A moda deixou de ser apenas uma indústria de tendências e passou a ocupar um território muito maior. Foi essa transformação que o Fashion Campinas 2026, idealizado por Cristiane Gracioli e Raíssa Zogbi, colocou em discussão no dia 12 de agosto, no Teatro Oficina do Estudante, no Iguatemi Campinas. Em sua segunda edição, o evento reuniu mais de 500 pessoas, 15 speakers e mais de 40 patrocinadores e parceiros, consolidando-se como um espaço de conexão entre moda, comportamento, negócios, inovação, cultura e lifestyle.
Com o tema “Moda como Estado de Espírito”, o Fashion Campinas partiu de uma premissa cada vez mais presente no mercado: entender moda hoje é entender pessoas. A forma como alguém se veste comunica identidade, posicionamento, pertencimento e estilo de vida, e essas escolhas impactam diretamente setores que vão muito além do vestuário.
Foi essa intersecção que orientou a programação. Ao longo do evento, temas como branding, consumo, imagem, beleza, saúde, luxo, sustentabilidade, moda circular, economia criativa, propriedade intelectual, empreendedorismo e impacto social entraram na mesma conversa. “Nosso desejo sempre foi colocar Campinas no circuito da moda, não apenas como uma cidade que consome moda, mas como um polo capaz de discutir, produzir e movimentar esse mercado. O que construímos com o Fashion Campinas é pioneiro na cidade e nasce com a ambição de ganhar cada vez mais relevância no cenário estadual e nacional. Campinas nunca havia recebido um encontro com essa dimensão e com essa proposta de conectar moda a comportamento, negócios, inovação, cultura e tantos outros segmentos. Ver essa segunda edição reunir mais de 500 pessoas e mais de 40 marcas mostra que existe espaço e, principalmente, demanda para que Campinas ocupe esse lugar”, afirma uma das idealizadoras do evento, Cristiane Gracioli.
Entre os speakers estiveram nomes como Mônica Salgado, Dra. Katia Haranaka, Dani Guardini, Helô Gomes, Ana Vaz, Thais Braz, Tábata Boccatto, Nathalia Vallino, Patrícia Ruzene, Marcello Brandão, Erika Paiva e Michelli Bortinhon, reunindo diferentes perspectivas sobre o comportamento do consumidor, a construção de marcas, a criatividade e os novos caminhos da indústria.
Uma indústria que se conecta a tudo
Mais do que reunir profissionais do setor, o Fashion Campinas evidenciou a capacidade da moda de gerar conexões entre diferentes mercados.
A presença de mais de 40 patrocinadores e parceiros de segmentos diversos reforçou essa característica. Gastronomia, beleza, saúde, educação, varejo, comunicação, tecnologia, serviços e lifestyle estiveram conectados à experiência do evento, mostrando na prática que a moda pode funcionar como uma plataforma de relacionamento entre marcas, consumidores e diferentes setores da economia.
Essa amplitude também se refletiu no público. O evento não foi pensado exclusivamente para profissionais da moda, mas para todos aqueles que trabalham ou se relacionam com os mercados influenciados por comportamento, imagem, consumo e experiência.
Da tendência ao significado
A discussão proposta pelo Fashion Campinas acompanha uma mudança importante no comportamento do consumidor. Estudos e análises de mercado apontam para uma valorização crescente de autenticidade, propósito, experiências e conexão emocional, elementos que passam a influenciar a relação entre pessoas e marcas.
Nesse cenário, a moda passa a ser menos sobre antecipar o que será tendência e mais sobre compreender por que as pessoas escolhem, consomem, pertencem e se expressam. “Existe uma visão superficial de que a moda está ligada apenas à aparência. No Fashion Campiunas, nosso desejo é mostrar como ela atravessa comportamento, cultura, economia, identidade e a forma como nos relacionamos com o mundo. Quando falamos em ‘Moda como Estado de Espírito’, estamos justamente olhando para essa dimensão mais profunda da moda: como ela traduz uma época, revela indivíduos e cria novas formas de desejo, pertencimento e expressão”, reforça jornalista e também idealizadora do evento Raíssa Zogbi.
Moda como agente de transformação
A segunda edição também ampliou a discussão sobre o papel social da moda ao apoiar o Projeto Bunekas, iniciativa idealizada por Michelli Bortinhon que utiliza bonecas e roupas como ferramentas de autoestima, identificação, pertencimento e proteção infantil. Presente em mais de 55 países da África e também no sertão brasileiro, o projeto reforça a capacidade da moda de produzir impacto para além do consumo.
O resultado da segunda edição aponta para uma tendência que o próprio evento colocou em debate: quanto mais a moda se aproxima das pessoas, mais ela se conecta a outras áreas e ganha relevância econômica, cultural e social.
Com mais de 500 pessoas na plateia, 15 speakers e mais de 40 marcas envolvidas, o Fashion Campinas encerra sua segunda edição e fortalece sua proposta de ser um ponto de encontro entre mercado, criatividade, comportamento e sociedade. Porque moda não acontece de forma isolada. Ela acontece onde pessoas, marcas, ideias e culturas se encontram.