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Por trás do desfile da FENDI Primavera/Verão 2027

24 de setembro de 2026

#Desfiles

By: Redação

Maria Grazia Chiuri escolheu os corpos como ponto de partida e principal inspiração para seu projeto à frente da FENDI. A moda é, por natureza, moldada pelo corpo, mas, para a designer, essa relação vai além da própria construção das roupas: trata-se de se entregar a uma sensação de liberdade emocional que, no processo de criação da coleção, se transforma em uma interpretação dos desejos dos corpos de hoje: fortes e frágeis ao mesmo tempo, em sua relação uns com os outros e no ponto em que o masculino eo feminino se encontram. São os versos do poema de E. E. Cummings, I like my body when it is with your body, que lançam luz sobre a ideia de reconhecimento mútuo, em que as roupas funcionam como uma segunda pele, permeável às emoções. Emoções que pertencem ao nosso tempo: as formas do presente são aquilo que a moda busca capturar.

Foto: Divulgação. Via Azzi and Co.

É a partir das peças de underwear para homens e mulheres que a coleção se desenvolve: uma camada intermediária e leve, que pode esconder ou revelar. Peças que Chiuri exalta por meio de rendas, bordados e uma variedade de cores, para expressar um corpo que abraça o prazer de se revelar, e também o da ironia. Raffaella Carrà, figura extraordinária da cultura pop italiana, conhecida e admirada em todo o mundo, torna-se um exemplo dessa subversão: dos figurinos de palco às hierarquias do desejo, passando pela afirmação de sua independência tanto na vida quanto no pensamento. O espelho, superfície do nosso reconhecimento diário e solitário de nós mesmos, transforma-se no multiplicador dos corpos de Adriano Celentano, Raffaella e dos dançarinos da performance arrebatadora de Prisencolinensinainciusol. Na passarela, ele ganha uma presença sólida, inspirada em Cubo di specchi (Mirror Cube), de Luciano Fabro, que força os espectadores ao confronto e à descoberta do outro por meio da própria imagem refletida.

Assim como os corpos se encontram e se misturam, as roupas também se combinam em diferentes sobreposições, formas, comprimentos, materiais e texturas. Brilho e opacidade. Leveza e peso. Seda e animal print. Renda, bordado, intársia. Peças metamórficas, como o robe que deixa o ambiente doméstico para ganhar as ruas. Veludo e pergaminho. Punk e bourgeois. Sapatos-jóia.Não existem hierarquias ou regras de conformidade. Homens e mulheres se relacionam em condições de igualdade, ultrapassando as fronteiras da vestimenta associada a cada gênero. O resultado é uma celebração dos corpos, em vez de uma tentativa de contê-los.

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