Por Fernanda Fontes

Fernanda
            @fernandagsfontes

Novembro é conhecido por muitos pelos grandes descontos vistos nas tradicionais promoções de “black friday”, um verdadeiro incentivo ao consumo desenfreado, no qual muitas vezes compramos um produto pelo simples fato de “estar barato”, sem sequer usá-lo depois. Porém, no mundo da moda, o que vem por trás desse culto às compras vai muito além das peças paradas no nosso guarda-roupa. Como já comentamos em algumas edições aqui na coluna, o chamado “fast fashion”, traduzido da língua inglesa literalmente como “moda rápida”, vem abalando as estruturas do mercado da moda desde meados da década de 90, ganhando força com a chegada dos anos 2000. O próprio nome já indica a tendência desse mercado, que de forma célere e barata, lança novas peças e coleções quase que semanalmente, a fim de atender um público que preza por quantidade e não qualidade.

Porém, desde 2013 um movimento mundial tem trazido grandes mudanças e reflexões no mundo da moda, o chamado “Fashion Revolution”. Tudo teve início com um triste e evitável acontecimento em abril do mesmo ano, que resultou na morte de mais de mil trabalhadores, o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh. Assim como muitos locais na Ásia, o prédio abrigava oficinas de costuras em más condições de instalação e trabalho, muitas delas responsáveis pelo feitio de peças de grandes redes de fast fashions ocidentais.

Foi a partir deste fato que pessoas ao redor do mundo se uniram para repensar a cadeia têxtil e de confecção, envolvendo desde aqueles que produzem até nós consumidores, exigindo ética e transparência em todo o processo de produção, não só no tocante as formas de trabalho, envolvendo o combate a mão de obra análoga a escrava e/ou infantil, mas se atentando também ao pedido de socorro do nosso planeta. Atualmente o movimento existe em vários países e realiza eventos de conscientização em especial na chamada Fashion Revolution Week, que acontece no mês de abril.

@fash_rev_brasil

E já que tocamos no assunto do meio ambiente, vamos a alguns dados… Você sabia que a indústria da moda além de ser uma das que mais utiliza água, está entre as maiores poluentes do mundo? Ultrapassando até mesmo a aviação e o transporte marítimo juntos? Pois é, repensar a moda exige um conjunto de responsabilidades sociais e ambientais,  que podem partir de uma simples pergunta  conhecida como o ponto central do Fashion Revolution: “Quem fez minhas roupas?” Repense a marca da sua roupa, se interesse por saber a trajetória dela e, antes de comprar algo pense “eu preciso mesmo disso?” Afinal, independente de você doar ou vender o que não usa, o resíduo têxtil já foi gerado e estará na terra por algumas gerações.

Consuma moda com consciência e responsabilidade, afinal a conta não fecha quando pagamos R$20,00 em uma peça fabricada na Ásia, que envolveu a matéria prima, a mão de obra, os tributos e o transporte do oriente para o ocidente. Ao longo desse percurso alguém não foi remunerado e o planeta foi sobrecarregado.

Dica: Quer saber se a marca que você usa tem algum envolvimento com o trabalho análogo a escravo? Baixe o app Moda Livre.