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raissa
              @raissazogbi

Por Raíssa Zogbi
Afinal, moda é arte? Recentemente, me deparei com esse questionamento na disciplina de Moda e Arte Contemporânea da pós-graduação que curso. Ao sermos instigados a refletir sobre esse tema polêmico e propor um seminário que pudesse analisar os limites entre os universos, tive a oportunidade de entrar em contato com tantos exemplos que, a meu ver, demonstram como a moda pode sim ser considerada arte. Escolhi um deles para compartilhar com vocês.

O ano é 2015 e a temporada é Alta-Costura de inverno, quando a dupla de estilistas holandeses Viktor&Rolf desfilou, ou melhor, expôs a coleção de uma forma completamente fora do que conhecemos como um desfile e evidenciaram como as fronteiras entre moda e arte são mesmo fluidas.

Em um cenário que mais se parece uma galeria de arte do que uma passarela, em que paredes e piso são brancos, sem qualquer interferência decorativa e suntuosos tapetes típicos das apresentações de Alta-Costura, os designers quiseram abusar da literalidade para a reflexão proposta no título.

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Viktor&Rolf

No desfile, que se consagrou como uma verdadeira performance, Viktor&Rolf trocaram a breve aparição do fim para se colocarem como artistas criadores de suas peças. Entre a entrada de uma modelo e outra, como um apelo de metamorfose que cabe à moda de se reinventar e se recriar, a dupla transformava seus vestidos e saias em quadros e os penduravam na parede. O que faz um artista quando pinta seu quadro?

Ao provocarem a reflexão de ciclo eterno entre moda e arte, em que os vestidos podem ser pendurados ou usados na passarela, os criadores também apresentaram uma progressão no desfile, que se inicia com peças em brancos, fazendo referência às telas vazias, e evoluem para molduras douradas, como se as peças já estivessem com o acabamento dado por um artista.

Nesse momento, é notável a preocupação da dupla em mostrar o trabalho minucioso e rico que envolve uma peça de alta-costura, diante de tantos critérios rigorosos para se enquadrar nos padrões exigidos para fazer parte desse seleto grupo.

Por fim, os estilistas mais uma vez questionam os limites entre moda e arte ao doarem as peças dessa coleção para o Museu Boijmans Van Beuningen, em Roterdã. Vale lembrar, que os desenhos das roupas foram inspirados em obras de pintores do século 17, todos holandeses.

Para a filosofia, a arte trata-se de uma expressão do mundo imaterial projetada no material. O que mais pode definir o trabalho descrito acima? E não só ele, como muitos outros que geram reflexões e mostram uma forma de expressão do criador de um tempo e contexto através de materiais, cores, tecidos e posturas.

É preciso pensar a moda para além da indústria atual, ditada pelo fast fashion e guiada por tendências puramente mercadológicas para conhecer suas outras (e belas) faces.

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