Por Carolina Altarejo

Inside BléqueDos materiais mais exóticos, oriundos de diversos
pontos do Brasil, aos pés de mulheres que se importam com o verdadeiro sentido da sustentabilidade. A Bléque, marca brasileira de calçados e acessórios, tem como principal matéria-prima o couro de peixe, resíduo da indústria alimentícia, que ganha novo sentido em peças conceituais e perenes. E não para por aí: até o abacaxi e a folha de banana tem seu espaço, uma vez que a palavra-chave aqui é ressignificar.

Em meio a um cenário em que se vê a necessidade de reduzir os impactos ambientais, a label, criada pela designer de moda Renata Negrão, recicla elementos que seriam descartados por meio de uma longa cadeia de produção que carrega valores sociais e ambientais. Além da busca constante por alternativas eco-friendly, a marca adota hoje os couros de pirarucu e tilápia como principais materiais.

Inside BléqueO pirarucu, por sua vez, é oriundo das comunidades ribeirinhas da Amazônia e o seu reaproveitamento auxilia na renda final, pois faz com que esse produto volte para a economia como material nobre de alta qualidade. Esses insumos naturais permitem que as peças transitem entre o clássico e o moderno com diferentes padronagens.

Em entrevista para a Z, a empreendedora campineira, que se especializou no Instituto Marangoni, em Milão, afirma que, quando se trata do processo de criação, é importante pensar no tamanho das escamas e em como elas se adaptam melhor a cada modelo de calçado. Apesar de ser um produto maleável, ele também pode ser bem delicado.

Para a estilista de moda, que sempre foi apaixonada por sapatos, ver uma pessoa usando suas criações é consequência de muito trabalho e reflexo do cuidado com todos os detalhes, desde o desenvolvimento até a fabricação do produto. Renata expressa também sua preocupação com as questões sociais e, através de uma parceria entre a Bléque e a ONG Samaritan’s Feet, colabora com a saúde de crianças que vivem em áreas de risco.

Nesse projeto, para cada produto Bléque vendido, uma parte da renda é revertida na forma de calçados para essas crianças, que podem se proteger do solo infectado. Por meio de atitudes inclusivas, marcas do universo da moda podem inspirar ações transformadoras. “Se cada empresa pudesse pensar nas pessoas menos favorecidas, nós teríamos um Brasil melhor!”, conclui Renata.