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              @raissazogbi

Por Raíssa Zogbi

“Adocica meu amor, adocica”! Basta cantar um trecho da música de Beto Barbosa para logo se lembrar da bolsa de cintura que, por muito tempo, era responsável por compor as produções mais bregas que podemos imaginar. Mas, até para ela o tempo passa, querida leitora. A pochete deu a volta por cima e superou a fama de cafona para entrar na top list de truques de styling e acessórios desejo das fashionistas. E, depois de ser a rainha do carnaval, ela permanece em cena para provar seu poder versátil e prático para qualquer look.

Sucesso no street style e apresentada nas passarelas internacionais com propostas nada clichês, ela surgiu bem antes dos anos 90, como teimamos em pensar. Ela já faz parte da vida de mulheres independentes e estilosas há muito mais tempo. Vamos voltar para 1900, em meados da 1ª Guerra Mundial. É difícil, mas acredite: a pochete estava lá, pendurada nas cinturas das mulheres que, com os homens longe de casa, passaram a trabalhar fora e clamavam por opções práticas. Um salve para as motoristas de ônibus, que tinham a bolsa garantida no uniforme. E aí começa a história desse simpático acessório,  que hoje te dá mil motivos para tê-lo por perto.

Jacquemus/ Fendi/ Street Style

Um pouco depois, um modelo completamente diferente surgiu no mercado com menos funcionalidade e mais charme. A atriz e cantora inglesa Jane Birkin apareceu com uma versão mini da bolsa mais icônica do mundo, a cobiçada Birkin da Hermès, pendurada na calça. Ela mais se parecia com um porta-moeda do que com uma pochete no formato mais comum que a conhecemos.

Vamos em frente, amiga. A pochete seguiu seu percurso de se reinventar e apareceu bem oitentinha nos anos 80, rsrs. Pense em doses nada homeopáticas de cores, estampas, brilhos e tudo mais que te vier na mente dessa década criativa e exagerada. Detalhe: nessa década, ela era acessório de esportista, já que permitia que as mãos, ombros e braços ficassem livres, leves e soltos para qualquer movimento.

E aí, eis que chega a década em que a bolsinha ganhou sua fama de cafona. Depois de décadas e mais décadas se mostrando funcional, prática e fashion (sim!), ela alcançou um status nada positivo de look brega, principalmente, em versões de couro. Talvez o que tenha atribuído essa imagem esteja mais relacionado, inclusive, com as combinações over que ela compunha do que com o modelo da pochete em si. Bom, aplausos para o tempo que faz tudo mudar e nos traz Karl Lagerfeld e sua criatividade para atualizar o shape do acessório em 2014, na coleção de verão da Chanel. Do lixo ao luxo, não? Do cafona para a Alta-Costura. Isso que é vencer na vida!

Burberry/ Chanel Verão 2014/ Chanel Fall 2019

E deu pochete! Em versões maxi ou mini, traspassadas ou na cintura, com brilho ou discretas, elas conquistaram um espaço de respeito no closet de quem curte moda e, dificilmente, entrará novamente em polêmicas que duvidem de seu poder fashion.

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