“Eu olho para uma cortina e vejo um vestido, olho para um tapete e vejo uma calça”. Um quê de Scarlett O’Hara, de “E o Vento Levou”, parece habitar a mente criativa de João Pimenta, um dos principais designers de moda do país. Assim como a protagonista do filme, que dá vida a um vestido a partir de uma cortina, o estilista reaproveita elementos para criar uma moda conceitual e nada clichê, que traz questões de sustentabilidade antes mesmo de ser a pauta do momento.

Na última edição da SPFW, João colocou modelos com a cabeça coberta por sacos plásticos e bocas tapadas para trabalhar a questão do escapismo e da fuga do silêncio. Em tom de busca pela liberdade, a passarela contou com uma moda fluida e sem gênero, que busca remendar aquilo que segrega. Com uma entrevista exclusiva para a Z Magazine, não poderia deixar de ser a capa da edição!

A coleção

Diante dessa reflexão, João traz produções que carregam camuflados, casacos e tecidos pesados, ora acompanhados de vestidos e saias fluidas, ora com bordados pesados em um contraponto entre silêncio e liberdade de expressão. O patchwork foi inspirado na técnica oriental de remendar cerâmica quebrada com ouro, que parte do pressuposto de que aquilo que se parte poderá nunca mais ser o mesmo, mas se tornará ainda mais precioso. O xadrez e o floral também aparecem nessa mistura de elementos, texturas e cores que são características do DNA do estilista.

Trend alert

Sobreposição. A palavra de ordem da vez é “sempre cabe mais um”! João propôs um mix interessante de peças oversized, que quebra a monotonia de um guarda-roupa tipicamente masculino ou feminino.

Detalhe protagonista

Sem dúvidas, o coturno. A bota, que surgiu no cenário militar exclusivamente para homens e hoje tem grande apelo fashion, também carrega a mensagem de censura e, ao mesmo tempo, força no caminhar. O toque de novidade fica por conta do dourado, que fez parte do design do coturno.

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