A música não é a única linguagem pela qual a cultura sul-coreana conquista o mundo. Em 2026, a moda também ocupa lugar central nesse fenômeno, que ganha ainda mais visibilidade com a chegada do BTS a São Paulo para três apresentações da turnê mundial ARIRANG, nos dias 28, 30 e 31 de outubro, no estádio do MorumBIS. A passagem do grupo transforma a cidade em palco para observar como os figurinos dos artistas e a criatividade dos fãs ajudam a ampliar a influência estética do K-pop.
Mais do que acompanhar uma tendência musical, o público encontra nesse universo uma forma de expressão que conecta roupa, identidade e pertencimento. Dos looks elaborados para o palco às produções escolhidas pelos admiradores para os shows, a moda coreana reúne referências urbanas, peças de luxo, experimentações de silhueta e elementos culturais que ultrapassam fronteiras. A imprensa especializada já destaca essa combinação como uma das marcas visuais da atual turnê do BTS.
Streetwear, sobreposições e silhuetas amplas
Entre os elementos mais reconhecíveis da moda associada ao K-pop está o streetwear, com sua influência do hip-hop, do vestuário esportivo e da cultura urbana. Jaquetas oversized, calças largas, camisetas gráficas, jeans desconstruídos e botas robustas aparecem em diferentes composições, que valorizam o movimento e a sobreposição de peças.
Na turnê ARIRANG, o BTS explora essa linguagem em figurinos que alternam propostas casuais e produções mais estruturadas. Lavagens estonadas, recortes, zíperes aparentes e acessórios metálicos reforçam uma estética urbana, enquanto conjuntos monocromáticos e peças de acabamento elaborado criam momentos de maior impacto visual. O resultado mostra como roupas do cotidiano podem ganhar novas proporções quando combinadas com uma direção de estilo pensada para o palco.
Essa influência também chega ao público brasileiro. Para compor um look inspirado no universo do grupo, camisetas estampadas, calças cargo, jaquetas esportivas e tênis funcionam como base. O diferencial está nos detalhes: misturar texturas, brincar com volumes, adicionar correntes ou lenços e combinar peças básicas com acessórios mais marcantes. A proposta não exige reproduzir integralmente os figurinos dos artistas, mas reinterpretar seus códigos de maneira pessoal.
A tradição coreana encontra a moda contemporânea
Um dos aspectos mais marcantes da identidade visual de ARIRANG é a aproximação entre referências históricas da Coreia do Sul e a moda contemporânea. O próprio nome do projeto remete a uma tradicional canção folclórica coreana, enquanto alguns figurinos dialogam com elementos do hanbok, vestimenta tradicional do país, e com as armaduras utilizadas durante a dinastia Joseon.
Na apresentação de retorno do grupo em Seul, o designer Jay Song, da marca sul-coreana Songzio, desenvolveu peças descritas como uma espécie de “armadura lírica”. As criações combinaram estruturas marcantes e sobreposições com a fluidez das roupas tradicionais, buscando equilibrar referências históricas e liberdade de movimento. A escolha evidencia uma dimensão importante da moda coreana atual: a possibilidade de reinterpretar o patrimônio cultural sem simplesmente reproduzi-lo.
Esse diálogo também amplia a visibilidade de designers e marcas sul-coreanas no mercado internacional. Embora grifes europeias de luxo façam parte do repertório visual dos integrantes, a presença de criadores locais ajuda a colocar a produção de moda da Coreia do Sul em evidência, mostrando que a influência do K-pop vai além do consumo de marcas conhecidas globalmente.
O luxo e a construção da imagem dos ídolos
A relação entre artistas e grifes é outro fator que aproxima o K-pop da indústria da moda. Integrantes de grupos sul-coreanos participam de campanhas, comparecem a semanas de moda e estabelecem parcerias com marcas internacionais, transformando aparições públicas em oportunidades de visibilidade para produtos e coleções.
No caso do BTS, o figurino da turnê combina essa dimensão comercial com escolhas visuais que ajudam a construir a identidade individual dos sete integrantes. O streetwear convive com alfaiataria, couro, acabamentos elaborados e acessórios de destaque. Essa mistura contribui para uma imagem masculina que não se limita a um único padrão: pode ser sofisticada, esportiva, experimental ou romântica, dependendo da proposta.
Para o mercado, a conexão é estratégica. A força das comunidades de fãs pode ampliar a repercussão de uma peça ou de uma marca, enquanto o alcance internacional dos artistas transforma a moda em parte da experiência cultural oferecida ao público. Assim, o figurino deixa de ser apenas um complemento da apresentação musical e passa a integrar a narrativa de cada projeto.
A influência também aparece na beleza
O impacto da cultura coreana não se restringe às roupas. A maquiagem, os penteados e os cuidados com a pele também fazem parte desse repertório visual, que circula pelas redes sociais e inspira consumidores em diferentes países. A chamada K-beauty, expressão usada para designar tendências e produtos de beleza associados à Coreia do Sul, acompanha a expansão do interesse por música, séries e outros produtos culturais do país.
Em São Paulo, esse movimento se conecta a uma presença cultural que já ultrapassa os palcos. O bairro do Bom Retiro, historicamente associado ao comércio de roupas e à comunidade coreana, reúne lojas, restaurantes, cosméticos e eventos ligados à cultura sul-coreana. A região ajuda a mostrar como a influência coreana se manifesta tanto no consumo quanto na convivência cultural da cidade.
São Paulo como ponto de encontro cultural
A passagem do BTS acontece em um momento de maior visibilidade dos artistas sul-coreanos no Brasil. A agenda de 2026 inclui outros nomes do K-pop com apresentações previstas na capital, como Taemin, KARD, XLOV e Suho, ampliando as oportunidades de contato do público com diferentes propostas musicais e visuais.
Nesse cenário, os shows funcionam como um ponto de encontro entre música, moda e comunidade. Os fãs participam da experiência também por meio das roupas que escolhem, das referências que compartilham e das interpretações pessoais que fazem do universo dos artistas. Cada produção pode carregar uma homenagem ao grupo, uma tendência que circula nas redes ou uma combinação autoral de peças e acessórios.
A moda coreana, portanto, não se resume a copiar os looks dos ídolos. Sua influência está na maneira como mistura referências, explora a individualidade e transforma o vestir em parte da experiência cultural. Em São Paulo, a temporada de shows de 2026 ajuda a tornar esse diálogo mais visível e reforça o papel do K-pop como uma força que conecta entretenimento, identidade e mercado da moda.