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SPFW N61: Marina Bitu mergulha no universo dos oceanos e À La Garçonne revisita suas origens

15 de outubro de 2026

#Desfiles

By: Redação

A São Paulo Fashion Week N61 seguiu nesta quarta-feira, 14 de outubro, com uma programação que evidenciou diferentes caminhos da moda brasileira. Entre as apresentações do dia, Marina Bitu explorou as profundezas do oceano em uma coleção marcada pela fluidez e pelo trabalho artesanal, enquanto a À La Garçonne retomou elementos de sua trajetória para propor novas combinações entre peças vintage, alfaiataria e materiais sustentáveis. O calendário também contou com o projeto especial do Mercado Livre, além das apresentações de Martins e Artemisi no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera.

Marina Bitu: a força feminina nas profundezas do oceano

A estilista cearense Marina Bitu abriu a programação do dia com Abissa, coleção de verão 2027 inspirada no oceano e nas histórias que habitam suas profundezas. A apresentação parte de referências femininas ligadas à pesca, à biologia marinha e à cartografia para construir uma narrativa que combina natureza, pesquisa e técnicas artesanais.

Entre as inspirações está Márcia Ribeiro, considerada a única mulher a pescar em alto-mar em Canoa Quebrada, no Ceará. Sua atividade aparece nas pétalas triangulares de tecido que remetem às velas das jangadas. Já a pesquisa da bióloga ítalo-brasileira Marta Vannucci orientou os tons de azul profundo e os jacquards com degradês de vermelho e preto. As cores bege e amarelo-claro, por sua vez, fazem referência aos mapas antigos estudados pela cartógrafa Marie Tharp.

Os vestidos de festa em seda e organza continuam entre os destaques da marca, com transparências sutis, silhuetas alongadas e volumes que acompanham o movimento do corpo. Bordados inspirados em corais e acabamentos com palha de fibra de bananeira pintada à mão reforçam a dimensão artesanal da coleção, desenvolvida com a participação da Associação Fibrarte, parceira da etiqueta desde 2023.

Nesta temporada, a estilista também amplia as possibilidades do guarda-roupa com conjuntos de alfaiataria em algodão, camisas, calças e bermudas. A presença de peças esportivas no styling contribui para aproximar a linguagem sofisticada da marca de combinações mais casuais, sem abandonar a identidade fluida que caracteriza suas criações.

À La Garçonne: um olhar para o passado e novas possibilidades

Para a nova apresentação da À La Garçonne, Fábio Souza voltou às origens da etiqueta e às referências que marcaram seus primeiros anos. O estilista resgatou a customização de camisetas vintage, ponto de partida de sua trajetória na moda, e revisitou modelagens, estampas e ideias que ajudaram a consolidar a identidade da marca.

A coleção combina peças utilitárias e elementos decorativos em uma mistura de contrastes. Macacões e vestidos de sarja recebem paisagens e motivos florais pintados à mão, enquanto referências náuticas aparecem em diferentes propostas. Blusas de paetês, camisas metalizadas e vestidos de jacquard rosa convivem com jaquetas inspiradas nos anos 1950, peças desgastadas e combinações que aproximam o delicado do bruto.

A alfaiataria também ocupa lugar importante na apresentação, com microsshorts, coletes, sobretudos e paletós estruturados por ombreiras. O resultado reforça a capacidade da marca de combinar referências clássicas e elementos urbanos sem se prender a uma única estética.

Outro destaque está na escolha dos materiais: segundo a ELLE Brasil, 98% dos materiais utilizados na coleção são sustentáveis de alguma forma, incluindo tecidos de estoque parado, peças vintage e um fio de Lycra composto por 70% de matéria-prima vegetal derivada do amido de milho. A proposta conecta a revisão do arquivo criativo a uma reflexão sobre reaproveitamento e desenvolvimento de novos materiais.

Mercado Livre: a passarela como vitrine de estilo e consumo

Foto: Reprodução Mercado Livre.

Com o projeto especial O Brasil de encontros, o Mercado Livre leva à SPFW uma proposta que conecta moda, diversidade de estilos e comércio eletrônico. Com curadoria do stylist Daniel Ueda, a apresentação reúne produtos de marcas disponíveis na plataforma, entre elas Farm, Nike, Melissa, Crocs, Saint Germain, Hering e Puma.

A iniciativa busca mostrar como diferentes referências e estéticas podem compor o guarda-roupa brasileiro, ao mesmo tempo que aproxima a experiência de assistir a um desfile da possibilidade de encontrar as peças no ambiente digital. Os produtos apresentados estão associados às lojas oficiais das marcas no marketplace.

A estratégia também inclui uma operação de live commerce, com transmissões ao vivo voltadas à apresentação de produtos e à interação com o público. Dessa forma, a participação na semana de moda vai além da exposição de tendências e transforma a passarela em um ponto de contato entre criação de looks, descoberta de marcas e compras on-line.

Martins e Artemisi completam a programação

A programação desta quarta-feira segue com Martins, às 19h, e Artemisi, às 20h30, encerrando a sequência de apresentações do segundo dia da SPFW N61. As duas marcas integram o calendário da edição, que reúne criadores com diferentes propostas estéticas e abordagens para a moda contemporânea.

A presença de Artemisi também representa a continuidade de uma trajetória ligada à experimentação de materiais, às formas tridimensionais e à aproximação entre tecnologia e trabalho manual. Em temporadas anteriores, a marca de Mayari Jubini explorou recursos como impressão 3D, aplicações de resina e construções esculturais, estabelecendo uma identidade associada ao futurismo e à pesquisa de materiais. Para a coleção apresentada nesta quarta-feira, porém, os detalhes específicos da nova proposta não foram confirmados pelas fontes consultadas.

No caso de Martins, a apresentação integra a programação oficial da semana de moda, mas as informações disponíveis até o fechamento desta matéria não permitem detalhar com segurança os conceitos e as peças da coleção exibida nesta edição.

Um dia de contrastes e pesquisa criativa

O segundo dia da SPFW N61 reuniu propostas que partem de referências distintas para pensar o presente e o futuro do vestir. Marina Bitu levou à passarela a relação entre oceano, memória e artesanato; a À La Garçonne revisitou seu repertório com atenção à construção das roupas e ao reaproveitamento de materiais; e o Mercado Livre aproximou o universo dos desfiles da experiência de compra digital.

Em comum, as apresentações mostram como a moda brasileira pode transitar entre pesquisa autoral, identidade visual, sustentabilidade e novas formas de relacionamento com o consumidor. Dentro da edição que encerra as celebrações dos 30 anos da São Paulo Fashion Week, a diversidade de propostas reforça a passarela como espaço de experimentação e de construção de narrativas sobre a cultura e o estilo contemporâneos.

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