Conhecida por valorizar o artesanato e todo o potencial de autenticidade e criatividade que existe no toque humano, a diretora criativa da Dior, Maria Grazia Chiuri, vai na contramão do metaverso na coleção de Alta-Costura Spring 2022 apresentada hoje, 24 de janeiro, em Paris.

“Neste momento é mais importante falar de humanidade. Eu gostaria que estivéssemos mais juntos e nos apoiássemos, e valorizemos o trabalho. Provavelmente, sou um pouco antiquada, mas estou mais interessada na coisa real. Prefiro passar tempo com pessoas reais”, declarou.

A diretora, que com frequência fala sobre a desvalorização do artesanato, apostou na força do trabalho humano para mostrar aquilo que a Alta-Costura se propõe: o manual.

Com cortes impecáveis e bordados que parecem ter sido feitos em uma única peça de tão invisível que pareciam, Chiuri fortalece o handmade e defende que a moda depende do mundo real.

A paleta de cores da coleção se mantém entre o preto, branco e cinza e as peças trazem a alfaiataria em ternos, macacões, calças, camisas e saias.

Para noite, as produções parecem remeter ao universo dos casamentos, que deve retomar com força total em 2022, depois de um longo período de adiamento pelo cenário turbulento que o mundo passou.

Para reforçar o tema de sua coleção que valoriza a conexão humana, Maria Grazia decorou o espaço de exposição no jardim do Musée Rodin com tapeçarias bordadas altamente gráficas, criadas pelos artistas Madhvi e Manu Parekh e feitas à mão por Chanakya, a escola de artesanato na Índia – com quem Chiuri sempre trabalha. Para se ter ideia, 380 artesãos levaram 280 mil horas para bordar a instalação de 340 metros quadrados, que estará aberta ao público de 25 a 30 de janeiro como uma exposição de arte efêmera.