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Por Ana Vaz 

ana vaz na Z Magazine falando sobre Dior
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Maria Grazia Chiuri assumiu a Maison Dior em julho de 2016. Foi a primeira mulher à frente da direção criativa da marca desde sua criação pelo estilista Christin Dior. Que bom e que ruim. Que bom porque finalmente uma mulher está à frente de uma marca que cria moda justamente para mulheres. Que ruim porque isso não deveria ser um fato a se comemorar ou algo que cause surpresa e alívio – mas é. A maison tem (até a antra de Chiuri) uma história pouco preocupada com os direitos das mulheres, ou com seu lugar no mundo não necessariamente sendo o de acessório de um homem (hei, muitas grandes marcas ainda nos veem assim!).

ana vaz fala sobre dior
Desfile Dior

Foi o próprio Dior, por exemplo, que em 1947 criou o “new look”, um visual feminino composto por um casaqueto de cintura ultra marcada (remetendo a0 espartilho – ferramenta de aprisionamento do corpo feminino) combinado a uma saia muito rodada e armada (feita com 12 metros de tecido, imagine o peso e a limitação de movimentos e mobilidade de quem as vestia) – estávamos num mundo de pós-guerra, as mulheres usavam roupas muito mais simples e confortáveis, inspiradas na roupa masculina, já que uma infinidade delas assumiu os papéis profissionais dos homens que foram para o combate; o “new look” propõe que a mulher volte para a casa, devolva o lugar aos homens que estão voltando. Pode parecer que a roupa da Dior naquele momento impactava somente às mulheres mais afluentes, mas não se engane, essa nova silhueta foi marcante na década de cinquenta e se popularizou mesmo entre melhores de condições econômicas menos favorecidas.

desfile dior
Desfile Dior

Corta para 2018. Dois anos após entrar na Dior, Chiuri mantém-se firme e forte em seu objetivo de questionar o machismo, de pensar no novo comportamento e nas novas demandas das mulheres por liberdade (em todos os sentidos, do sexual ao econômico) e igualdade de direitos. Para esta coleção Resort 2018 se inspirar nas amazonas mexicanas, as Escaramuzas. Por que elas? Na minha opinião são vários motivos. Do ponto de vista prático, oferecem um encanto estético que merece ser traduzido para a roupa do cotidiano. Do ponto de vista ideológico ou idealista, oferecem um história de conquistas num mundo machista, e de uma luta que ainda não acabou.  Sabia que apesar de conquistarem o direito de competir no rodeios, as Escaramuzas somente montam de lado (forma “feminina” de se montar – quem sabe um dia isso muda), em grupo (não há competições individuais) e só podem competir dentro de eventos masculinos (não há rodeios apenas para mulheres, é proibido)? Elas são um exemplo claro de como temos lutado, mas ainda nos falta muito a conquistar. São também um exemplo de que se eu quiser, enquanto mulher, me maquiar e me enfeitar, eu posso fazê-lo – assim como é absolutamente possível não fazer nada disso, e ainda assim ser mulher e fêmea e feminina, usando-se outras referências estéticas.

Desfile Dior
Desfile Dior

O resultado final é lindo. Bordados em cores fortes, riqueza na mistura de texturas, cores e materiais. Uma silhueta feminina que até remete às saias amplas e volumosas do New Look, mas feitas em materiais leves, usadas com sapatos que nos facilitam a locomoção (coturnos e tênis). Calças (sim!) inspiradas em uniformes de equitação. Uma abundante mistura/coordenação no mesmo look de referências estéticas mais associadas ao feminino ou ao masculino (por exemplo: saia de tule coordenada à blazer estruturado de dois botões). Diversa, ela ainda mescla a referência mexicana às referências francesas como a renda de Chantilly (aliás a coleção foi apresentada no castelo de mesmo nome) e Toile de Jouy (estampa de origem francesa, com referências campestres).

Eu amei, e você?

Desfile Dior
Desfile Dior
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