A primavera chegou oficialmente ao Brasil nesta terça-feira, 22 de setembro e abriu espaço para uma das temporadas mais aguardadas do calendário fashion. Com dias mais longos, temperaturas em elevação e a aproximação do verão, a mudança de estação também transforma o guarda-roupa. E, para 2026, a moda aparece menos preocupada com fórmulas prontas e mais interessada em personalidade, experimentação e peças capazes de ganhar diferentes interpretações.
Depois de temporadas marcadas por propostas mais discretas, a primavera/verão 2026 aponta para uma moda mais expressiva. Cores intensas, brilho, tecidos fluidos, detalhes artesanais e modelagens assimétricas aparecem entre as principais apostas, enquanto o styling ganha importância justamente por permitir que uma mesma peça seja usada de maneiras diferentes.
A cor ganha protagonismo
Se existe uma maneira simples de marcar a chegada da primavera, ela está na cartela de cores. A estação abre espaço para tons vibrantes e combinações menos previsíveis, em uma proposta que valoriza a expressão individual. A Pantone, ao apresentar sua paleta para a primavera/verão 2027, destacou justamente o encontro entre cores inspiradas na natureza e tonalidades mais intensas, criando espaço para combinações ousadas e cheias de personalidade.
Entre os tons apresentados pela Pantone estão Acacia, um amarelo luminoso; Marina, azul de presença marcante; Muskmelon, uma nuance alaranjada suave; Alexandrite, verde intenso; além de Lava Falls, vermelho profundo, e diferentes tonalidades de rosa e lilás. A seleção ainda traz neutros como Coffee Bean, White Onix, Angora e Sage Green, que funcionam como bases para produções mais equilibradas.
Brilho para além da noite
O brilho também deixa de ser exclusivo das produções de festa. Na primavera/verão, aplicações, pedrarias e strass aparecem como recursos para transformar peças do dia a dia em protagonistas. A tendência acompanha um movimento de retorno do maximalismo, que permite misturar diferentes elementos em uma mesma produção sem a necessidade de seguir uma estética única.
A ideia é incorporar o brilho de maneira estratégica. Uma peça com aplicações pode acompanhar jeans e acessórios mais discretos durante o dia, enquanto uma saia ou top brilhante pode ganhar uma nova leitura quando combinado a itens básicos.
A leveza dos tecidos fluidos
Quando as temperaturas sobem, materiais leves naturalmente ganham espaço. Seda, tecidos fluidos e construções que acompanham o movimento do corpo aparecem como alternativas para criar produções sofisticadas sem abrir mão do conforto. Nesta temporada, a seda também passa por uma mudança de interpretação: deixa de estar associada apenas a ocasiões especiais e aparece em peças mais casuais, como shorts, batas e conjuntos.
No Brasil, a tendência conversa especialmente com o clima da estação. Uma camisa de seda com jeans, uma saia fluida com camiseta ou um conjunto leve usado com rasteiras são exemplos de como levar a proposta para a rotina sem transformar o visual em uma produção excessivamente elaborada.
Crochê: o artesanal ganha espaço
O feito à mão continua entre os grandes códigos da temporada. O crochê, que há algumas temporadas deixou de ser associado apenas ao universo da praia, aparece agora também em acessórios e produções urbanas. Entre as apostas estão toucas, bolsas e peças com diferentes tramas, que acrescentam textura ao visual.
A força da tendência está justamente na versatilidade. Uma peça de crochê pode acompanhar biquíni em uma produção de praia, mas também ganhar jeans, alfaiataria ou camiseta e assumir uma proposta completamente diferente.
Assimetria para quebrar o óbvio
As saias também aparecem renovadas para a temporada. Bainhas irregulares, recortes inspirados em lenços e construções assimétricas acrescentam movimento e tiram a peça de sua configuração tradicional. A tendência funciona especialmente bem para quem quer adicionar informação de moda ao look sem depender de estampas ou cores chamativas.
A assimetria ainda acompanha um movimento mais amplo observado nas últimas semanas de moda: a busca por silhuetas menos previsíveis. Em Nova York, por exemplo, as passarelas SS27 já destacaram propostas como peplum, cinturas marcadas, babados e cores vibrantes, reforçando uma temporada voltada para experimentação e construção de novas proporções.
Uma primavera para experimentar
Mais do que determinar uma lista de peças obrigatórias, a primavera de 2026 chega como um convite para experimentar. A temporada reúne o frescor dos tecidos leves, a energia das cores, a delicadeza do artesanal e a ousadia do brilho em uma moda que privilegia a individualidade.
No Brasil, onde a transição entre as estações acontece de maneira diferente de outras partes do mundo, essa liberdade ganha ainda mais sentido. Afinal, mais do que reproduzir o que aparece nas passarelas internacionais, a moda da primavera pede adaptações ao clima, à rotina e ao estilo de cada pessoa. E talvez seja justamente aí que esteja o maior desejo da temporada: vestir as tendências sem deixar de imprimir a própria identidade.