A chegada do outono se aproxima, e com as oscilações típicas de temperatura entre dias mais quentes e noites frias, a pele do rosto entra em um período de adaptação que pode resultar em ressecamento, sensibilidade, descamação e perda de luminosidade. A chamada “meia-estação” costuma ser marcada por alterações no comportamento da pele, exigindo mudanças na rotina de cuidados para manter equilíbrio, hidratação e qualidade cutânea.
Segundo o biomédico Dr. Dieick de Sá, especialista em estética facial e fundador da clínica The Clinic, a principal característica dessa fase é a instabilidade climática, que impacta diferentes tipos de pele de formas distintas. “A pele seca tende a ficar ainda mais ressecada, com sensação de repuxamento e maior evidência de linhas finas. Já a pele oleosa pode produzir mais sebo para tentar se adaptar às variações de temperatura, principalmente quando o dia é quente e a noite esfria”, explica. Esse processo, acrescenta o especialista, favorece a descamação e aumenta a sensibilidade cutânea.
Ele ressalta que a perda de viço comum nessa época está diretamente relacionada à dificuldade da pele em acompanhar mudanças bruscas de clima. “A renovação celular se intensifica, o que pode causar descamação e sensação de pele sensibilizada. Regiões mais finas, como ao redor dos olhos e dos lábios, tendem a sofrer ainda mais”, afirma.
Hidratação é o pilar da transição de estação
Para atravessar o outono com a pele equilibrada, a hidratação, tanto interna quanto externa, deve ser prioridade. Dr. Dieick reforça que a ingestão de água precisa ser mantida mesmo quando a sensação de sede diminui. “Não é substituir por sucos ou outras bebidas. A pele precisa de água. Inclusive, quem tem pele oleosa também deve hidratar, porque a falta de hidratação faz o organismo produzir mais oleosidade na tentativa de compensar”, destaca.
Além da ingestão hídrica, a escolha do hidratante adequado ao tipo de pele faz diferença. “Peles secas costumam responder melhor a produtos com base mais nutritiva, enquanto peles oleosas devem optar por texturas em gel ou gel-creme, que hidratam sem pesar”, orienta. Ativos como vitaminas A e E e o ácido hialurônico, segundo ele, ajudam a manter a água na pele e preservar a barreira cutânea.
Momento estratégico para recuperar a pele após o verão
O outono também é considerado um período oportuno para reparar danos acumulados pela exposição solar dos meses anteriores, marcados por férias de verão e celebrações como festas de final de ano e Carnaval. “Mesmo sem queimaduras visíveis, a pele sofre agressões do sol e do mormaço. Com a mudança de estação, há uma renovação celular mais intensa, e isso abre uma janela importante para tratamentos de recuperação”, explica.
Entre as opções, o especialista cita procedimentos que reforçam hidratação e qualidade dérmica, como skinboosters e bioestimulação de colágeno. “Esses tratamentos levam cerca de 30 dias para iniciar o efeito e ajudam a preparar a pele para o inverno, reduzindo o risco de ressecamento intenso, textura craquelada e evidência de rugas”, destaca.
Hábitos diários também influenciam a qualidade da pele
Mais do que produtos e procedimentos, o comportamento cotidiano impacta diretamente o aspecto da pele durante o outono. O especialista destaca a importância da ingestão hídrica adequada, alimentação rica em nutrientes e sono de qualidade. “A pele é reflexo dos hábitos. Beber mais água, consumir alimentos ricos em minerais e manter atividade física regular contribuem para a hidratação e para a saúde cutânea como um todo”, reitera. Ele sugere, inclusive, iniciar o dia com ingestão de água para compensar as horas de sono sem hidratação.
Protetor solar continua indispensável
Um erro comum nessa época é reduzir ou abandonar o uso do protetor solar devido à menor intensidade do sol. O especialista reforça que a proteção deve ser mantida ao longo de todo o ano. “Protetor solar é um hábito diário, assim como escovar os dentes. Não existe filtro que proteja o dia inteiro; é necessário reaplicar a cada duas ou três horas”, alerta. À noite, segundo Dr. Dieick, o foco deve ser a recuperação da pele com hidratação e ativos reparadores.
O maior erro da transição: negligenciar a hidratação
Para o especialista, a falha mais frequente na passagem do verão para o outono é a falta de hidratação adequada, especialmente entre pessoas com pele oleosa. “Muitos evitam hidratante por medo de aumentar a oleosidade, quando na verdade o efeito é o oposto. O segredo é escolher a textura correta e manter uma rotina simples e consistente”, afirma. Ele ainda reforça que não é necessário um grande número de produtos, mas sim escolhas assertivas e adaptadas ao tipo de pele.
Com ajustes simples e atenção aos sinais cutâneos, é possível atravessar a meia-estação com a pele equilibrada, luminosa e preparada para os meses mais frios. “A chave é entender que a pele muda com o clima e precisa que a rotina acompanhe essas mudanças”, conclui.