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IA e impressão 3D transformam a indústria da moda no Minas Trend 36

27 de outubro de 2026

#Cultura de Moda

By: Redação

Da criação de coleções à produção de joias, passando pelo desenvolvimento de catálogos de calçados e pela personalização do atendimento ao consumidor, a tecnologia ganha cada vez mais espaço na indústria da moda. A inteligência artificial (IA) e a impressão 3D estão transformando processos produtivos e criativos, oferecendo novas possibilidades para as empresas que buscam inovação, eficiência e competitividade. Essas aplicações estiveram entre os destaques do Minas Trend 36, realizado de 20 a 22 de outubro, no BH Shopping, em Belo Horizonte.

Com o tema Made in Minas, o evento reuniu 100 marcas de vestuário, moda infantil, bolsas, calçados, joias e bijuterias para apresentar as coleções Outono/Inverno 2027. Além de conectar indústria e varejo, o salão de negócios evidenciou como as novas tecnologias podem contribuir para o desenvolvimento de produtos e a ampliação de mercados.

Na criação de coleções, a inteligência artificial já auxilia profissionais em atividades como pesquisa de tendências, elaboração de desenhos e planejamento. Segundo a analista do SENAI Modatec, Cristiana Lima, a tecnologia funciona como uma ferramenta de apoio ao trabalho dos designers, sem substituir a criatividade humana.

“A inteligência artificial tem sido amplamente utilizada na área do vestuário, tanto nas atividades administrativas e de gestão quanto nos processos criativos. Os designers têm aderido bastante e utilizado a tecnologia como um braço para processos convencionais, como desenho, planejamento e pesquisa de tendências, trazendo mais assertividade para essas etapas”, explica.

Imagem: Cristiana Lima, analista do SENAI Modatec (Créditos: PlayP)

Apesar dos avanços, Cristiana observa que ainda existe resistência ao uso da IA, especialmente entre profissionais que trabalham com moda autoral. Para enfrentar esse desafio, o SENAI Modatec desenvolve capacitações que orientam os profissionais sobre como incorporar a tecnologia ao processo criativo, preservando a identidade das marcas.

“Existem formas de usar a IA e ainda assim ter um trabalho autoral. Ela pode gerar ideias iniciais ou complementar uma criação, trazendo possibilidades que talvez não fossem imaginadas. Mas o filtro final é sempre do designer. A curadoria e a autonomia continuam sendo humanas”, destaca.

Inteligência artificial também impulsiona os negócios

Além da criação, a IA está transformando a gestão e as estratégias comerciais das empresas de moda. Para Alzira Vasconcelos, CEO do Novo Varejo de Moda, as principais oportunidades estão concentradas em quatro áreas: marketing e produção de conteúdo, análise de dados, atendimento personalizado e experiência do consumidor.

De acordo com a especialista, a análise de informações permite que as empresas compreendam melhor o comportamento dos clientes, identifiquem os produtos com maior demanda e planejem compras e estoques com mais precisão.

Imagem: Alzira Vasconcelos, CEO do Novo Varejo de Moda (Créditos: PlayP)

“Com a inteligência artificial, conseguimos destrinchar muito mais os nossos estoques, as compras e os dados dos clientes. Podemos entender qual numeração vende mais, a idade média dos consumidores e em quais regiões eles estão. Isso ajuda não apenas na recompra, mas também na construção de estratégias mais específicas”, explica.

Alzira também destaca o potencial da tecnologia para personalizar a comunicação e melhorar a experiência de compra, especialmente em um mercado pautado por mudanças constantes no comportamento do consumidor. “Ignorar a tecnologia e a digitalização de uma empresa de moda hoje é colocar o negócio fadado ao fracasso. É preciso entender essa transformação não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de potencializar as empresas, as marcas e os resultados”, afirma.

