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NYFW: os destaques do penúltimo dia de desfiles

15 de setembro de 2026

#Desfiles

By: Redação

A reta final da New York Fashion Week Spring/Summer 2027 ganhou força nesta segunda-feira, 14 de setembro, com uma programação que reuniu nomes consolidados da moda americana e designers que representam uma nova geração criativa. Entre os destaques do dia estiveram Ulla Johnson, Fforme, Zankov, Diotima, Carolina Herrera, Luar e LaQuan Smith, em uma sequência de apresentações que mostrou diferentes interpretações para o verão nova-iorquino.

Embora o calendário oficial da NYFW se estenda até esta terça-feira, 15, quando Thom Browne fará o desfile de encerramento, o dia 14 concentrou alguns dos momentos mais aguardados da programação. A agenda também reforçou uma das principais características desta edição: o encontro entre o DNA tradicional da moda americana e uma geração interessada em experimentar novas linguagens, materiais e códigos de feminilidade.

Ulla Johnson: romantismo encontra a cidade

Ulla Johnson abriu um dos principais momentos do dia com uma coleção apresentada ao ar livre, à sombra da Brooklyn Bridge, no Gotham Park. A escolha do espaço não foi apenas cenográfica: depois do desfile, a marca trabalhará com os arquitetos paisagistas responsáveis pelo projeto para contribuir com 750 plantas nativas e 12 árvores para a área permanente.

Na passarela, o romantismo característico de Johnson apareceu atualizado para uma mulher urbana. A paleta predominantemente pastel encontrou transparências, tecidos leves, detalhes pintados à mão e referências florais. Um dos elementos mais interessantes foi justamente o uso da transparência durante o dia, em peças como saias de tela e organza combinadas a jaquetas e camisas.

O desfile também mostrou uma evolução da estilista para além dos vestidos boêmios pelos quais ficou conhecida. Alfaiataria suave, camisas de popeline e jeans amplos entraram na coleção, enquanto o encerramento trouxe um vestido de silhueta trapezoidal com bordados art déco e franjas de seda, uma espécie de vestido de noiva boêmio para a cidade.

Zankov e o novo capítulo de Henry Zankov

Foto: ©Launchmetrics/spotlight. Rerodução Fashion Network.

Depois de estrear na temporada como diretor artístico da Diane von Furstenberg, Henry Zankov voltou às passarelas nova-iorquinas para apresentar sua própria marca. O desfile aconteceu em 180 Maiden Lane e marcou a terceira apresentação da grife durante a NYFW.

Conhecido inicialmente pelo trabalho com tricô, Zankov ampliou o repertório nesta temporada para incluir chiffon, seda, bordados, aplicações e alfaiataria. A coleção mergulhou nos anos 1960, com referências à música, à cultura de sua Rússia natal e a uma estética que combina nostalgia e futurismo. Cores intensas, superfícies brilhantes e construções exuberantes reforçaram a identidade excêntrica da marca.

A apresentação também trouxe uma novidade comercial: Zankov mostrou seus primeiros sapatos, desenvolvidos em parceria com a indústria portuguesa. O movimento sinaliza uma nova fase para a etiqueta, que busca transformar sua linguagem visual em um guarda-roupa mais completo e comercial sem perder a irreverência.

Diotima: tradição artesanal em nova perspectiva

Na sequência, Rachel Scott apresentou a coleção de sua marca, Diotima. O desfile ganhou importância adicional por acontecer poucos dias depois da segunda apresentação da estilista à frente da Proenza Schouler, consolidando Scott como uma das figuras mais interessantes da nova geração da moda nova-iorquina.

Criada em 2021, a Diotima tem como uma de suas características a valorização do artesanato e de referências culturais ligadas ao Caribe. O trabalho da designer ganhou ainda mais projeção desde sua chegada à direção criativa da Proenza Schouler, em um movimento que colocou sua visão autoral no centro de uma das casas mais importantes da moda americana.

A apresentação de 14 de setembro funcionou, portanto, como uma espécie de contraponto à grande estrutura da Proenza Schouler: enquanto a casa representa uma tradição consolidada de Nova York, Diotima reafirma o espaço para uma moda independente, artesanal e culturalmente conectada.

Carolina Herrera celebra 45 anos

Um dos momentos mais grandiosos do dia ficou por conta de Carolina Herrera. A marca comemorou seu aniversário de 45 anos com um desfile no David H. Koch Theater, no Lincoln Center, reafirmando a ligação da grife com a tradição nova-iorquina.

Sob direção criativa de Wes Gordon, a coleção revisitou códigos que fazem parte do imaginário da casa, feminilidade, flores, cores marcantes e uma elegância extremamente polida, sem transformar o aniversário em uma simples operação de nostalgia.

O cenário também chamou atenção: 28.798 tulipas amarelas foram instaladas no passeio do teatro. O número, segundo Gordon, fazia referência aos filhos dele, Henry e Georgia, que levaram uma flor cada um durante os ensaios.

A coleção ainda ganhou uma dimensão especial por meio da colaboração com a joalheria Taffin, que criou peças de alta joalheria especialmente para a ocasião. Entre as referências estava o icônico batom vermelho de Carolina Herrera, traduzido em uma joia de cerâmica e ouro.

Luar e a identidade nova-iorquina

Na parte noturna da programação, Luar levou novamente sua estética urbana e provocadora para a NYFW. A marca de Raul Lopez, cujo nome é o próprio “Raul” escrito ao contrário, voltou ao calendário oficial depois de um período fora da programação.

A presença de Luar representa uma das faces mais interessantes da moda nova-iorquina atual: uma criação que não tenta necessariamente suavizar suas referências urbanas ou transformá-las em luxo convencional. A etiqueta permanece ligada à cultura de Nova York, à experimentação de silhuetas e ao diálogo entre moda, noite e identidade.

LaQuan Smith encerra a noite com sensualidade

Fechando a programação de 14 de setembro, LaQuan Smith apresentou sua nova coleção às 21h. Conhecido por uma moda que explora sensualidade, brilho e silhuetas marcantes, o designer voltou a ocupar um dos horários de maior visibilidade da NYFW.

A presença de Smith também reforça uma característica que atravessou toda a temporada: o retorno de uma moda americana mais declaradamente glamourosa. Depois de anos dominados pelo minimalismo, pelo conforto e pelo chamado “quiet luxury”, a NYFW SS27 mostrou espaço renovado para brilho, transparências, cores e roupas pensadas para chamar atenção.

Uma NYFW entre herança e renovação

O dia 14 sintetizou boa parte do espírito desta edição da Semana de Moda de Nova York. De um lado, casas como Carolina Herrera reafirmaram códigos construídos ao longo de décadas. Do outro, nomes como Diotima, Zankov e Luar mostraram como a nova geração está ampliando a ideia do que pode ser a moda americana.

Ulla Johnson trouxe o romantismo para o cenário urbano; Zankov transformou referências dos anos 1960 em uma proposta contemporânea; Diotima reforçou a importância do artesanato; Carolina Herrera celebrou 45 anos de história; Luar manteve a conexão com a cultura de Nova York; e LaQuan Smith encerrou a noite apostando na força do glamour.

Mais do que apresentar tendências isoladas, a reta final da NYFW SS27 revelou uma cidade interessada em olhar para sua própria história sem deixar de experimentar. E talvez seja justamente nessa combinação entre herança e reinvenção que Nova York continue encontrando sua força dentro do calendário internacional da moda.

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