Depois de desfilar em campos de lavanda, plantações de trigo e cenários monumentais, Simon Porte Jacquemus voltou a provar que poucos estilistas sabem transformar paisagens em narrativa como ele. Nesta semana, a marca francesa apresentou sua coleção Verão 2027 na ilha da Córsega, tendo como cenário o histórico Farol de la Pietra, cercado pelo mar Mediterrâneo. Batizada de “Le Bonheur” (“A Felicidade”), a coleção foi um tributo às memórias afetivas do designer, à simplicidade da vida à beira-mar e ao verão como estado de espírito.
Mais do que um desfile, a apresentação reafirmou a identidade construída por Jacquemus ao longo dos últimos anos: uma moda que desperta emoções através da paisagem, da luz natural e das lembranças da infância no sul da França.
O Mediterrâneo como inspiração
A escolha da Córsega não foi apenas estética. Simon Porte Jacquemus revelou que a coleção nasceu das recordações de sua mãe durante os verões à beira do Mediterrâneo, resgatando imagens de felicidade, liberdade e tranquilidade que marcaram sua infância.
Essas memórias apareceram em toda a coleção. Listras náuticas, poás, transparências, organzas leves e uma cartela de cores composta por azul-mar, rosa, amarelo-manteiga e branco evocavam o litoral francês sem recorrer a clichês.
O cenário contribuiu para essa narrativa. As modelos caminharam por uma estreita passarela de pedra diante do mar, enquanto o vento movimentava tecidos fluidos e reforçava a sensação de leveza que permeou toda a apresentação.
A leveza como novo luxo
Enquanto muitas marcas apostam em desfiles grandiosos e cenografias tecnológicas, Jacquemus segue um caminho diferente. Seu luxo está na simplicidade cuidadosamente construída.
Vestidos de chiffon, organzas transparentes, alfaiataria descomplicada, camisas alongadas e blazers de tecidos macios dominaram a coleção. As silhuetas privilegiavam o movimento natural do corpo, refletindo uma tendência crescente nas passarelas: roupas que unem sofisticação e conforto.
Para o guarda-roupa masculino, a proposta reforçou uma alfaiataria relaxada, combinada com bermudas amplas, regatas cavadas e proporções descontraídas, consolidando uma estética que conversa diretamente com o lifestyle contemporâneo.
Quando o cenário faz parte da coleção
Ao longo de sua carreira, Simon Porte Jacquemus transformou a escolha das locações em parte essencial de sua linguagem criativa. Cada desfile é pensado como uma experiência visual completa.
Já houve passarelas entre campos de lavanda, plantações de trigo, salinas e até na icônica Casa Malaparte, em Capri. Agora, a Córsega entra para essa lista ao oferecer uma paisagem que amplia a narrativa da coleção e reforça o vínculo da marca com a natureza.
Essa estratégia acompanha uma das maiores tendências da moda atual: transformar o desfile em uma experiência imersiva capaz de gerar impacto emocional e repercussão muito além das roupas.
O retorno da estética mediterrânea
A coleção também confirma a força da chamada Mediterranean Aesthetic, tendência que vem ganhando espaço nas passarelas e nas redes sociais. Inspirada pela vida à beira-mar, ela privilegia tecidos naturais, cores solares, acessórios de palha, linho, algodão e uma elegância despretensiosa.
Em um momento em que consumidores buscam experiências mais autênticas e conectadas à natureza, Jacquemus reforça essa estética como uma alternativa ao luxo tradicional, mostrando que sofisticação pode estar na simplicidade.
Jacquemus e a moda das emoções
Mais do que apresentar tendências para o verão de 2027, Simon Porte Jacquemus reafirma sua capacidade de transformar lembranças pessoais em desejo coletivo. Sua moda não se limita às roupas: ela constrói atmosferas, desperta nostalgia e convida o público a imaginar um estilo de vida.
Em tempos em que o luxo valoriza cada vez mais experiências e autenticidade, o desfile na Córsega demonstra que a emoção continua sendo um dos materiais mais valiosos da moda contemporânea.