Por Bia Frata

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Com os impactos da mudança climática e do aquecimento global, a necessidade e o desejo de proteger nosso planeta nunca foram tão fortes e urgentes. O primeiro passo é olhar o nosso estilo de vida e se perguntar o que pode ser feito para reduzir os rastros? Você pode optar por diminuir o uso de plástico ou, talvez, repensar a dieta e optar por comer menos carne. Mas, o quão “verde” é o seu guarda-roupa?

Nascida a partir de meados dos anos 90, em pleno bombardeio de informações da era digital, a geração Z procura mais transparência em suas relações e busca comprar de forma mais criteriosa. Da mesma forma, uma nova safra de grife não quer criar apenas por criar: buscam ressignificar a moda, a partir de princípios como a sustentabilidade, a produção justa, o desenvolvimento social, o empoderamento feminino e a economia colaborativa.  Em resumo, impactar de forma positiva a sociedade e o planeta ao seu redor.

Líder no campo da moda eco-friendly, Stella McCartney se transformou em sinônimo de sustentabilidade e consumo consciente e, de quebra, remodelou a própria existência. Desde o início de sua carreira, Stella sempre teve o discurso de desenhar roupas desejáveis, luxuosas, mas de maneira responsável, cuidadosa e ética. Ela nunca usou peles nem couro, mesmo quando os outros players duvidavam que era possível existir um luxo sustentável. Além disso, não se usa mais PVC em nenhuma peça de sua marca, assim como os perfumes não são testados em animais. O algodão é orgânico e o poliéster vem de garrafas plásticas recicladas.

A designer Mara Hoffman, é um grande exemplo de quem tem replanejado sua marca para peças mais responsáveis desde 2015. Nos anos que se seguiram, a marca de Hoffman começou a crescer e logo a designer percebeu que não queria que suas peças contribuíssem para as práticas ambientais negativas.

Oskar Metsavaht, criador de um império de lifestyle, defende o conceito que o novo luxo é uma alternativa ao esnobismo europeu, à iconografia do american dream e ao consumo de produtos baratos da China. Uma marca é identificada como luxo por lidar com valores considerados nobres. E a nobreza passa pela preocupação social e ambiental.

Foi também, com essa consciência, por exemplo, que surgiu o Brasil Eco Fashion Week. O evento que teve duas edições em São Paulo, se manifesta através de desfiles e showroom de marcas com iniciativas ecológicas e uma série de palestras e workshops com temas relacionados ao assunto.

Mas, a preocupação não cabe hoje apenas às novas grifes, e chegou também aos grandes players do mercado. Atualmente, o Instituto C&A em parceria com o Malha (espaço no Rio de Janeiro que conecta designers, empreendedores, produtores, fornecedores e consumidores em prol da criação colaborativa, locais e sustentáveis), realizam ações como a gestação de jovens marcas e cursos para transmitir inovações.

O sistema fashion está cada vez mais rápido e descartando produtos com igual velocidade. Com a mentalidade sustentável, é preciso mudar a maneira de olhar a moda, com peças que são, desde a perspectiva do design, criadas para fluir, não morrer. Influenciar um comportamento de consumo mais responsável é uma das etapas para alcançar a sustentabilidade. Se você deseja ser um consumidor responsável e ecofriendly, deve se questionar como, onde e por quem foi feita aquela roupa. Finalmente, a indústria e os consumidores parecem estar em busca de um novo impulso para a EcoEra.

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