O rosto costuma concentrar grande parte das preocupações estéticas relacionadas ao envelhecimento e à perda de peso. Mas existe uma região que frequentemente acaba revelando as mudanças corporais de forma ainda mais evidente: as mãos. Com a popularização dos medicamentos análogos de GLP-1 e o aumento de casos de emagrecimento significativo em períodos relativamente curtos, dermatologistas têm observado uma queixa crescente entre pacientes: a aparência de mãos mais finas, com veias e tendões marcados e pele aparentemente mais envelhecida.
A transformação corporal provocada pelo emagrecimento também começa a ultrapassar os consultórios e chegar ao guarda-roupa. O fenômeno ganhou até um nome no universo fashion: “Ozempic dressing”, expressão utilizada para descrever as mudanças na relação com as roupas após uma perda significativa de peso.
Nesse cenário, a moda passa a acompanhar não apenas uma nova silhueta, mas também um corpo em processo de transformação. Marcas e varejistas começam a repensar grades, proporções e modelagens, enquanto peças ajustáveis, com elásticos, zíperes, amarrações e possibilidades de regulagem, ganham espaço como alternativa para acompanhar diferentes medidas. A proposta aparece inclusive em criações de nomes como Dries Van Noten, Loewe e Phoebe Philo, que exploram soluções capazes de prolongar a vida útil das roupas diante das mudanças corporais.
É nesse contexto que a estética das mãos também ganha atenção. “Em muitos casos, o paciente apresenta um emagrecimento muito rápido e essas mudanças acontecem de forma acelerada. Por isso, é interessante o cuidado e acompanhamento dermatológico nesse processo, em paralelo ao acompanhamento nutricional, com atenção também à ingestão adequada de proteínas e aos cuidados com a barreira cutânea”, explica a dermatologista Dra. Adriana Cairo, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, speaker da Vydence® e professora de laser da Residência de Dermatologia do Hospital Heliópolis.
O chamado “Ozempic Hands” está relacionado ao aspecto mais “esquelético” das mãos. “Para tratar, a associação de técnicas é indicada, com o smartlaser Zye e a biorremodelação do Profhilo, que atuam com o objetivo de melhorar a qualidade e hidratação da pele”, acrescenta a especialista.
A atenção às mãos acompanha, de certa forma, uma mudança maior na percepção contemporânea sobre beleza. Se durante muito tempo os cuidados estéticos estiveram concentrados no rosto e, posteriormente, em regiões como pescoço e colo, mãos e braços também passaram a fazer parte da conversa sobre aparência e envelhecimento. Na moda, isso ganha uma dimensão particular: são justamente as mãos que seguram bolsas, joias, celulares e outros acessórios que ajudam a construir uma imagem pessoal.
Segundo a dermatologista, as mãos possuem naturalmente uma camada relativamente fina de tecido subcutâneo. Com a redução do percentual de gordura corporal, essa camada pode diminuir ainda mais, tornando mais visíveis estruturas como veias, tendões e contornos ósseos. “Além da alteração volumétrica, o envelhecimento das mãos também envolve mudanças na qualidade da pele, incluindo redução da densidade dérmica, alterações nas fibras de colágeno e elastina, perda de hidratação e surgimento de manchas e irregularidades na textura. Nesse ponto, o Zye Laser atua de forma interessante. A plataforma smartlaser permite combinar diferentes ponteiras e comprimentos de onda numa mesma sessão de acordo com as necessidades identificadas durante a avaliação”, explica a médica.
A preocupação com a aparência das mãos também acompanha o momento atual da moda, em que acessórios assumem cada vez mais protagonismo na construção do visual. Anéis, pulseiras, relógios e bolsas colocam essa região em evidência, enquanto fotografias de moda, campanhas e conteúdos para redes sociais exploram detalhes do corpo como parte da narrativa de estilo. Assim, a mão deixa de ser apenas um detalhe da produção e passa a integrar a imagem fashion de maneira mais evidente.
Ao mesmo tempo, o debate sobre as transformações corporais provocadas pelas canetas emagrecedoras também chega à própria construção das roupas. A chamada “Body Transformation Economy” descreve justamente esse novo mercado criado pelas mudanças de medidas, que envolve desde a necessidade de comprar novas peças até o desenvolvimento de roupas que acompanhem diferentes proporções.
No protocolo, Zye laser é utilizado antes da aplicação do biorremodelador. “A ponteira YAG 5-15 é utilizada com foco na remodelação do colágeno e a ponteira 1340 nm, um laser não ablativo, pode contribuir para a melhora da densidade da pele. O handpiece de picossegundos ajuda a tratar textura e manchas”, diz a dermatologista.
Após um intervalo de aproximadamente 15 a 20 minutos, o Profhilo é aplicado. Ele é o único biorremodelador injetável à base de ácido hialurônico e estimula mecanismos relacionados à melhora da qualidade, hidratação e estrutura da pele. Profhilo ajuda a produzir adipócitos jovens que vão ter uma função muito melhor na pele. Quando injetado, ele atua reforçando o bom funcionamento de células como fibroblastos, que formam colágeno; adipócitos, relacionados à gordura; e queratinócitos, presentes na superfície da pele. “O paciente vai ter um rejuvenescimento da pele e uma ajuda na estrutura também”, comenta a Dra. Adriana Cairo.
“Nessa associação, o interessante é justamente a possibilidade de atuar em diferentes camadas. O laser trabalha aspectos relacionados à remodelação e à qualidade da pele, enquanto o biorremodelador complementa esse processo. É uma associação em que um tratamento reforça o outro”, diz a Dra. Adriana.
A relação entre estética e moda ganha novas camadas diante desse cenário. Se a perda de peso pode alterar rapidamente medidas e proporções, a roupa passa a funcionar também como um marcador visual dessa transformação. A busca por tamanhos menores pode representar, para alguns consumidores, não apenas uma necessidade prática, mas uma forma de materializar a mudança diante do espelho.
O movimento, porém, também levanta discussões sobre os padrões de corpo valorizados pela indústria. Ao mesmo tempo em que a moda amplia sua capacidade de atender diferentes fases de uma transformação corporal, a valorização de silhuetas cada vez mais enxutas pode reacender debates sobre diversidade e representatividade. A chegada das canetas emagrecedoras ao universo fashion, portanto, não diz respeito apenas ao tamanho das roupas, mas também à maneira como a sociedade interpreta beleza, corpo e identidade.
De acordo com a dermatologista, o protocolo costuma ser realizado em duas sessões, com intervalo de um mês. “Já conseguimos observar mudanças após a primeira sessão, mas o resultado tende a se tornar ainda melhor após a segunda aplicação”, afirma.
“Quanto maior o grau de envelhecimento ou mais significativa tiver sido a mudança corporal, maior pode ser a necessidade de associar tecnologias da plataforma Zye. Cada paciente precisa ser avaliado para que o protocolo seja planejado de acordo com as alterações predominantes”, finaliza a Dra. Adriana Cairo.
Em um momento em que as transformações corporais provocadas pelas novas terapias para emagrecimento começam a influenciar também o consumo e a moda, o fenômeno mostra como beleza e estilo estão cada vez mais conectados. Das novas numerações às modelagens ajustáveis e, agora, aos cuidados específicos com as mãos, o corpo em transformação passa a pautar não apenas os consultórios, mas também o modo como as pessoas se vestem, consomem e constroem sua própria imagem.