Depois de 50 anos de carreira, Jean Paul Gaultier se despede da Alta-Costura com um último desfile nessa quarta-feira, dia 22 de janeiro, no Théâtre du Châtelet, em Paris. Em um anúncio anterior ao evento, o estilista francês anunciou: “Essa noite, verão minha primeira coleção de alta-costura “upcycling”. Abri as gavetas.”.

De fato, todos os looks foram sobras dos 50 anos de design da marca, onde fragmentos de couro recortados encontraram a alfaiataria em uma coleção ousada e vanguardista, repleta de montagens e remendos. Para os pés, contou com as criações do amigo Christian Louboutin, que apresentou desde scarpins clássico até coturnos gliterizados em vermelho.

Com uma verdadeira performance, a passarela abriu ao som de “Black to Back” e o desfile foi puxado por uma modelo saindo de um caixão. Em uma hora e meia de show, Gaultier revisitou suas fases e clássicos que marcaram época, como a produção de “Like a Virgin”, de Madonna. As listras icônicas dos uniformes da marinha francesa também foram celebradas em Gigi Hadid, como marca registrada da maison. No desfecho, o estilista desafiou o tradicional da Haute Couture e, ao invés de apresentar sua noiva, fechou com um look all black extravagante, vestido por Irina Shayk.

Sempre a frente de sua época, Gaultier foi um dos primeiros a questionar o padrão e colocar em prática a diversidade nas passarelas, retratada com maestria na despedida. Entre as modelos convidadas, estão as tops: Yasmin Leblon, Gigi e Bella Hadid, Karlie Kloss, Winnie Harlow, Irina Shayk e a brasileira Lais Ribeiro. Além do grande time de telespectadores do mundo fashion: Pierre Cardin, Kenzo, Isabel Marant, Dries Van Noten e Nicolas Fhesquière.

Em uma nota de apresentação da coleção, o designer francês retratou: “Acredito que a moda tem que mudar. Há muitas roupas, roupas que não servem para nada. Não joguem fora, reciclem.” Sem dúvidas, um show de alta-costura fechado com chave de ouro. Jean Paul Gaultier e sua ousadia farão falta na semana de Paris.