Uma tendência que define a moda contemporânea

Em 2026, a moda confirma que não se faz apenas na passarela, mas no encontro entre criação, espaço e experiência. A volta de Jacquemus ao Museu Picasso simboliza esse novo entendimento, no qual o local se torna protagonista e parte essencial da narrativa criativa. Ao transformar museus, paisagens naturais e patrimônios históricos em palcos, a moda contemporânea reafirma seu poder de ocupar espaços, criar memória e se posicionar como expressão cultural do seu tempo.

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