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Relembrar mulheres que revolucionaram a moda (e consequentemente o mundo) é compreender e enaltecer a luta que resultou em muitos dos direitos atuais. Conquistas importantes do feminismo ganharam força e se originaram nesse universo. Para quem ainda duvida de que a forma de vestir pode representar um ato político, ideais, o contexto de uma época e a voz de muitas lutas, basta recapitular o momento em que mulheres puderam usar calças. As lições dos grandes ícones da moda permanecem até hoje na sociedade. Tome nota de alguns nomes que romperam padrões, questionaram regras e revolucionaram a forma de vestir e pensar!

  • Maria Antonieta (1755–1793)

Maria Antonieta da Franca 817x1024 1Admirada por alguns, odiada por muitos. Maria Antonieta, jogada na corte francesa aos 14 anos com a função de dar à luz o futuro rei da França, negou viver de acordo com as regras o rigoroso código de conduta e etiqueta da corte. Por isso, resolveu viver sozinha em Trianon, um palácio menor perto de Versalhes, onde realizava algumas festas com amigos. Com um estilo peculiar, Maria Antonieta compreendeu a força do vestir em suas escolhas. Usou perucas extravagantes e vestidos nada discretos, além de se recusar a vestir o espartilho, considerando-o um objeto de tortura. Lembrada como uma das responsáveis em desencadear a revolução francesa, até seus últimos minutos de vida, Maria Antonieta usou roupas como forma de expressão e após ser negado seu pedido de um vestido preto para o luto da execução de seu marido, ela escolheu um modelo branco para a guilhotina.

  • Coco Chanel (1883 – 1971)

Coco Chanel Trousers“Uma garota deve ser duas coisas: quem e o que ela quiser” – Coco Chanel

Não, não é clichê. O poder de inspiração dessa estilista, que está no topo de frases inspiradoras, é inesgotável. Chanel nasceu em uma família pobre, perdeu a mãe muito cedo e foi abandonada pelo pai em um convento. Conhecida por agir de acordo com suas próprias crenças e assumir suas atitudes em uma época de repressão às mulheres, Coco foi precursora em adaptar o guarda-roupa masculino para uso próprio. Em busca de conforto, rompeu regras como usar espartilhos e saias longas e passou a inspirar mulheres a vestirem tecidos leves e de cortes simples, de cores sóbrias e marcantes. Entre outras inúmeras vezes que Chanel rompeu padrões e, de alguma forma, contribuiu para a liberdade das mulheres até hoje, vale lembrar também de quando ousou tomar sol em trajes inspirados nos marinheiros, hábito considerado escandaloso na época por expor o corpo.

  • Carmen Miranda (1909 – 1955)

carmen miranda“Nunca segui o que dizem que ‘está na moda’. Acho que a mulher deve usar o que lhe cai bem” – Carmen Miranda

Com uma carreira meteórica no rádio e cinema, Carmen Miranda nasceu em Portugal, veio para o Brasil com apenas um ano e cresceu no Rio de Janeiro. Com 21 anos, já fazia sua turnê internacional em Buenos Aires e em 1933, foi a primeira mulher a assinar um contrato com uma rádio. Com peças coloridas, tops brilhantes, estampas tropicais e o tradicional enfeite de frutas no cabelo, Carmen se transformou na principal estrela do Cassino da Urca no Rio de Janeiro. Em 1939, estreou na Broadway e no ano seguinte, apresentou-se na Casa Branca para o presidente Roosevelt. Na época, chegou a receber o maior salário pago a uma mulher nos Estados Unidos. Com trajes que até hoje fazem parte da identidade brasileira perante o mundo, Carmen foi fundamental para a valorização da moda e da cultura latina.

  • Zuzu Angel (1921-1976)

zuzu angel“Roupa não tem importância. Moda tem. É um documento histórico. É criação e liberdade”-  Zuzu Angel

Zuleika Angel Jones, conhecida por “Zuzu Angel”, foi uma estilista mineira que fez da moda uma oportunidade para lutar contra a ditadura militar, vigente no Brasil na época. Além disso, seu talento contribuiu para levar a moda brasileira para o mundo, já que retratava a exuberância da natureza do país em suas peças, com pedras nacionais, estampas e aplicação de materiais como conchas e bambus. Em 1971, realizou um desfile protesto no consulado brasileiro em Nova Iorque, com elementos que denunciavam a situação política brasileira, como tanques de guerra, canhões, pássaros engaiolados, meninos aprisionados e anjos amordaçados. Por anos, Zuzu denunciou o governo para a imprensa e buscou notícias de seu filho dado como “desaparecido político”, mas foi torturado e morto. Suas criações exportadas pelo mundo estampavam sua indignação com as injustiças.

  • Mary Quant (1934)

Mary Quant“A moda é uma ferramenta que nos auxilia a vencer na vida”- Mary Quant

Conhecida por dar o impulso para uma moda mais democrática, Mary Quant lançou, em 1955, a loja Bazaar em Londres, onde oferecia roupas mais acessíveis. Quando o vestido tubinho foi exibido em Paris pela primeira vez, no fim dos anos 50, Mary já vendia o modelo há mais de um ano. A loja virou sensação na época e em 1960 já valia mais de um milhão de libras esterlinas. Nesse período, criou a famosa minissaia e introduziu, no século XX, o modelo Hot Pants, peças que revolucionaram a liberdade das mulheres. Mesmo frente a preconceitos e críticas, Mary foi condecorada a Oficial da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II.

 

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