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Victoria’s Secret Fashion Show 2026: como a passarela tem moldado uma nova narrativa?

19 de outubro de 2026

#Desfiles

By: Redação

As asas voltaram a ocupar o centro do espetáculo. No último domingo, 18 de outubro, a Victoria’s Secret realizou a edição 2026 de seu tradicional desfile em Los Angeles, nos Estados Unidos, combinando lingerie, figurinos grandiosos e apresentações musicais. Inspirada nas quatro estações do ano, com dois momentos dedicados ao inverno, a apresentação preservou a estética fantasiosa que consagrou o evento, mas também colocou em evidência uma transformação iniciada nos últimos anos: a ampliação dos perfis de mulheres que chegam à passarela da marca.

Além de notícias sobre uma recuperação financeira da empresa, um dos principais motivos do hiato das passarelas de VS, que aconteceu entre os anos de 2019 e 2024, foram discussões sobre a diversidade, o desfile foi por muitos anos uma referência de um padrão de beleza específico que passou a ser questionado. E desde sua volta em 2024 a marca tem buscado outros perfis de modelos para integrar o seu time de Angels.

Foto: Reprodução Instagram @victoriassecret/@kevintachman.

Na última ediação, os nomes confirmados foram Gigi Hadid, Adriana Lima, Candice Swanepoel, Liu Wen, Imaan Hammam, Anok Yai, Alex Consani, Paloma Elsesser, Ashley Graham e Precious Lee. A seleção reuniu diferentes gerações, nacionalidades e tipos físicos, incluindo modelos plus size e Alex Consani, uma das mulheres trans de maior projeção na indústria da moda. A presença dessas profissionais demonstrou como a Victoria’s Secret vem buscando ampliar sua representação, historicamente associada a um padrão corporal bastante restrito.

Da imagem idealizada nos anos 2000 à pluralidade de corpos

Durante décadas, principalmente durante a promoção da magreza nos anos 90 e 2000, o Victoria’s Secret Fashion Show ajudou a consolidar uma imagem específica de sensualidade: modelos altas, magras, com corpos definidos e asas elaboradas, apresentadas como as famosas Angels. O espetáculo se tornou um fenômeno cultural, mas também passou a receber críticas por sua representação limitada de beleza e feminilidade. Em 2018, após uma série de controvérsias e questionamentos sobre a falta de diversidade, a marca interrompeu o formato tradicional do desfile. O evento voltou em 2024, com a promessa de refletir uma visão mais ampla de suas consumidoras.

Em 2026, a presença de Ashley Graham, Paloma Elsesser, Precious Lee e Devyn Garcia reforçou essa tentativa de tornar diferentes silhuetas mais visíveis em uma das passarelas mais conhecidas da moda íntima. Já Alex Consani representa uma mudança importante na visibilidade de modelos trans em grandes eventos comerciais. A diversidade também aparece na composição internacional do elenco, com profissionais de diferentes origens étnicas e trajetórias.

Solange Omon e a abertura para novos talentos

Um dos destaques da edição foi a estreia de Solange Omon, modelo de 21 anos nascida em Camarões e criada profissionalmente nos Estados Unidos. Ela conquistou o posto de nova Angel após vencer uma seleção nacional que recebeu milhares de candidatas e foi documentada na série Angels Among Us, publicada no YouTube. O processo acompanhou etapas de seleção, treinamento, sessões de fotos e provas de passarela antes de chegar às finalistas.

Além de desfilar no evento, Omon recebeu um contrato exclusivo com a agência IMG Models. Sua trajetória amplia o debate sobre representatividade para além da aparência: ao abrir espaço para uma candidata descoberta por meio de uma seleção pública, a marca também apresenta uma nova forma de aproximar o casting de mulheres que acompanham o desfile como consumidoras e admiradoras.

A iniciativa não elimina os critérios seletivos da indústria da moda, mas oferece uma janela para novos rostos em um evento historicamente dominado por supermodelos consagradas. A combinação entre figuras conhecidas e talentos emergentes ajuda a manter o apelo comercial do espetáculo enquanto busca construir uma conexão mais ampla com o público.

A diversidade se trata apenas de uma tendência ou é o futuro da moda?

Com as discussões sobre diversidade, sustentabilidade e ética, muito se tem falado sobre inclusão em passarelas, coleções e campanhas. Mas isso se trata de um movimento momentâneo da moda ou é o caminho para um futuro mais abrangente?

Durante a sua história, a moda foi conhecida por limitar padrões de beleza e apresentar restrições principalmente às mulheres que faziam parte deste grupo. Porém, a discussão sobre diversidade não vem de hoje e desde os anos 1960 há registros de lutas dentro o segmento para uma maior representatividade.

Foto: Vogue edição Março 1966.

Nos anos 60, por exemplo, a modelo Donyale Luna foi uma das primeiras modelos a abrir espaço para mulheres negras na indústria se tornando uma das modelos de destaque de capas internacionais. Já nos anos 2010 foi quando a moda ampliou a visibilidade do público LGBTQIA+ em suas passarelas, como a modelos Lea T e Andreja Pejić, primeiras mulheres trans a aparecerem em passarelas de grandes marcas como Givenchy.

Foto: Lea T em Givenchy Pre Fall 2011. Vogue Runway.

E se antes a categoria plus-size era vista como uma minoria na moda, foi a partir de 2010 que as discussões sobre a representatividade de corpos ganharam mais força. Isso veio como resposta principalmente a anos de uma cultura liderada pela magreza e o aumento no empreendedorismo da moda e beleza que agora contava com figuras da internet e celebridades pop no mercado.

Depois de anos em uma crescente preocupação em diversidade, Victoria’s Secrets entra com força para esse cenário ao ser uma das principais referências de sensualidade e feminilidade. Sendo assim, a marca incorpora novos símbolos e prova que seus próximos capítulos estão prontos para uma nova filosofia que integra cada vez mais perfis de mulheres em seu portfólio.

Moda, música e representatividade

A música foi outro elemento central da noite. Megan Thee Stallion, Megan Moroney, Tate McRae e o grupo KATSEYE formaram um elenco musical inteiramente feminino, com apresentações integradas aos diferentes segmentos do desfile. As performances reforçaram o diálogo entre moda, cultura pop e entretenimento, uma combinação que há décadas faz parte da identidade do evento.

A proposta visual percorreu referências à primavera, ao verão, ao outono e ao inverno, com asas inspiradas em pétalas, flocos de neve e superfícies metálicas. O segmento dedicado à linha PINK acrescentou uma atmosfera mais jovem e descontraída ao espetáculo. Assim, a edição manteve os códigos de fantasia e sensualidade da Victoria’s Secret, ao mesmo tempo que atualizou parte de sua narrativa para dialogar com um público mais amplo.

Diversidade como compromisso, não como tendência

O Victoria’s Secret Fashion Show 2026 mostra que a inclusão se tornou uma questão incontornável para marcas que desejam permanecer relevantes cultural e comercialmente. A presença de modelos com diferentes corpos, identidades e origens amplia o repertório visual da passarela e desafia a ideia de que existe apenas uma maneira de representar a sensualidade feminina. E este é o maior legado que a marca pode deixar para uma nova geração de admiradores.

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