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Muito além da música: os ícones do rock brasileiro que transformaram a moda em manifesto

13 de julho de 2026

#Cultura

By: Redação

O rock sempre foi muito mais do que um gênero musical. Desde seu surgimento, o movimento encontrou na moda uma extensão de sua personalidade, utilizando roupas, maquiagem e acessórios como ferramentas de contestação, liberdade e autenticidade. No Brasil, essa conexão se tornou ainda mais marcante graças a artistas que transformaram seus figurinos em símbolos de uma geração e influenciam a moda até hoje.

Muito antes de tendências como genderless, edgy, maximalismo ou streetwear dominarem as passarelas, nomes como Rita Lee, Ney Matogrosso, Cazuza, Pitty e Charlie Brown Jr. já traduziram esses conceitos em seus palcos, ajudando a construir uma identidade visual única para o rock nacional.

Rita Lee: a rainha que fez da extravagância sua assinatura

Falar de moda no rock brasileiro é, inevitavelmente, falar de Rita Lee. Dona de um estilo irreverente, a cantora nunca enxergou a roupa apenas como figurino. Plumas, paetês, estampas psicodélicas, botas de plataforma, óculos extravagantes e muito brilho fizeram parte de uma estética que misturava glamour, humor e rebeldia.

Inspirada pelo movimento hippie, pelo glam rock dos anos 1970 e pela liberdade criativa da contracultura, Rita construiu uma imagem que rompia com os padrões femininos da época. Ela mostrava que mulheres podiam ser extravagantes, provocativas e divertidas sem abrir mão de sua autenticidade.

Décadas depois, sua estética continua inspirando coleções que celebram o maximalismo, a mistura de estampas e o poder da moda como expressão individual.

Ney Matogrosso: quando maquiagem e moda desafiaram padrões

Se hoje a beleza sem gênero ganha cada vez mais espaço, Ney Matogrosso foi um dos grandes pioneiros dessa transformação.

Desde os tempos dos Secos & Molhados, o artista utilizava pinturas faciais elaboradas, figurinos repletos de transparências, brilhos, penas e referências teatrais para desafiar convenções sobre masculinidade e performance. Em plena década de 1970, quando a sociedade brasileira ainda vivia sob forte conservadorismo, Ney transformou o palco em um espaço de liberdade estética.

Seu visual dialogava com o glam rock internacional, mas possuía identidade própria, misturando elementos indígenas, carnavalescos e da cultura brasileira. Hoje, artistas e marcas revisitarem essa estética comprova como Ney estava à frente de seu tempo, antecipando discussões sobre fluidez de gênero e moda performática.

Pitty e o estilo edgy que marcou uma geração

Nos anos 2000, Pitty apresentou uma nova forma de interpretar o rock feminino. Seu guarda-roupa reunia couro, preto, coturnos, camisetas de bandas, correntes, delineado marcante e cabelos em tons intensos, construindo uma imagem que dialogava com o punk, o grunge e o universo dark.

Ao mesmo tempo, a cantora nunca ficou presa a um único estilo. Ao longo da carreira, passou a incorporar alfaiataria, vestidos, transparências e peças conceituais, mostrando que a força do rock também pode conviver com a sofisticação.

Seu visual continua sendo uma das principais referências da estética edgy, tendência que combina elementos urbanos, atitude e uma elegância menos convencional.

Cazuza transformou a bandana em símbolo de atitude

Poucos acessórios ficaram tão associados à imagem de um artista quanto a bandana de Cazuza.

Usada amarrada na cabeça durante shows, ensaios e aparições públicas, a peça tornou-se um dos maiores símbolos visuais do cantor. Ao lado de jaquetas de couro, camisetas básicas, jeans desgastados e óculos escuros, a bandana ajudou a construir uma estética despretensiosa que refletia sua personalidade intensa e livre.

A influência permanece viva. O acessório reaparece constantemente nas passarelas internacionais e no street style, resgatando o espírito rock’n’roll e reafirmando sua versatilidade como elemento de styling.

Charlie Brown Jr. levou a cultura skate para a moda brasileira

Enquanto o rock nacional dos anos 1980 apostava em uma estética mais glamourosa, o Charlie Brown Jr. aproximou definitivamente o gênero da cultura urbana.

Sob a liderança de Chorão, a banda popularizou um visual inspirado no skate e no surf, marcado por camisetas oversized, bermudas largas, tênis robustos, bonés, correntes e moletons. Era um estilo que traduzia liberdade, movimento e autenticidade, muito antes do streetwear dominar o mercado de luxo.

Hoje, a influência dessa estética é evidente. Marcas como Louis Vuitton, Balenciaga, Off-White e Palace transformaram elementos originalmente ligados ao skate em peças desejadas no universo fashion, mostrando como a cultura de rua passou a ocupar o centro da moda contemporânea.

Raul Seixas e o visual irreverente do pai do rock brasileiro

Raul Seixas também transformou sua imagem em uma extensão de sua música e de sua filosofia de vida. Com cabelos longos, barba marcante, óculos escuros, chapéus, botas de couro, calças jeans e jaquetas de inspiração western, o cantor construiu uma estética que misturava o rock clássico, o universo dos motociclistas e referências do folk norte-americano. Seu estilo despojado refletia o espírito contestador presente em suas composições e reforçava sua figura de artista contracultural.

Mais do que seguir tendências, Raul criou uma identidade visual imediatamente reconhecível, que influenciou gerações de músicos brasileiros. Sua preferência por peças de couro, denim e acessórios de inspiração boêmia antecipou elementos que hoje fazem parte do chamado rock vintage, estética frequentemente revisitada por marcas de luxo e pelo street style. Assim como sua música atravessou décadas, seu guarda-roupa permanece como referência de autenticidade, provando que, no rock, atitude sempre foi o melhor acessório.

O legado fashion do rock brasileiro

Embora pertençam a diferentes gerações, Rita Lee, Ney Matogrosso, Pitty, Cazuza e Charlie Brown Jr. compartilham um elemento em comum: todos entenderam que a roupa também comunica.

Mais do que acompanhar tendências, esses artistas construíram identidades visuais capazes de traduzir personalidade, posicionamento e comportamento. Seus figurinos nunca foram apenas escolhas estéticas, mas extensões de suas narrativas artísticas.

Em uma indústria cada vez mais interessada em autenticidade, o legado do rock brasileiro permanece atual. As passarelas continuam revisitanto o couro, o denim, a maquiagem dramática, as silhuetas oversized e a mistura entre moda e performance, provando que a influência do gênero ultrapassa a música e continua moldando a forma como nos vestimos.

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