Imagem: Design Paula Bahia (Créditos: PlayP)

Na indústria de calçados, essas possibilidades já fazem parte da rotina das empresas. Rodrigo Bahia, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados, Bolsas e Cintos de Minas Gerais (Sindicalçados-MG) e proprietário da marca Paula Bahia, utiliza a inteligência artificial para otimizar a produção de materiais comerciais e testar novas possibilidades visuais para os produtos.

“Usamos muito a inteligência artificial para otimizar publicações de catálogos e ações de marketing, fazendo alterações e testes de cores dos calçados. Isso se tornou muito comum e ajuda a otimizar os processos”, relata.

A aplicação permite explorar diferentes combinações de cores e desenvolver apresentações comerciais com maior agilidade, contribuindo para a divulgação das coleções.

Impressão 3D leva inovação à produção de joias

Se a inteligência artificial amplia as possibilidades de criação e comercialização, a impressão 3D também ganha espaço nas etapas de desenvolvimento e prototipagem de produtos.

Na Possebon Joias, empresa familiar do Rio Grande do Sul com 41 anos de atuação, a tecnologia é utilizada há mais de 10 anos, na criação dos primeiros moldes das peças. O processo começa com a seleção e lapidação de pedras, adquiridas em diferentes partes do mundo, e avança para o desenvolvimento das joias.

“Primeiro, recebemos as pedras em bruto, fazemos o corte, a lapidação e a finalização. Depois, com as pedras prontas, começa a criação das joias. O primeiro molde é sempre feito em impressora 3D. A peça é desenhada e criada com base nas pedras disponíveis, considerando toda a engenharia de produção”, explica Thiago Possebon, um dos proprietários da empresa.


Imagem: Design Possebon (Créditos: PlayP)

Após a criação do molde, as peças seguem para as etapas de fundição em metais, como latão, cobre e prata, e recebem os acabamentos e banhos, também realizados internamente. A utilização da impressão 3D integra o processo de desenvolvimento das joias, permitindo transformar projetos digitais em modelos físicos que orientam a fabricação.

Participando pela terceira vez do Minas Trend, a empresa também aposta no evento para ampliar sua rede de compradores e fortalecer sua presença no mercado nacional e internacional. Segundo Possebon, embora a marca já trabalhe com vendas digitais, o contato presencial continua estratégico. “As feiras são um bom lugar para captar clientes. A venda feita naquele momento é importante, mas não é a mais importante. O que conta é a consequência, os relacionamentos e as oportunidades que surgem depois”, destaca.

Inovação e competitividade na indústria mineira

A incorporação de novas tecnologias ocorre em um setor de grande relevância para a economia de Minas Gerais. Segundo dados do Observatório da Indústria da FIEMG, divulgados em setembro de 2026, a indústria da moda reúne 8.681 empresas e mais de 116 mil empregos formais no estado, considerando informações de 2025. O segmento representa 17,8% dos estabelecimentos industriais mineiros.

Nesse cenário, a adoção de ferramentas digitais, a qualificação profissional e o desenvolvimento de novos processos produtivos representam oportunidades para fortalecer a competitividade das empresas, especialmente dos pequenos negócios, que constituem a maior parte da cadeia produtiva.

Ao reunir diferentes segmentos e apresentar soluções que aproximam criatividade, tecnologia e mercado, o Minas Trend se posiciona como vitrine da inovação no futuro da moda. Seja no desenho de uma coleção, na prototipagem de uma joia ou na análise do comportamento do consumidor, as novas ferramentas ampliam as possibilidades de desenvolvimento da indústria, mantendo o conhecimento e a criatividade dos profissionais como elementos centrais do processo.

O Minas Trend é uma realização do Sistema FIEMG, com apoio máster do Sebrae Minas, patrocínio bronze da Serras Mar de Minas e apoio da 98 News, Casa e Decoração Móveis em Alumínio, Clara Água Mineral, FireFly, Gellak, Golden Air e Glori.

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fashion

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