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SPFW acabou mas essas 4 tendências ficam: veja como a semana de moda inspira o futuro do segmento no Brasil

26 de outubro de 2026

#Desfiles

By: Redação

A moda brasileira vai muito além das tendências que aparecem nas passarelas. Ela também conta histórias, resgata memórias, questiona padrões e propõe novas maneiras de pensar o consumo. Essa visão esteve presente na São Paulo Fashion Week N61, realizada entre 13 e 18 de outubro de 2026, em uma edição que encerrou as comemorações dos 30 anos do evento. Sob o tema “Imaginários”, a semana de moda reuniu diferentes gerações de criadores e apresentou coleções que ajudam a compreender os caminhos da indústria nacional.

Entre referências culturais, técnicas artesanais, experimentações de materiais e propostas que desafiam convenções, alguns movimentos se destacaram. Mais do que apontar o que estará em alta nas próximas temporadas, eles revelam uma transformação na maneira como a moda brasileira constrói sua identidade e dialoga com questões contemporâneas.

O artesanal ganha espaço como expressão de luxo e identidade

Uma das direções mais evidentes da SPFW N61 foi a valorização do trabalho manual. Crochês, bordados, rendas e texturas elaboradas apareceram em coleções que colocaram o tempo de produção e o conhecimento artesanal no centro da criação. O movimento mostra como técnicas tradicionais podem ganhar novas interpretações e dialogar com uma moda contemporânea, autoral e sofisticada.

A estreia da Ammi na semana de moda, com a coleção “Forma Viva”, explorou o crochê em peças inspiradas nas formas orgânicas da natureza. Já a Catarina Mina apresentou “Bonito Pra Chover”, uma coleção que traduziu a paisagem do sertão e a expectativa pela chegada da chuva por meio de rendas, bordados e aplicações.

O destaque dado a essas técnicas também abre espaço para discutir quem está por trás das roupas. O trabalho artesanal envolve conhecimentos transmitidos entre gerações e profissionais cuja participação é fundamental para a construção de peças únicas. Nesse cenário, valorizar o feito à mão significa reconhecer não apenas o resultado estético, mas também os processos e as pessoas que tornam cada criação possível.

Sustentabilidade deixa de ser discurso e influencia a criação

Outro caminho importante é a busca por novas formas de produzir e reaproveitar materiais. Na SPFW, a UÓ Upcycling, de Marcelo Sommer e Luiz Monteiro, mostrou como tecidos e peças que já tiveram uma vida anterior podem ganhar novas interpretações. A coleção combinou referências de lingerie, alfaiataria e universo esportivo, explorando contrastes entre materiais, formas e estilos.

A proposta reforça o potencial criativo do upcycling, técnica que transforma materiais existentes em novos produtos e pode contribuir para reduzir o desperdício. Mais do que uma solução ambiental, o reaproveitamento também se torna ferramenta de design, permitindo construções inesperadas e peças com identidade própria.

A responsabilidade socioambiental apareceu ainda em outras coleções, mostrando que a discussão sobre o futuro da moda passa pela escolha dos materiais, pelos métodos de produção e pela relação entre criatividade e recursos disponíveis. O desafio para o setor é fazer com que essas iniciativas se consolidem em processos consistentes, que envolvam toda a cadeia produtiva.

A identidade brasileira vai além dos clichês

Se a moda brasileira já foi frequentemente apresentada ao mundo por meio de imagens tropicais e referências litorâneas, a SPFW N61 mostrou uma visão mais ampla da brasilidade. Memória, território, arte, literatura e diferentes matrizes culturais serviram de ponto de partida para coleções que exploraram a pluralidade do país.

No desfile da Normando, por exemplo, referências à obra do pintor paraense Ismael Nery orientaram uma coleção que aproximou arte e vestuário. Já a Santa Resistência homenageou a Estação Primeira de Mangueira em “Otelo Brasileiro: Uma Paixão em Verde e Rosa”, incorporando à passarela elementos associados à história e à identidade da escola de samba.

Essa diversidade de referências revela uma moda que não precisa recorrer a símbolos óbvios para expressar sua origem. A pesquisa artística, as histórias regionais e as experiências de diferentes comunidades oferecem repertório para criações capazes de dialogar com públicos brasileiros e internacionais sem abrir mão de sua singularidade.

Tecnologia e experimentação ampliam os limites do vestir

O futuro da moda também passa pela investigação de materiais, técnicas e processos que desafiam os limites tradicionais da roupa. Na coleção “The Holy Matter”, a Artemisi, de Mayari Jubini, combinou referências místicas, impressão 3D e trabalho manual em peças de caráter escultural. A proposta aproximou vestuário, arte e experimentação tecnológica.

Esse tipo de abordagem indica como novas ferramentas podem ampliar as possibilidades criativas dos estilistas, seja na construção de formas complexas, seja na exploração de superfícies e estruturas pouco convencionais. A tecnologia, nesse contexto, não substitui necessariamente o trabalho artesanal: pode coexistir com ele e abrir caminhos para novas soluções.

A transformação digital da indústria também envolve outras etapas, como desenvolvimento de produtos, comunicação e comercialização. O desafio está em utilizar essas ferramentas de maneira coerente com a proposta de cada marca, sem perder de vista a qualidade, a funcionalidade e a identidade do design.

O futuro da moda brasileira será plural

A SPFW N61 mostrou que o futuro da moda brasileira não depende de uma única tendência, cor ou silhueta. Ele se constrói no encontro entre técnicas tradicionais e novas tecnologias, entre memória cultural e experimentação, entre responsabilidade ambiental e desejo de criar.

O trabalho artesanal, o reaproveitamento de materiais, a pesquisa artística e a ampliação da diversidade apontam para uma indústria capaz de explorar sua riqueza cultural e, ao mesmo tempo, questionar os próprios processos. O desafio agora é transformar essas propostas em práticas duradouras, que alcancem não apenas as passarelas, mas também a produção, o varejo e a relação cotidiana das pessoas com as roupas.

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