A Semana de Alta-Costura de Paris 2026, que começou oficialmente no final de janeiro em diversos palcos emblemáticos da capital francesa, veio com força total, reunindo grandes nomes da moda e apresentando visões criativas que refletem tanto tradição quanto novos caminhos da alta costura.
A abertura com Schiaparelli e o surrealismo teatral
Como de costume, a temporada foi inaugurada com o impacto visual da Schiaparelli de Daniel Roseberry, cuja coleção explorou o surrealismo e a relação entre arte, natureza e fantasia. Peças exuberantes: muitas com plumas, formas escultóricas e detalhes que brincam com a ideia de criatura fantástica, capturaram a atenção e marcaram a alta costura como espetáculo narrativo mais do que apenas visual.
Dior estreia sob nova direção com um poema floral
Outro dos grandes destaques dos primeiros dias foi a coleção de estreia de Jonathan Anderson na Dior, apresentada no Musée Rodin. Inspirado pela natureza e pelo legado da maison, Anderson trouxe uma leitura delicada e poética para a alta costura, com flores tridimensionais, silhuetas fluidas e uma sensação orgânica que transpareceu em vestidos elaborados e detalhes têxteis que evocam botânica e movimento.
Outras vozes criativas e narrativas diversas
Além disso, outras maisons como Georges Hobeika, Rahul Mishra e Julie de Libran também marcaram presença com abordagens distintas. Hobeika celebrou o luxo ornamentado e texturas ricas, enquanto Mishra explorou temas elementares, como terra, ar e água, traduzidos por meio de bordados minuciosos e volumes que evocam forças naturais. Julie de Libran, por sua vez, destacou uma elegância mais íntima e emocional, com silhuetas fluidas e paletas sutis que colocaram em foco a relação entre quem veste e a roupa em si.
Uma alta costura que une tradição e inovação
Os primeiros dias da Paris Haute Couture Week 2026 mostraram que a alta costura continua a ser um espaço de imaginação poderosa, artesanato excepcional e linguagem estética refinada. Ao mesmo tempo em que reverencia a tradição de técnicas ancestrais, a semana deste ano abraça a experimentação de formas, temas naturais e narrativas profundamente pessoais dos criadores.
Paris reafirmou, assim, seu papel como centro global do luxo e da criação: onde cada coleção traduz um novo capítulo da moda como arte, poesia visual e emoção pura.